Trabalhadores e trabalhadoras.Trago comigo forte e solidário abraço pela luta de todo dia. 1º DE MAIO

Ócio Criativo.

Muitos autores pensam nas questões, que envolvem o trabalho e o trabalhador.

Nos dias de hoje, nos trabalhadores por diferentes motivos e processos históricos os quais vivemos, também conseguimos perceber algumas questões que nos agride em nossas atividades de trabalho. E outras que impulsionam o desejo de justiça nesta questão tão contraditória que envolve o organismo do capital.

Historicamente muito já foi dito sobre o trabalho, e o trabalhador. Muito já foi também dito sobre o ócio, pois são fazeres que se completam. O que poderia ser interessante experimentar é prática do ócio criativo, algo que sempre existiu na história do homem, neste século poderíamos pensar em justiça, de maneira que o exercício do ócio fosse acessível a maioria das pessoas.

Não a minoria como historicamente temos em registros. Pensadores de diferentes tempos, épocas refletem sobre as questões que envolvem a sobrevivência da raça humana. Sabemos que é preciso trabalhar. Sabemos que o ócio é necessário. Como é certo e também sabemos que esta sociedade capitalista na qual estamos submersos precisa ousar e experimentar, a justiça.

Muitos de nos trabalhadores contribuem para a mudança de uma nova sociedade, onde o cidadão vive a democracia e a cidadania. Muitos primeiros de maio vão acontecer… esperamos por dias melhores. Trabalhadores forte abraço pela luta de todo dia e a alegria cotidiana que nos permite ainda apesar de tudo, ter fantasias. Trago comigo alguns olhares sobre as trajetórias, que o trabalhador passou na história do homem. por Luciadifatima.

Trago comigo um trabalho, de brasileiros belos… lindo….lindo… pessoas lindas…aprecie!

MAIO,NOSSO MAIO.

O trabalho em diferentes sociedades: O ócio na Grécia Antiga

ESCOLAS DE ATENAS

Entre os gregos o trabalho era tido como a expressão da miséria humana, portanto, desprezado. Para famosos pensadores como Aristóteles e Platão o trabalho estava ligado com o campo da necessidade, como, por exemplo, alimentar-se e cobrir-se. Tratava-se de uma nítida separação entre o mundo do “labor”, o mundo da “necessidade” e o mundo regido pela “razão”. Assim, a única atividade digna dos homens livres era o “ócio”. Neste sentido, a noção de cidadania grega estava intimamente ligada com o trabalho, ou seja, somente as pessoas que não precisassem trabalhar, ou ocupar-se das atividades ligadas ao campo da necessidade, poderiam de fato se considerar cidadãos plenos e participar da politike, isto é, dos assuntos da póleis.

DEMOCRACIA E CIDADANIA SEMPRE!

Os gregos inventaram o ideal de democracia, e o exerciam de forma plena, contudo, se podemos dizer que a democracia era plena, a cidadania não. Poucos indivíduos dentro da sociedade grega tinham o “ócio” necessário para se tornarem cidadãos plenos e decidir democraticamente os assuntos das póleis gregas. A sociedade grega era, portanto, extremamente escravista.

Interessante notar que a palavra ócio, em grego, é skole; de onde deriva a palavra escola em português, que em latim é schola e em castelhano, escuela. Quer dizer, os nomes dados aos lugares destinados à educação significavam ócio para os gregos. Assim, eles consideravam o ócio como algo a ser alcançado e desfrutado.

ÓCIO

Ócio e negócio

Para o filósofo Aristóteles, o ócio era uma condição ou estado – o estado de estar livre da necessidade de trabalhar. Ele fala também da vida ociosa em contraposição à vida de ação, entendendo por ação as atividades dirigidas para obtenção de fins materiais. Não considerava ócio a diversão ou o recreio, porque eram atividades diretamente relacionadas com descanso do trabalho; e a capacidade de viver devidamente o ócio era a base do homem livre e feliz. Para os gregos, o ócio não significava não fazer nada, mas sim dedicar-se às ideias e ao espírito, na contemplação da verdade, do bem e da beleza.

Para Aristóteles, ócio era uma condição ou estado – o estado de estar livre da necessidade de trabalhar.

De acordo com estudiosos, a vida de ócio dos gregos só foi possível por causa da escravidão, pois na época havia duas classes de homens: os dedicados à arte, à contemplação ou à guerra; e os que eram obrigados a trabalhar, inclusive em condições precárias: os escravos.

Os Romanos

Já o conceito de ócio era que as pessoas muito ocupadas buscavam-no não como um fim, mas como descanso e diversão no intervalo de suas diversas atividades – exército, comércio, governo.

Banquet ócio e negocio

A sociedade romana que pensa na  noção moderna sobre a divisão e aproveitamento (eficácia) daquilo que temos de mais precioso, o Tempo.

Ante um otium, dedicado ao espaço público (Ágora), onde se praticava e se interagia com os outros nos campos da Política ou da Cultura, havia um nec otium, o para lá do ócio, ou negócio, período dedicado a ganhar dinheiro que permitisse, além de viver, o gozo do ócio.

Primum laborare, deinde philisophare, uma máxima também romana, já é uma alteração ética importante nesse conceito de divisão do tempo, onde se apregoa a lei “natural” de se trabalhar primeiro e se filosofar apenas depois. Afinal, estariam aqui as raízes do conceito de “tempo é dinheiro” introduzido algures no final da Idade Média europeia pela classe burguesa ascendente, e aplicado com todo o rigor pelo pensamento da Reforma, de Lutero ou Calvino. Por Fernando Correia de Oliveira

No século XVIII

Na sociedade contemporânea, pensar sobre o ócio é pensarem desperdiçado de tempo. Este conceito é fruto de uma interpretação burguesa que, no século XVIII, com o início da industrialização, passou a dar uma conotação negativa à idéia de ócio, uma vez que não seria interessante para esta burguesia aceitar o tempo livre do trabalhador assalariado.

KARL MARX

A MAIS VALIA PARA – Karl Marx

Karl Marx foi o primeiro pensador econômico que criticou a dinâmica do modelo capitalista. Escreveu um tratado de três volumes sobre todos os economistas existentes, que foi publicado como Teoria da Mais-Valia e, posteriormente, incorporado à obra O Capital, obra mais importante do autor. A teoria maxista da mais-valia pode ser compreendida da seguinte forma: suponhanhamos que um funcionário leve 2 horas para fabricar um par de calçados. Nesse período ele produz o suficiente para pagar todo o seu trabalho. Mas, ele permanece mais tempo na fábrica, produzindo mais de um par de calçados e recebendo o equivalente à confecção de apenas um.

Karl Marx - O Capital

Em uma jornada de 8 horas, por exemplo, são produzidos 4 pares de calçados. O custo de cada par continua o mesmo, assim também como o salário do proletário. Com isso, conclui-se que ele trabalha 6 horas de graça, reduzindo o custo do produto e aumentando os lucros do patrão. Esse valor a mais (mais-valia) é apropriado pelo capitalista e constitui o que Karl Marx chama de “Mais-Valia Absoluta”. Além do operário permanecer mais tempo na fábrica o patrão pode aumentar a produtividade com a aplicação de tecnologia. Dessa forma, o funcionário produz ainda mais. Porém o seu salário não aumenta na mesma proporção. Surge assim, a “Mais-Valia Relativa”. Com esse conceito Marx define a exploração capitalista. Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/1705312-karl-marx-conceito-mais-valia/#ixzz1suRmvNd6

SOBRE KARL MARX

Economista, filósofo e socialista alemão, Karl Marx nasceu em Trier em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883. Estudou na universidade de Berlim, principalmente a filosofia hegeliana, e formou-se em Lena, em 1841, com a tese Sobre as diferenças da filosofia da natureza de Demócrito e de Epicuro. Em 1842 assumiu a chefia da redação do Jornal Renano em Colônia, onde seus artigos radical-democratas irritaram as autoridades. Em 1843, mudou-se para Paris, editando em 1844 o primeiro volume dos Anais Germânico-Franceses, órgão principal dos hegelianos da esquerda. Entretanto, rompeu logo com os líderes deste movimento, Bruno Bauer e Ruge.

Em 1844, conheceu em Paris Friedrich Engels, começo de uma amizade íntima durante a vida toda. Foi, no ano seguinte, expulso da França, radicando-se em Bruxelas e participando de organizações clandestinas de operários e exilados. Ao mesmo tempo em que na França estourou a revolução, em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada marxista. Voltou para Paris, mas assumiu logo a chefia do Novo Jornal Renano em colônia, primeiro jornal diário francamente socialista.
     

