Em algum ponto, duas estradas bifurcavam numa árvore. Eu trilhei a menos percorrida e isto fez toda a diferença.

Robert Lee Frost

Robert Lee Frost nasceu em São Francisco, Califórnia, em 26 de março de 1874. Foi um dos mais importantes poetas dos Estados Unidos do século XX: recebeu quatro prêmios Pulitzer. Com a morte do pai em 1885, mudou-se com a família para a Nova Inglaterra, região à qual Frost e sua poesia seriam permanentemente associados no futuro. Em 1890, publicou seu primeiro poema e começou a dar aulas e realizar pequenos serviços em fazendas e moinhos. A vida que levava nesse período moldou sua personalidade poética: foi um dos poetas norte-americanos que melhor combinou em seus versos o popular e o moderno, o local e o universal. Em 1895, casou-se com Elinor White, com quem teve seis filhos. A partir daí passou a envolver-se cada vez mais com a vida no campo: em 1901 já administrava sua própria fazenda. A partir de 1906 começou a lecionar em tempo integral na Pinkerton Academy e seguiu proferindo palestras e conferências, atividade que não abandonaria até a morte. Entre 1912 e 1915 viveu na Inglaterra, onde publicou seus dois primeiros livros de poemas, A Boy’s Will (1913) e North of Boston (1914). Os livros foram bem recebidos pela crítica européia, e Frost foi apresentado a poetas famosos, como Ezra Pound, Ford Madox Ford e W. B. Yeats. Em 1915 voltou aos Estados Unidos e publicou seus dois primeiros livros na terra natal. A morte da esposa em 1938 e o suicídio da filha Carol em 1940 causaram um impacto tremendo em sua estabilidade emocional. Em 1941, mudou-se para Cambridge, onde viveria pelo resto da vida, o tempo todo assessorado por sua secretária Kathleen Morrison, a quem pediu em casamento logo em seguida à morte da esposa, mas Kathleen recusou. As viagens como conferencista incluíram uma visita ao Rio de Janeiro e São Paulo, em agosto de 1954. Plenamente reconhecido como um dos maiores poetas norte-americanos do século XX, Robert Frost morreu em 29 de janeiro de 1963.

A estrada não trilhada

 

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,

mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.

Assim, por longo tempo eu ali me detive,

e um deles observei até um longe declive

no qual, dobrando, desaparecia…

 

Porém tomei o outro, igualmente viável,

e tendo mesmo um atrativo especial,

pois mais ramos possuía e talvez mais capim,

embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,

os tivesse marcado por igual.

 

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos

de folhas que nenhum pisar enegrecera.

O primeiro deixei, oh, para um outro dia!

E, intuindo que um caminho outro caminho gera,

duvidei se algum dia eu voltaria.

 

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,

nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:

a estrada divergiu naquele bosque – e eu

segui pela que mais ínvia me pareceu,

e foi o que fez toda a diferença.

 

#Tradução: Renato Suttana*

Robert Frost (1874 – 1963)

A estrada não trilhada

 

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Sobre luciadifatima
Que eu me lembre...sempre gostei de compreender a vida observando ou fazendo uso de imagens...quando adolescente amava fazer recorte e colagem...quando o professor de Arte pedia pra interpretar poemas e temas usando imagens de revistas velhas.O trabalho com a pesquisa de imagens era pra mim um encanto. Hoje sinto que as convivências humanas são direcionadas por eternos recortes e colagens...Humanamente recheados e colados por acertos e erros...os registros gravados neste espaço pretendem estimular e ampliar...reflexões...que busque a construção da melhoria das nossas convivências. O trabalho com educação que realizei durantes alguns anos, principalmente com crianças, amplia a esperança em nos tornarmos cada vez mais humanos. Provavelmente trocaremos saberes sobre mil coisas. Agradeço sua participação e a sua significativa contribuição neste processo de emancipação cidadã para todos e com todos.

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