Ócio Criativo - Malfada

Depois da derrota de todos os movimentos revolucionários na Europa e o fechamento do jornal, cujos redatores foram denunciados e processados, Marx foi para Paris e daí expulso, para Londres, onde fixou residência. Em Londres, dedicou-se a vastos estudos econômicos e históricos, sendo freqüentador assíduo da sala de leituras do British Museum. Escrevia artigos para jornais norte-americanos, sobre política exterior, mas sua situação material esteve sempre muito precária. Foi generosamente ajudado por Engels, que vivia em Manchester em boas condições financeiras.

                                  Em 1864, Marx foi co-fundador da Associação Internacional dos Operários, depois chamada I Internacional, desempenhando dominante papel de direção. Em 1867 publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. Dentro da I Internacional encontrou Marx a oposição tenaz dos anarquistas, liderados por Bakunin, e em 1872, no Congresso de Haia, a associação foi praticamente dissolvida. Em compensação, Marx podia patrocinar a fundação, em 1875, do Partido Social-Democrático alemão, que foi, porém, logo depois, proibido. Não viveu bastante para assistir às vitórias eleitorais deste partido e de outros agrupamentos socialistas da Europa.

A sociedade pós-industrial – Para Domenico De Masi

Domenico De Masi nasceu em Rotello, na província de Campobasso, no sul da Itália, no dia 1 de fevereiro de de 1938. Residiu em 3 cidades italianas: Nápoles, Milão e Roma. Aos dezenove anos já escrevia para a revista Nord e Sud artigos de Sociologia Urbana e do Trabalho. Aos vinte e dois anos lecionava na Universidade de Nápoles. Mais recentemente assumiu o posto de professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza de Roma, além de ser diretor da S3 Studium, escola de especialização em ciências organizacionais que fundou. Escreveu diversos livros, alguns deles tidos como revolucionários, entre eles se destacam: “Desenvolvimento Sem Trabalho”, “A Emoção e a Regra”, “O Ócio Criativo” e “O Futuro do Trabalho”. No seu livro “O Ócio criativo”

Domenico De Masi

Este livro-revista (assim define o próprio autor) permitiu ao De Masi explicar de forma completa e orgânica o seu pensamento sobre o trabalho, o tempo livre e a evolução da nossa sociedade. Nele, o autor elabora de forma acessível os temas da sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da globalização, da feminilização, do declínio das ideologias tradicionais, dos sujeitos sociais emergentes, da criatividade e do tempo livre.

O Ócio Criativo

O pano de fundo desta obra é uma profunda insatisfação que o autor tem com o modelo social elaborado pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, que é centrado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. A este, De Masi contrapõe um novo modelo atento não só a uma produção eficiente, mas também a uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder.

Ócio Criativo

O autor defende que a confiança nas novas tecnologias nos oferecerá maior ócio e que a esperança nas novas biologias nos concederão maior longevidade.Prevê que em médio prazo o tempo de trabalho será reduzido e conduzido, na sua maior parte, pelo tele-trabalho, ou seja, realizado de casa, onde a tendência é aumentar o tempo livre.

É possível concluir que o autor em sua obra “O ÓCIO CRIATIVO” mostra o que pode vir a ser a sociedade pós-industrial, tendo uma distribuição equânime da riqueza, do trabalho, do saber e do poder. Insatisfeito com o modelo social centrado na idolatria do trabalho, ele propõe uma maior interação entre o trabalho, o tempo livre e o estudo, onde os indivíduos são educados a privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas e a convivência.

Ócio criativo

Segundo o autor, O ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também se elevar para arte, para a criatividade e para a liberdade. É no tempo livre que passamos a maior parte de nossos dias e é nele que devemos concentrar nossas potencialidades?  De Masi compara ao mesmo tempo em que sugere uma semelhança na ética do trabalho com a ética do ócio.Longe de ser anacrônica, a teoria do autor já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas.

Ócio Necessário.

Militantes Presentes!

ABRIL DE NOVO SEMPRE COM A FORÇA DO POVO!

O regime salazarista representou um período de extrema repressão política em Portugal. Inspirado nos ditames dos regimes totalitaristas italiano e alemão, essa ditadura dominou o cenário político português por mais de quatro décadas. O governo, instituído por Antonio de Oliveira Salazar, sofreu um forte movimento de oposição com a sua morte em 1968. Salazar foi substituído por Marcelo Caetano, que tomou as primeiras medias em favor do fim do governo ditatorial.

Sob regime ditatorial, o governo português imprimiu forte resistência contra os movimentos de independência que eclodiram em suas colônias africanas. É valido lembrar que, após a Segunda Guerra Mundial, diversas colônias do mundo inteiro obtiveram sua independência depois que as grandes potências lutaram contra a opressão nazista. Era possível que nações que defendiam a liberdade na Europa mantivessem seu domínio sobre colônias espalhadas na Ásia e na África.

Revolução dos Cravos!

Ao longo dos anos de 1960, tropas portuguesas foram enviadas para conterem revoltas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Na década seguinte, a crise econômica e os desgastes com os conflitos coloniais deram condições para a organização de um movimento golpista no interior das Forças Armadas lusitanas. No dia 25 de abril de 1974, oficias de média patente conseguiram organizar a derrubada de Marcelo Caetano, sucessor de Antonio Salazar.

 

Revolução dos Cravos

A vitória dos oficias rebeldes foi comemorada por toda população portuguesa que, em sinal de apoio, distribuiu cravos aos soldados participantes da revolução. Por causa dessa manifestação, o fim da ditadura portuguesa ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. O novo presidente António de Spínola aboliu a polícia política de salazarista e legalizou o sistema político pluripartidário. Nesse momento, as esquerdas do país se organizaram para tomar o poder.

 

Revoluçao dos Cravos

Políticos e militares de esquerda tomaram o poder por meio do chamado Movimento das Forças Armadas (MFA). O governo foi dividido entre os oficiais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Entre outras ações, o novo governo empreendeu a estatização dos bancos e indústrias. Em 1975, o Partido Socialista ganhou maioria na nova Assembléia Constituinte. Um novo golpe militar, agora de extrema-esquerda, tentou refrear a ascensão dos socialistas, mas não obteve sucesso.

Grândola  Vila  Morena

Esse último episódio, que encerrou o processo revolucionário, foi seguido pela aprovação da Constituição de 1976. Nas eleições daquele ano, o general Antônio Ramalho Eanes, que conteve os revolucionários de esquerda, venceu as eleições presidenciais. Aos poucos, medidas econômicas de caráter liberal e instrumentos que garantiam as liberdades individuais foram sendo instituídas pelos governos seguintes.  Por Rainer Sousa

PORTUGAL HOJE

PORTUGAL HOJE DESEMPREGO

POBREZA EM PORTUGAL

Inconfidência Mineira – Outro lado

BRASIL COLONIAL

Trago comigo um pouco do  estudo de, Júnia Ferreira Furtado para acrescentar nosso olhar sobre o contexto da Inconfidência Mineira.

O OUTRO LADO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA: Pacto Colonial e Elites Locais* Júnia Ferreira Furtado

A Inconfidência Mineira é momento privilegiado para o estudo das relações que se teceram entre Portugal e Brasil, durante o período colonial. Tradicionalmente, este movimento é interpretado como resultante do aumento das tensões inerentes ao sistema colonial. As Metrópoles, para garantir sua acumulação, tinham que exercer um controle absoluto e despótico sobre as colônias, negando-lhes a possibilidade de desenvolvimento e acumulação interna. Isto era assegurado pelo Pacto Colonial, vértice da política mercantilista.Tal era a característica que a colonização da época moderna tomou em áreas metalíferas, ou produtoras de especiarias, denominadas “Colônias de Exploração”.

Em oposição, as Colônias em áreas temperadas, sem interesse comercial para suas Metrópoles, foram designadas “de  Povoamento”, caso do norte das Treze Colônias. Como acentua Fernando Novais,1 o exercício do exclusivo metropolitano colocava em pontos opostos e inconciliáveis a Coroa e a burguesia metropolitana de um lado, contra a população mineira em geral, tendo nas Minas esta oposição atingido seu máximo. Para efetivar a exploração aurífera, de grande interesse para a política mercantilista, que tinha no metalismo um dos seus pilares de sustentação, era necessário exercer um severo controle sobre a vida social da Capitania, provocando situações de exceção.

Pedro Américo. A mais importante das reuniões dos conjurados.

Ao efetivar sua exploração, a Metrópole impedia que a classe dominante colonial pudesse usufruir das riquezas locais, que eram drenadas para a burguesia mercantil metropolitana. Um conflito latente se estabelecia entre as duas classes, intermediado pela Coroa que, se por um lado buscava a transferência das riquezas para dentro dos limites da nação, por outro lado não queria o aumento das contradições a um ponto que colocasse em risco a situação colonial. Neste sentido, a Inconfidência Mineira representaria o ponto máximo deste conflito, quando a camada dominante das Minas não mais aceitou a dominação exercida pela Metrópole e buscou romper o Pacto Colonial.

O caráter nativista do movimento, salientado pela historiografia, constituiu o marco do nascimento do espírito nacional, resultado da dicotomia Colônia/Metrópole. No entanto, para compreender a Inconfidência Mineira faz-se necessário analisar uma conjuntura mais ampla, o que significa reavaliar as relações que se estabeleceram, de um lado, entre a Metrópole e a Colônia e, de outro, entre o aparelho estatal que se montou nas Minas e a população local. O historiador, ao voltar sua atenção para a análise da intricada teia de relações que se estabeleceram entre os dois apêndices do sistema colonial, amplia seu foco de análise, o que permite uma compreensão mais global do processo. * Este artigo foi vencedor do Prêmio Assis Chateaubriand, concedido pelos Diários Associados, em Belo Horizonte, no ano de 1992, em Comemoração do Bicentenário da morte de Tiradentes. Foi publicado em LPH: Revista de História, UFOP, n. 4, p.70-91, 1993/1994. 1 NOVAIS, F. 1986.[…]

CONSIDERAÇÕS FINAIS

A Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica entre a camada dominante colonial e o Estado metropolitano. A camada dominante mostrava até que pontoela toleraria a interferência da Coroa à suas possibilidades de acumulação. Mello e Castro, que a princípio desejou uma apuração exemplar, logo percebeu que isto provocaria uma situação de instabilidade tão grande, que punha em risco a própria dominação metropolitana. A Inconfidência atrasou seus planos de uma reforma de fundo, que afastasse a plutocracia local dos cargos administrativos e fazendários que há muito ocupavam. Isto pode ser atestado por outras tentativas de reformas fiscais, que serão tentadas mais tarde.

Mello e Castro acabou percebendo que a estratégia inicial de Barbacena de resolver a questão com menos alarde possível era a mais acertada para a ocasião. Uma punição muito severa e eficaz romperia o frágil equilíbrio que sempre se estabelecera entre os dois lados do Sistema. A elite colonial (pelo menos a parte mais confiável dela) continuaria usufruindo de seus cargos, os Inconfidentes seriam degredados e aos poucos reintroduzidos nas benesses do Estado nas Colônias africanas. Os réus eclesiásticos foram transferidos para Lisboa. A maioria dos bens seqüestrados foi restituída a seus donos, como foi o caso de Rolim, ou a seus herdeiros.

Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica entre a camada dominante colonial e o Estado metropolitano.

A pena capital foi aplicada a um único caso: Tiradentes. Exatamente aquele que  provinha das camadas mais baixas da sociedade e que parece ter sido apenas um divulgador das  idéias, apesar de uma historiografia republicana ter tentado alçá-lo a uma posição de destaque. A repressão então realizada foi mais um espetáculo e a ordem colonial voltou à sua   normalidade. A Coroa consentia que parte das riquezas fosse acumulada por uma elite local e em  troca esta aceitava a situação colonial. Os interesses públicos e privados voltavam a se  consubstanciar num Estado personalista e que a tudo e todos provia. A ameaça de uma ruptura à ordem estava descartada. O Pacto Colonial sempre escondeu na verdade um beneplácito entre o Estado Metropolitano e a plutocracia colonial, abrindo espaços para que toda a população local se rearranjasse em torno deste sistema e garantisse a sua sobrevivência. Este beneplácito significava, como tinha assegurado até então, a perpetuação do sistema Colonial.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA E A LUTA PELA INDEPENDÊNCIA

No decorrer da historia do domínio português sobre o Brasil foram muitas as conspirações, motins, revoltas e rebeliões em praticamente todos os pontos do território colonial. Mas o primeiro movimento a realmente manifestar com clareza suas intenções de romper com os laços do colonialismo ocorreu em Vila Rica, na capitania das Minas Gerais, entre 1788 e 1789: Inconfidência Mineira. Ao contrário dos movimentos anteriores, que muitas vezes não passaram de reivindicações mais restritas, a Chama Inconfidência Mineira pretendia, sobre tudo, a independência do Brasil em relação a Portugal.

É importante esclarecer que o termo inconfidência significa “quebra de fidelidade” (Melhoramentos, 2006), ou seja, traição à confiança da coroa Portuguesa.A população de Minas gerais em 1776, excluindo os índios, era superior a 300 mil habitantes, o que representava cerca de 20% da população total da América portuguesa e constituía a maior aglomeração da Colônia. Mais de 50% da população era negra, integrada por africanos importados ou escravos nascidos no Brasil.

Inconfidência Mineira

A cidade fervilhava de gente, cansados dos impostos cobrados pela Coroa portuguesa e da falta de liberdade, crescia o número de proprietários de terras, padres, advogados e até funcionários do governo que conspiravam para libertar o Brasil do domínio de Portugal. Era inevitável que a primeira fagulha de incêndio fosse declarada, pois tudo concorria para tal.Vários foram os motivos que determinaram o início do movimento, reunindo proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, numa conspiração que pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre no Brasil.

O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, entendido principalmente pelos déficits crescentes frente à Inglaterra, levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio Estado, influenciado pelo avanço das ideais iluministas.

A cidade fervilhava de gente, cansados dos impostos cobrados pela Coroa portuguesa.

Como a produção do ouro continuava a diminuir, tornou-se comum o não pagamento completo do tributo e a cada ano a dívida tendeu a aumentar e a Coroa resolveu, em 1763, instituir a Derrama. Não era um novo imposto, mas a cobrança da diferença em relação a aquilo que deveria ter sido pago. Essa cobrança era arbitrária e executada com extrema violência pelas autoridades portuguesas no Brasil, gerando não apenas um problema financeiro, mas o aumento da revolta contra a situação de dominação.

Soma-se a isso as dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente.Ávido de ouro, Portugal exigia grandes recursos humanos de sua colônia, para que fossem aplicados exclusivamente na mineração, proibindo o estabelecimento de engenho na região das Minas e punindo severamente o contrabando e ouro e de pedras preciosas. Com isso, produzia o descontentamento dos mineiros e preparava inconscientemente uma conjuração.

No governo de Maria I tomou várias medidas que estimulavam as rivalidades já existentes no Brasil entre Colônia e Metrópole. O maior motivo de descontentamento do povo era a cobrança de impostos atrasados sobre a produção de ouro – chamada de derrama. A ameaça da cobrança assustava proprietários de terras e mineradores. Muitos iriam à falência ao pagar os impostos em atraso. Por isso, conspiravam-se, e muito. O domínio português estrangulava o dia-a-dia dos brasileiros.

Iluminismo no Brasil

No plano internacional de mudanças, importantes coisas estavam ocorrendo, novas ideias aplicadas na pratica demonstravam que era possível a libertação da dominação colonial, e nas colônias da América muita gente sonhava em extirpar em sua terra a violência, a opressão, a injustiça. Num clima de grande descontentamento com a Coroa portuguesa, um grupo de intelectuais, padres, donos de terras e mineradores de Minas Gerais, decidiu que era a hora de lutar para livrar o Brasil de Portugal. Para os historiadores atuais, o que eles realizaram foi uma conjuração, uma tentativa de conspiração em defesa do Brasil. Mas, como foram considerados traidores de Portugal, a sua luta acabou passando para a história com o nome de Inconfidência Mineira.

Tiradentes foi o grande agitador da conturbada revolução. Um decidido e corajoso propagandista, numa época em que os meios de comunicação eram precariíssimos. Lutando para desencadear a revolta, Tiradentes apresentou-se como um revolucionário radical, capaz de correr qualquer risco para enfrentar o sistema radical repressivo no qual vivia. Não tinha nenhum poder, visto que sua riqueza era inexistente, não era nenhum poeta, ou grande teórico, nem conhecia profundamente as obras clássicas de sua época, mas era possivelmente o único, dentre todos os conspiradores da Inconfidência Mineira, que possuía as qualidades de grande agitador, as condições para ser um líder popular expressivo, capaz de levantar o povo e levá-lo à insurreição (BARROS, 1989, p. 5). 

Nas palavras de Julio Jose Chiavenato, Tiradentes é um personagem ímpar na história brasileira:  É um personagem que cresce na desgraça, quando já não pode ter nenhum peso revolucionário. É verdade que era indiscreto, algo irresponsável e de vida até certo ponto irregular. Mas, por ser o mais frágil dentre os inconfidentes, essas ‘más qualidades’ aparecem nele como se fossem piores do que a corrupção e a venalidade dos outros conspiradores (1939, p. 82). É notória a clareza dos historiadores quanto o fato de ser Tiradentes um homem destemido e revolucionário frente ao sistema repressivo no qual vivia. Descreve Maria Efigênia e Lage de Resende: Não era um homem culto, possuidor de conhecimentos teóricos sobre o pensamento político da época. No entanto, sua curiosidade intelectual e interesse em encontrar soluções praticas e rápidas para diversas situações (…)

A fala de Tiradentes, recolhidas em seu depoimento e nos demais réus e testemunhas, revela a presença de um revolucionário radical, destemido, frente ao sistema repressivo do qual vivia, capaz de levar à frente planos revolucionários, correndo altos riscos (1983, p.53). Tiradentes sempre negou a existência de um movimento de conspiração, porém, após vários depoimentos que o incriminava, na Quarta audiência, no início de 1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição de líder. A devassa promoveu a acusação de 34 pessoas, que tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos acusados condenados à morte.

Iluminismo no Brasil

Dos condenados, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião. No dia-a-dia Tiradentes provou possuir certa consciência política da opressão da Metrópole portuguesa sobre a Colônia e capacidade de expressar na ação uma pratica revolucionária. Não foi por acaso que, com o fracasso do movimento, ele tenha sofrido o pior castigo, o enforcamento e o esquartejamento. Tiradentes acreditava ter chegado a hora de nosso país tornar-se independente.

Após a morte, a figura de Tiradentes ficou esquecida, ou melhor, adormecida na memória do país. Era retratado como louco, traidor ou como um homem sem qualquer importância. Não se aceitava que um simples alferes do Exercito tivesse comandado o movimento de libertação, enquanto havia no grupo homens letrados, intelectuais e ricos fazendeiros. Mas Tiradentes e seu grupo mostraram que era possível sonhar com uma pátria brasileira. Depois deles, outras revoltas surgiram, os poderes da Coroa Portuguesa foi posto à prova e se espalhou à ideia do direito à independência.

A INFLUÊNCIA DO ILUMINISMO NA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

No plano internacional de mudanças, importantes coisas estavam ocorrendo, novas ideias aplicadas na pratica demonstravam que era possível a libertação da dominação colonial, e nas colônias da América muita gente sonhava em extirpar em sua terra a violência, a opressão, a injustiça. Tal foi à influência do iluminismo sobre o mundo, que serviu de base teórica e motivacional para os adeptos ao movimento mineiro, que culminou historicamente a chamada Inconfidência Mineira ocorrida em 1789.

O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Immanuel Kant , um dos mais conhecidos expoentes do pensamento iluminista, num texto escrito precisamente como resposta à questão O que é o Iluminismo?, descreveu de maneira a lapidar a mencionada atitude:

O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutela que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutela quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo (KANT, 1784 apud http://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo#cite_note-4. Acesso em 21/04/09)

O ideal Iluminista teve grande repercussão na América; primeiro influenciando a Independência dos EUA e posteriormente as colônias ibéricas. É fato histórico que ao longo do século XVIII, tornou-se comum à elite colonial, enviar seus filhos para estudar na Europa, onde tomaram contato com as idéias que clamavam por direitos, liberdade e igualdade.  A. Souto Maiorescreve:  Os filhos de famílias importantes , em virtude da inexistência de escolas superiores na sua terra, estudavam em universidades européias, onde recebiam influencias dos movimentos antiabsolutistas que sacudiam a Europa (1970, p. 217).

Filosofos do Iluminismo

De volta a colônia, esses jovens traziam não só os ideais de Locke, Montesquieu e Rousseau , mas uma percepção mais acabada em relação à crise do Antigo Regime, representada pela decadência do absolutismo e pelas mudanças que se processavam em várias nações, mesmo que ainda controladas por monarcas despóticos. A Europa estava servindo de celereiros para os estudantes brasileiros, que não só aprendiam sobre a teoria iluminista, como também sentiam-se fortemente motivados a crescer em um país mais justo e integro.

Em Coimbra e Montpellier estudavam os mineiros José Álvares Maciel, Domingos Vidal e Barbosa e o carioca José Joaquim da Maia. É fato que esse carioca, Maia, chegou entusiasmado ao Brasil devido a independência norte-americana. Através de cartas dirigidas a Jefferson, então Embaixador dos Estados Unidos na França, pediu-lhe apoio para o movimento de independência do Brasil. Historiadores relatam que chegou a entrevistar-se em Nîmes com o político, que prometeu-lhe apoio morale simpatia.

Porém, Maia faleceu em Lisboa, quando se preparava para voltar o Brasil. Em uma das cartas mais famosas de Maia a Thomas Jefferson, o estudante brasileiro escreveu:Sou brasileiro e sabes que minha desgraçada pátria geme em um espantoso cativeiro, que se torna cada dia menos suportável, desde a época de vossa gloriosa independência, pois que os bárbaros portugueses nada pouparam para nos tomar desgraçados, com o temor que seguíssemos os vossos passos; … estamos dispostos a seguir o marcante exemplo que acabais de nos dar… quebrar nossas cadeias e fazer reviver nossa liberdade que está completamente morta e oprimida pela força, que é o único direito que os europeus possuem sobre a América… Isto posto, senhor, é a vossa nação que acreditamos ser a mais indicada para nos dar socorro, não só porque ela nos deu o exemplo, mas também porque a natureza nos fez habitantes do mesmo continente e, assim, de alguma maneira, compatriotas http://www.historianet.com.br

A literatura do século era liberal e revolucionária, e embora os objetos fossem de severa censura por parte das autoridades portuguesas, um ou outro exemplar contrabandeado da Europa chegava ao Brasil.Na França, por sua vez, florescia o pensamento iluminista que logo alimentaria a Revolução Francesa de 1789, contemporânea da Inconfidência Mineira. Essa integração luso-brasileira às grandes correntes da história ocidental foi chamada de “Internacionalização do Brasil” (ARRUDA, PILETTI, 1997, p.131). Dois fatos notáveis se verificavam: a) Tomada de Consciência. Um grupos de indivíduos que, sob a influência da Revolução Americana, colocou o foco de sua critica sobre todas as peças do antigo regime: colonialismo, absolutismo, relações internacionais, religião e cultura. b) Opinião Pública. Pela primeira vez na história da colônia, começava a se constituir uma opinião publica capaz de assumir criticas em relação ao estado colonial.

Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica

Essa opinião publica era formada por um circulo relativamente amplo de pessoas escolarizadas da elite e das classes sociais médias. Eram estudantes, profissionais liberais, fazendeiros letrados, militares, portas, artistas, intectuais e religiosos. Os inconfidentes acreditavam ser possível atrair o apoio dessa opinião publica em gestação e, ao mesmo tempo, mobilizar as classes menos favorecidas para destruir o sistema colonial e instaurar uma Republica independente.Uma das mais importantes e influenciadoras ao movimento da inconfidência foi a Independência das 13 Colônias inglesas na América do Norte.

Apoiadas nas ideias iluministas, não só romperam com a metrópole, mas criaram uma nação soberana, republicana e federativa. A vitória dos colonos norte americanos frente à Inglaterra serviu de exemplo e estímulo a outros movimentos emancipacionistas na América ibérica, incluindo o Brasil. Um grande dissipador destas ideias iluministas aos mineiros foi o cônego Luís Vieira da Silva e Joaquim Álvares Maciel, que apareceram como conhecedores e divulgadores da historia de libertação das 13 Colônias inglesas. Maria Efigênia e Lage de Resende (1983) relata que ambos contagiavam a sociedade através das conversas “apaixonantes” sobre os episódios do movimento de libertação, demonstrando satisfação pela vitória dos colonos ingleses. Além dessas conversas, eram possuidores de uma vasta biblioteca sobre os pensadores liberais influenciadores do momento.

Mesmo não sendo um teórico destacado, é historiado que o alferes Tiradentes não se limitava ao contato com intelectuais de sua época, através de conversação e discussão. Tiradentes andou pelas livrarias do Rio de Janeiro, em busca de obras que tratassem da independência das 13 Colônias inglesas, procurava dicionários de inglês e insistia com os conhecedores do idioma, para que traduzissem trechos dos livros que lhe interessavam.Contudo, é claro que a ideologia do movimento é liberal, absorvida, sobretudo, através da leitura dos autores franceses e transferidas para uma realidade colonial. As ideias liberais foram assimiladas, sempre girando em torno de uma ideia chave: independência, ou seja, uma Republica de governo popular e livre.

Bandeira de Mnas Gerais

Conclusão

Infelizmente poucos brasileiros têm conhecimento, sobretudo, por não ler a nossa Constituição Brasileira. O Brasil como um Estado Republicano e Democrático de Direito, possui uma Constituição que foi promulgada no ano de 1988, baseada nos princípios Iluminista. Tal princípio está explícito no art. 5º, como também refletido no Direito Civil e Penal Brasileiro, ressaltando a Igualdade, Liberdade, Fraternidade, Propriedade, Segurança, e à Vida, princípios esses, inerentes a pessoa humana e dos mesmos princípios da Revolução Francesa.

Está muito evidente também na divisão dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. De fato, no Estado Democrático, cabe aos poderes criar políticas em benefício da coletividade, como também fazer cumprir o direito individual, não esquecendo que em uma democracia o poder emana do povo. Só depende de nós cidadãos brasileiros fazermos valer tais princípios constitucionais! Isto só será possível reivindicando, observando e exigindo o cumprimento de nossos direitos, executando assim nossos deveres como cidadãos comprometidos com as mudanças deste país.

A Inconfidência Mineira transformou-se num símbolo de resistência para os mineiros. A exemplo disso: a Guerra dos Farrapos para os gaúchos; a Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. Fato que a Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada como Bandeira oficial do Estado de Minas Gerais. A Inconfidência foi fracassada, mas podemos considerá-la como um exemplo da luta dos brasileiros pela independência, liberdade e contra um governo injusto, que tratava sua colônia com violência, autoritarismo, ganância e injustiça.

“Cada conquista do povo brasileiro é um reflexo do sonho dos Inconfidentes”

“Cada conquista do povo brasileiro é um reflexo do sonho dos Inconfidentes”

Uma homenagem aos inconfidentes e a Tiradentes, que lutaram para construir uma nação mais próspera e justa. Com essas palavras, a presidenta Dilma Rousseff sintetizou o espírito do 21 de Abril, “uma das datas mais significativas da história das lutas pela emancipação política do Brasil”. Nesta quinta-feira (21/4), em Ouro Preto (MG), após ser condecorada com o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência, a presidenta Dilma relembrou a luta de Tiradentes e dos inconfidentes que sacrificaram a própria vida em prol do sonho da democracia e da liberdade.

Em 21 de abril de 1792, há 219 anos, Joaquim José da Silva Xavier, o nosso Tiradentes, foi executado por ter sonhado com a independência do Brasil. O regime colonial quis punir de maneira exemplar, na pessoa de Tiradentes, a audácia dessa luta e desse sonho. Ao prendê-lo, ao executá-lo, quis extinguir para sempre o ideal mineiro e brasileiro de emancipação. Foi inútil. A revolta dos inconfidentes, que eles sufocaram, lançou para sempre a semente de liberdade no coração dos brasileiros

Para Dilma Rousseff, o ideal lançado por eles se traduz na tarefa de construção de um Brasil soberano e democrático, a qual todos os brasileiros devem e se dedicam cotidianamente. Entretanto, lembrou a presidenta, tal tarefa ainda não está inteiramente concluída. Ao citar a famosa frase de Tancredo Neves, “Enquanto houver neste país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa”, a presidenta frisou que o Brasil não será próspero efetivamente enquanto existir miséria.

“Por razões evidentes, a miséria inibe o exercício pleno da cidadania. O resgate da pobreza equivale a uma verdadeira emancipação política”, afirmou.

Ela lembrou que o Brasil, atualmente, cresce, gera empregos, distribui renda e tira milhões de pessoas da pobreza extrema; milhões de brasileiros e brasileiros que passam a integrar o “contingente dos cidadãos plenos, daqueles que têm acesso desimpedido aos bens de consumo; à saúde, à educação e à cultura”, e que isso se reflete num novo grau de amadurecimento da consciência cívica, em um ambiente de crescente liberdade. Neste caminho – continuou – entrelaçam-se o desenvolvimento e a inclusão.

É em nome deles, em nome de Tiradentes, que vamos continuar construindo uma nação cada vez mais próspera e cada vez mais justa. Em nome deles e do sopro secular de liberdade que emana aqui de Minas e de Ouro Preto que nós temos que saber responder à indagação de Cecília Meireles diante do sacrifício de Tiradentes: ‘De que alma é que vai ser feita essa humanidade nova?’”.

A resposta a indagação de Cecília Meireles, a própria presidenta fez questão de dar: “Da alma generosa de mineiros livres, de brasileiros livres, solidários e prósperos, essa é a resposta”, concluiu Dilma Rousseff.

Bandeira de Minas Gerais

A Bandeira de Minas Gerais

Teve a sua origem na Inconfidência Mineira A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.Na imagem vemos a bandeira da Inconfidência Mineira com a frase em latim “Libertas quae sera tamen” que em português significa “liberdade ainda que tardia”. A bandeira dos inconfidentes é a atual bandeira do estado de Minas Gerais. […] Embora a morte de Tiradentes tenha horrizado a população da capitania na época, a Inconfidência Mineira ficou quase esquecida durante todo o período imperial brasileiro (1822-1889).


Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes fica oficialmente como  herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

Joaquiam José da Silva Xavier - o Tiradentes

Na imagem vemos a bandeira da Inconfidência Mineira com a frase em latim “Libertas quae sera tamen” que em português significa “liberdade ainda que tardia”. A bandeira dos inconfidentes é a atual bandeira do estado de Minas Gerais. […] Embora a morte de Tiradentes tenha horrizado a população da capitania na época, a Inconfidência Mineira ficou quase esquecida durante todo o período imperial brasileiro (1822-1889).

Tiradentes e a Inconfidência foram recuperados para a História do Brasil com o início da campanha republicana, a partir de 1870. Com a proclamação da República, em 1889, apagavam-se os últimos vestígios da presença portuguesa no governo do Brasil. E Tiradentes, que era republicano, foi sendo elevado à condição de herói. Segundo os defensores do novo regime, o alferes devia ser apresentado como o mártir que morrera para defender os interesses do Brasil contra a opressão de Portugal.

Num livro de 1927, o historiador José Lúcio dos Santos trata de Tiradentes como um homem inteligente, ativo, enérgico, cheio de iniciativa. Esse Tiradentes estava muito distante da imagem de desequilibrado, exaltado, fanático e louco atribuída ao alferes pelas autoridades portuguesas e mantida no século XIX.

Fragmentos de um herói despedaçado

O quadro Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo (1843-1905), foi durante quatro anos o “interlocutor” da historiadora Maraliz de Castro Vieira Christo. A pesquisadora manteve, segundo suas palavras, um exercício de olhar a partir da obra, empreendendo um “diálogo particularizado” com o quadro…Os sentidos, no caso, não são figurados. Essa convivência rendeu a tese “Pintura, história e heróis no século XIX: Pedro Américo e Tiradentes Esquartejado”, vencedora do Grande Prêmio Capes de Teses “Florestan Fernandes”.

O orientador do trabalho, Jorge Coli, docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, onde a tese foi defendida, classificou a pesquisa de “excepcional”, opinião que, de resto, referenda o fato de a tese ter sido escolhida a melhor do ano na grande área de Ciências Humanas. O contato de Maraliz com a obra do pintor paraibano introduz na história da arte brasileira vários elementos inéditos…A historiadora, que é docente da Universidade Federal de Juiz de Fora, observa que, no Brasil, há uma certa dificuldade em se promover esse exercício do olhar pela falta de tradição…

Maraliz de Castro Vieira Christo

A escolha da obra de Pedro Américo não foi aleatória. Na opinião de Maraliz, o quadro é um caso único na história da arte brasileira e ocidental por privilegiar a visão do esquartejamento. Ao optar por isso, observa a autora da tese, Pedro Américo ignorou parâmetros consolidados da história da arte e, principalmente, da pintura histórica, entre os quais a noção do belo ideal do corpo. “A visão da violência sobre o corpo não é própria da pintura histórica. O artista foi muito corajoso, sobretudo se pensarmos que nesse momento Tiradentes se afirmava como um herói nacional”, afirma Maraliz…

Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo (1843-1905),

Ao mostrar o esquartejamento, Pedro Américo suprime o depois, enfatiza mais a agressão do sistema colonial que as virtudes do herói”, compara… A historiadora descobriu, por meio de um artigo de escrito por Pedro Américo para um jornal carioca, que Tiradentes Esquartejado integrava uma narrativa de cinco quadros sobre a Conjuração Mineira. Pedro Américo nomeia a série. A descoberta é uma grande contribuição para o entendimento da obra que está no centro da tese…

Líderes/Heróis Brasileiros

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A história nos mostra atos de heroísmo. Alguns pensam que o ato heroico representa dependência uns do outro. Há os que percebem como um ato louvável. Penso que  de uma certa maneira os lideres/heróis continuam sendo importantes. Mesmo na sociedade atual continuamos sentindo-nos sem autossuficiência, sem proteção dos grupos aos quais convivemos na sociedade. Muitos de nós atribuímos para outro a tarefa da proteção.

Corremos o risco de encontrarmos com heroísmo oportunista, quando alguém assume a liderança, com segundas intenções, há a possibilidade da dependência, o que pode contribuir para criação de gerações sem ação, sempre esperando que um herói resolva as questões necessárias para a melhoria de vida da sociedade como um todo, passando para o próximo o que ele mesmo poderia realizar.

Cobrando do outro resultado, o que é um drama, quando o outro decepciona o grupo que nele vê a figura do líder/herói. Normalmente vemos isso acontecer, quando os interesses do coletivo não são garantidos sendo atribuído, ao líder toda a responsabilidade do sucesso ou fracasso de algo. Pensar em uma educação critica e responsável, desde a pré-escola seria um caminho interessante, com a pretensão de todos serem responsáveis por si e pelo outro. Temos histórias de atos heroicos vitoriosos, nem sempre foi assim. Sabemos que os heróis/ lideres são necessários, como também sabemos que os atos heroicos de sucesso foram construídos com heróis/lideres em ações coletivas.

Joaquiam José da Silva Xavier - o Tiradentes

U m pouco de história… Inconfidência Mineira.

A partir da metade do século XVIII, a extração de ouro em Minas Gerais entrou em declínio. O governo português, no entanto, atribuiu a queda na produção ao provável contrabando e continuava exigindo pesados tributos dos mineradores. Em 1788, Visconde de Barbacena assumiu o governo de Vila Rica e, cumprindo ordens de Lisboa, colocou em prática a derrama – cobrança dos impostos atrasados.

Bandeira de Minas Gerais, que teve sua origem na Inconfidência Mineira. A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.

A par dos planos dos inconfidentes, o governador ordenou que Joaquim Silvério seguisse os passos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que na época estava no Rio de Janeiro, capital da Colônia. Tiradentes tentou fugir, mas acabou preso e assumiu sozinho a autoria dos planos. Condenado à forca, morreu no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Sua cabeça foi levada para Vila Rica e pendurada em praça pública. Começou, assim, a ser criado mais um mito nacional.

Joaquim José da Silva Xavier, O  Tiradentes

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes vira oficialmente herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

O Tiradentes. Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais. O nome da fazenda “Pombal” é uma ironia da história: O Marquês de Pombal foi arqui-inimigo de Dona Maria I contra a qual Tiradentes conspirou, e que comutou as penas dos inconfidentes.

Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes, um tanto depreciativa.

Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeada comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do “Caminho Novo”, estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro.

Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.

Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento de água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidensese a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil. Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.

Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado a forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.

No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.

O dia de sua execução, 21 de abril, é feriado nacional. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi renomeada em sua homenagem.

UBUNTU-LÍDERES-UBUNTU- AFRICANOS

UBUNTU

Nelson Mandela

Ubuntu é uma ética ou ideologia da África (de toda a África, em particular a palavra é de origem Bantu. É uma filosofia Africana que existe em vários países da África) que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras. A palavra vem das línguas dos povos Bantu; na África do Sul nas línguas Zulu e Xhosa. Ubuntu é tido como um conceito tradicional africano.

Uma tentativa de tradução para a Língua Portuguesa poderia ser “humanidade para com os outros”. Uma outra tradução poderia ser “a crença no compartilhamento que conecta toda a humanidade”e ainda “Sou o que sou pelo que nós somos”.

Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:

Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.

Princípios fundamentais da nova república da África do Sul

Ubuntu é visto como um dos princípios fundamentais da nova república da África do Sul (no Zimbabue por exemplo, Ubuntu tem sido usado como forma de resistência à opressão existente no país), e está intimamente ligado à idéia de uma Renascença Africana. Na esfera política, o conceito do Ubuntu é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária envolvida nessas decisões.

Louw (1998) sugere que o conceito do Ubuntu define um indivíduo em termos de seus relacionamentos com os outros, e enfatiza a importância como um conceito religioso, assentando na máxima Zulu umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) que aparentemente parece não ter conotação religiosa na sociedade ocidental. No contexto africano, isso sugere que o indivíduo se caracteriza pela humanidade com seus semelhantes e através da veneração aos seus ancestrais. Assim, aqueles que compartilham do princípio do Ubuntu no decorrer de suas vidas continuarão em união com os vivos após a sua morte.

UBUNTU

Bispo Tutu

Bispo Tutu perdoar faz bem à saude.

Bisto Tutu comissão da verdade

Treiler filme Invictos

Museu Sul Africano

Aparthit

Líderes e Heróis

O Líder para Bispo Tutu

Bispo Tutu

O QUE É SER LIDER…PARA BISPO TUTU

 

 

Desmond Mpilo Tutu é um bispo Anglicano sul-africano. Nascido em Klerksdorp, no Transvaal, a 7 de outubro de 1931. Estuda na Escola Normal de Joahannesburgo e, em 1954, na Universidade da África do Sul. Depois de trabalhar como professor secundário, ordena-se sacerdote anglicano em 1960. De 1967 a 1972, estuda teologia na Inglaterra.  Em 1975 é o primeiro negro a ser nomeado deão da catedral de Santa Maria, em Johannesburgo. Sagrado bispo, dirige a diocese de Lesoto de 1976 a 1978, ano em que se torna secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul.

 Sua proposta para a sociedade sul-africana inclui direitos civis iguais para todos; abolição das leis que limitam a circulação dos negros; um sistema educacional comum; e o fim das deportações forçadas de negros.  Sua firme posição anti-apartheid – a política oficial de segregação racial – lhe vale, em 1984, o Prêmio Nobel da Paz. Recebe o título de doutor honoris causa de importantes universidades dos Estados Unidos (EUA), do Reino Unido e da Alemanha. 

Em 1996 preside a Comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul após a extinção do apartheid. Tem poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados na vigência do regime.  Em 1997 divulga o relatório final da comissão, que acusa de violação dos direitos humanos tanto as autoridades do regime racista sul-africano como as organizações que lutavam contra o apartheid. Desmond Tutu nasceu numa época em que os negros tinham que carregar uma identificação especial e apresentá-la aos policiais brancos quando fossem requisitados. Em 1948, houve eleições na África do Sul, mas como somente os brancos puderam votar, o partido eleito era abertamente racista.

 Desmond estudou na Escola Normal de Johannesburgo e, em 1954, na Universidade da África do Sul. Ainda aos 24 anos escreveu ao Primeiro ministro de seu país sobre o apartheid, que chamou de “uma política diabólica”. Trabalhou como professor secundário e ordenou-se ministro anglicano em 1960.  De 1967 a 1972, estudou teologia na Inglaterra. Enquanto estava ausente, a situação na África do Sul piorou e os negros eram presos somente por usar banheiros, beber nas fontes ou ir à praia. Em 1968, um protesto calmo feito por estudantes negros transformou-se em tragédia quando a polícia reagiu com um violento ataque, com carros armados, cães e gases.

Em 1975, Desmond Tutu foi o primeiro negro a ser nomeado decano da Catedral de Santa Maria, em Johannesburgo, uma posição pública que o fazia ser ouvido. Sagrado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul.  Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos, abolição das leis que limitavam a circulação dos negros, um sistema educacional comum e o fim das deportações forçadas de negros.  Por sua firme posição contra a segregação racial ganhou, em 1984, o Prêmio Nobel da Paz. Na mesma época foi eleito arcebispo de Johannesburgo e depois, da Cidade do Cabo. Recebeu o título de doutor honoris causa de importantes universidades dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha.  

Em 1996, após a extinção do apartheid, presidiu a comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul, com poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados na vigência do regime.  No ano seguinte, divulgou o relatório final da Comissão, que acusava de violação dos direitos humanos tanto as autoridades do regime racista sul-africano como as organizações que lutavam contra o apartheid. 

A manifestação pacífica foi dispersada com tiros contra a multidão  O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – registrou em seu relatório anual sobre a discriminação racial no país que, para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. “Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”.  “O tratamento injusto de grupos étnicos não é só comum como é aceito passivamente. É inegável que este tipo de racismo cotidiano subsiste. Mas é escandaloso que ninguém o conteste”

 O líder     –         Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi

 

Mahatma Gandhi (Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948)

Líder do movimento de independência indiana nascido em Porbandar, estado de Gujarat, cujos princípios religiosos da não-violência e a crença na santidade de todos os seres vivos, seguidos com sucesso em suas atividades políticas, o consagraram mundialmente. O título dado Mahatma, que significa alma grande,expressou o respeito e a veneração do povo indiano por seu líder. Estudou no Samaldas College, em Bhavnagar, e direito na Universidade de Oxford, Inglaterra. Retornou à Índia (1891) e depois mudou-se para Natal, África do Sul, país com uma grande população de indianos, onde exerceu a advocacia (1893-1914) e deu início a sua luta localizada contra as injustiças e humilhações sofridas pelos indianos residentes.

Fundou uma seção do Partido do Congresso e estabeleceu os fundamentos da resistência pacífica, o satyagraha, baseada nos princípios da luta sem violência e no sofrimento como instrumento para resistir ao adversário. Voltou à Índia (1915), apoiou os britânicos durante a primeira guerra mundial, mas o massacre em Amritsar (1919), no estado do Punjab, onde soldados britânicos mataram cerca de 400 indianos, fez com que iniciasse sua luta pela independência do país (1920), o resultou em um período na prisão (1922-1924). Ao ser libertado teve que trabalhar intensamente na reunificação das comunidades e do Partido do Congresso extremamente divididos entre hindus e muçulmanos. Após a notória campanha da desobediência contra o imposto do sal (1930), aceitou uma trégua com o Reino Unido e concordou em participar da II Conferência da Mesa Redonda (1931), em Londres, na qual mais uma vez reivindicou a independência de seu país.

Voltando à Índia em dezembro (1931), reassumiu a campanha da desobediência e foi novamente preso e condenado. Neste período manteve fundamentais contatos políticos com Jawaharlal Nehru, outro dos grandes líderes da futura nação indiana. Em protesto contra a decisão do governo britânico de segregar as castas inferiores, os párias (1932) fez mais uma de suas notórias greves de fome. Deixando o Partido do Congresso (1934) concentrou-se num programa de organização da nação a partir da luta em favor dos pobres, que incluía o incentivo às indústrias regionais e a implantação de um sistema de educação voltado para as necessidades do povo.

Com a eclosão da segunda guerra mundial, voltou à militância ativa e pediu a retirada imediata dos britânicos (1942), o que resultou na prisão dos principais dirigentes do Partido do Congresso. Terminada a guerra (1945) deu-se início a uma nova etapa nas relações indo-britânicas que resultou com a formação de dois estados independentes (1947): a Índia, majoritariamente hindu, e o Paquistão, muçulmano. Foi assassinado por um fanático hinduísta, enquanto rezava em Delhi, e suas cinzas foram lançadas no rio Ganges.  Fonte: dec.ufcg.edu.br

População indígena no Brasil

Quantos são

Estima-se que existam hoje no mundo pelo menos 5 mil povos indígenas, somando mais de 350 milhões de pessoas (IWGIA, 2009). No Brasil, até meados dos anos 70, acreditava-se que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável.

Nos anos 80, verificou-se uma tendência de reversão da curva demográfica e, desde então, a população indígena no país tem crescido de forma constante, indicando uma retomada demográfica por parte da maioria desses povos, embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA , sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos.

Dos 238 povos listados 43 têm parte de sua população residindo em outro(s) país(es). Quando há informações demográficas a respeito, essas parcelas são contabilizadas e apresentadas separadamente, segundo a fonte da informação, e não contam na estimativa global para o Brasil.

Os mais de 230 povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 817.963 pessoas. Destas, 315.180 vivem em cidades e 502.783 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,42% da população total do país.

Onde estão

Os povos indígenas contemporâneos estão espalhados por todo o território brasileiro. Vários desses povos também habitam países vizinhos. No Brasil, a grande maioria das comunidades indígenas vive em terras coletivas,declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo. As chamadas Terras Indígenas (TIs) somam, hoje, 670.

Quem vive onde

Para saber em quais estados estão os diferentes grupos, pesquise abaixo:

Nos estados da Amazônia Legal brasileira a população de pessoas autodeclaradas indígenas, conforme o Censo IBGE 2010, é de cerca de 383.383, sendo 309.431 na área rural e 74.525 na área urbana (somando os estados Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e Maranhão – desconsiderando que apenas parte do Maranhão é Amazônia Legal, uma vez que os dados divulgados do Censo não possibilitam esse recorte apurado).

O reconhecimento das Terras Indígenas por parte do Estado (processo de demarcação) é um capítulo ainda não encerrado da história brasileira. Muitas delas estão demarcadas e contam com registros em cartórios, outras estão em fase de reconhecimento; há, também, áreas indígenas sem nenhuma regularização. Além disso, diversas TIs estão envolvidas em conflitos e polêmicas. http://pibmirim.socioambiental.org/      

Mapa do Brasil localização tribos

 Mapa do Brasil com a localização das tribos indígenas :

01 – Arara – 02 – Araweté -03 – Ashaninka -04 – Asurini – 05 – Bororo – 06 – Enawenê Nauê – 07 – Guarani – 08 – Juruna/Yudja – 09 – Kaapor – 10 – Kayapó

11 – Kalapalo – 12 – Karajá – 13 – Kaxinawá – 14 – Krahô – 15 – Mayoruna – 16 – Marubo – 17 – Matis – 18 – Matipu – 19 – Mehinako – 20 – Rikbaktsa – 21 – Suruí

22 – Tembé – 23 – Ticuna – 24 – Tiriyó – 25 – Waiana Apalaí – 26 – Waurá – 27 – Wai Wai – 28 – Waiãpi – 29 – Ye’kuana –


AIMORÉ

– Grupo não-tupi, também chamado de botocudo. Grandes corredores e guerreiros temíveis, foram os responsáveis pelo fracasso das capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo. Só foram vencidos no início do Século XX.

O nome “botocudo”, derrogatório e ofensivo, foi dado pelos portugueses a diversos povos histórica e geneticamente heterogêneos do grupo lingüístico macro-jê que habitavam o nordeste de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Em comum, tinham o hábito de usar discos de madeira no lábio inferior e nos lóbulos das orelhas para expandi-los de forma peculiar.

Povos Indígenas

AKUNTSU

– Nomes alternativos: Akunt’su

Classificação lingüística: Tupari

População: 6 (Funasa – 2007)

Local: Rondônia

Os últimos seis sobreviventes dos chamados Akuntsu vivem em duas pequenas malocas próximas uma da outra, nas matas do igarapé Omerê, afluente da margem esquerda do rio Corumbiara, no sudeste de Rondônia. A área constitui uma pequena reserva de mata outrora pertencente a uma fazenda particular interditada pela Funai no final dos anos 1980. Caracteriza-se por floresta equatorial de terra firme, razoável incidência de pequenos morros, poucas nascentes e, assim como as demais reservas de mata de Rondônia, encontra-se seriamente ameaçada por frentes agropastoris.

CURUMIM

ANAMBÉ

– Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 132 ( 2000)

Local: Pará

A língua Anambé é da família Tupi-Guarani. Nos anos 80, todos os Anambé com mais de 40 anos eram falantes da língua indígena e quase todos os que estavam na faixa de 20 a 30 anos a entendiam, mas usavam correntemente o português. Vivem no alto curso do rio Cairari, um afluente do Moju, que corre paralelo ao baixo rio Tocantins, pela sua margem direita. Estão na Terra Indígena Anambé, com 7.882 hectares, homologada e registrada, situada no município de Moju, PA.

Povos Indígenas

APIAKÁ

– Nomes alternativos: Apiacá

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 192 (Funasa – 2001)

Local: Amazonas, Mato Grosso, Pará

Os Apiaká vivem no norte do Estado de Mato Grosso. Encontram-se dispersos ao longo dos grandes cursos fluviais Arinos, Juruena e Teles Pires. Parte deles reside em cidades como Juara, Porto dos Gaúchos, Belém e Cuiabá. Tem-se notícia também da existência de um grupo arredio. A maior parte de sua população encontra-se aldeada na Terra Indígena Apiaká-Kayabí, cortada pelo rio dos Peixes. Os Apiaká vivem na margem direita do rio e os Kayabí, na margem esquerda. Os Apiaká eram um povo numeroso, constituindo uma aldeia de até 1.500 pessoas, além de outras também populosas.

Povos Indígenas

APINAYÉ

– Nomes alternativos: Apinajé, Apinagé

Classificação lingüística: Macro-Gê

População: 800 (1994 SIL)

Local: Tocantins, perto de Tocantinópolis, 6 aldeias

APURINÃ

– Nomes alternativos: Ipurinãn, Kangite, Popengare

Classificação lingüística: Arawak

População: 2,000 (1994 SIL)

Local: Amazonas, Acre; espalhados sobre 1600 kilômetros do Rio Purus, de Rio Branco até Manaus

POVOS ÌNDÍGENAS NO BRASIL

1 – ARARA

– Nomes alternativos: Ajujure

Classificação lingüística: Caribe

População: 195 (1994 SIL & ISA-98)

Local: Pará em 2 aldeias

Os Arara ficaram famosos por sua belicosidade e pelos troféus que capturavam dos corpos dos inimigos – cabeças para flautas, colares de dentes e escalpos de face. Mas há muito tempo também que sua facilidade de interação com o mundo exterior, e mesmo para a incorporação de estranhos ao mundo nativo chama atenção para outros aspectos de seu modo de vida. A superposição virtual entre a paixão guerreira e a disposição constante para o estabelecimento de relações solidárias e generosas parece ter sido uma marca de um mundo Arara que hoje cede o passo às relações de contato com o mundo dos brancos.

Povos Indígenas

As mulheres dessa tribo usam, como roupa, apenas uma espécie de cinto chamado uluri, feito de entrecasca de árvore. Se esse cinto se romper (por acaso), a mulher se sente desprotegida e nua. A presença deste cinto significa que a mulher não está sexualmente disponível, e a aproximação só acontece quando ela o retira. Alguns desses povos já estão extintos. Sua língua é a tupi. No ritual de transição entre a infância e a vida adulta, os meninos ficam reclusos na casa dos homens e têm que passar por sofrimentos físicos e dar provas de força. Embora não haja um espaço físico determinado, as meninas também têm que cumprir alguns rituais de passagem.

Povos Indígenas

2 – ARAWETÉ

– Nomes alternativos: Araueté

Classificação lingüística: Tupi-Guarani

População: 293 (em 2003)

Local: no Estado do Pará, próximo ao Igarapé Ipixuna, afluente do Xingu

Os Araweté são um povo tupi-guarani de caçadores e coletores da floresta de terra firme, que se deslocou há cerca de quarenta anos das cabeceiras do rio Bacajá, em direção ao rio Xingu, no Estado do Pará. O nome “Araweté”, inventado por um sertanista da Funai, não significa nada na língua do grupo. O único termo que poderia ser considerado uma auto-denominação é bïde, que significa “nós”, a “gente”, os “seres humanos”.

3 – ASHANINKA

– Nomes alternativos: Kampa

Classificação lingüística: Arawak

População: 869 (CPI/Acre – 2004)

Local: Acre (Breu, Amônia e Alto Envira)

Os Ashaninka têm uma longa história de luta, repelindo os invasores desde a época do Império Incaico até a economia extrativista da borracha do século XIX e, particularmente entre os habitantes do lado brasileiro da fronteira, combatendo a exploração madeireira desde 1980 até hoje. Povo orgulhoso de sua cultura, movido por um sentimento agudo de liberdade, prontos a morrer para defender seu território, os Ashaninka não são simples objetos da história ocidental. É admirável sua capacidade de conciliar costumes e valores tradicionais com idéias e práticas do mundo dos brancos, tais como aquelas ligadas à sustentabilidade socioambiental.

Povos Indígenas

Os ashaninkas são hoje, no Acre, a única tribo que possui tecelagem própria. Eles produzem cerca de 150 tipos de peças, como roupas e bolsas artesanais.

4 – ASURINÍ

– Nomes alternativos: Asuriní do Trocará, autodenominam-se Akuáwa, o que quer dizer “a gente, nós”

Classificação lingüística: Da família Tupi-Guarani

População: Em 2001, eram 303

Local: Terra Indígena Trocará, já demarcada e homologada, a 24 quilômetros ao norte da sede do Município de Tucuruí, no município de Baião, próxima à cidade de Tucuruí, margem esquerda do Rio Tocantins, no Tocantins (PA)

Atividade predominante : Coletam mel e açaí, para comercializar em pequena escala em Tucuruí. Criam algumas cabeças de gado, mas apreciam a carne de caça como : anta, veado, caititu, cotia, macaco entre outras.

 

 

Mapa do Brasil localização tribos

Curiosidade: A caça é uma atividade predominantemente masculina, porém, as mulheres também caçam.

Os Asuriní usam espingarda para caçar e anzóis na pesca, além de tarrafas e malhadeiras. Os Asuriní se autodenominam Akuáwa, que significa “ gente, nós” e habitam a Terra Indígena Trocará, com 21.722 hectares demarcados e homologados, localizados no município de Baião, em Tucuruí, no Pará. Pertencem à família lingüística Tupi-guarani, mas, atualmente, praticamente todos os Assuriní falam com fluência o português, principalmente jovens e crianças. No passado, formavam com o Povo Parakanã um grande grupo tupi e teriam como região de origem o Rio Xingu. Depois se deslocaram para leste ocupando as cabeceiras do Rio Pacajá e, mais tarde, as proximidades do Rio Trocará onde estão até hoje. Atualmente residem em uma única aldeia a cerca de três quilômetros da margem do Rio Tocantins. Gostam muito de jogar o futebol com os times da região.

Povos Indígenas

Rituais : Todos os anos realizam o cerimonial denominado Morohaitawa onde são formados novos xamãs. A preparação de um homem para o xamanismo começa quando ele é jovem participando das “festas do tabaco”. A atividade xamanística é intensa por isso todo homem assuriní é um pouco pajé. Eles consideram Mahira “nosso velho avô” como o criador dos serem humanos e responsável pela instauração da ordem na Terra, com poder de vida e morte sobre os humanos. Mahira também contribuiu para a Cultura transmitindo conhecimentos como cultivo da mandioca, confecção de flautas e músicas.

ATIKUM

– Nomes alternativos: Aticum

População: 5.852 (Funasa – 2006)

Local: Bahia, Pernambuco

A reserva Atikum, com uma área de 15.276 hectares e uma população de 3.582 índios, está localizada na Serra do Umã, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.

A presença dos indígenas na Serra do Umã data provavelmente do século XIX. Segundo documentos de 1801, esses índios, sob a denominação de Umãs juntamente com outras tribos, foram aldeados no local onde permaneceram até 1819, quando a aldeia foi abandonada após vários conflitos.

Em 1824, houve a dispersão de diversos grupos indígenas pelo sertão de Pernambuco, tendo os Umã se dirigido para região da Serra Negra.

 

 

Mapa do Brasil localização tribos

ATROARI

– Nomes alternativos: Atruahí, Atroaí, Atrowari, Atroahy, Ki’nya

Classificação lingüística: Caribe

População: 350 (1995 SIL)

Local: Nos rios Alalau e Camanau na fronteira entre o estado de Amazonas e o território de Roraima. Também nos rios Jatapu e Jauaperi

AVÁ-CANOEIRO

– Nomes alternativos: Canoeiro, Cara-Preta, Carijó

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 16 (Funasa – 2006)

Local: Goiás, Minas Gerais, Tocantins

Povo de língua da família Tupi-Guarani que vivia entre os rios Formoso e Javarés, em Goiás. Em 1973, um grupo foi contatado. Foram pegos “a laço” por uma equipe chefiada por Apoena Meireles, e transferidos para o Parque Indígena do Araguaia (Iha do Bananal) e colocados ao lado de seus maiores inimigos históricos, os Javaé.

Povos Indígenas

Parte da área indígena Avá-Canoeiro, identificada em 1994 com 38.000 ha, nos municípios de Minaçu e Cavalcante em Goiás, está sendo alagada pela hidrelétrica Serra da Mesa, no rio Maranhão.

AWÁ-GUAJÁ

– Nomes alternativos: Awá, Wazaizara (Tenetehara), Aiayé (Amanayé), Gwazá

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 283 (Funasa – 2005)

Local: No Estado do Maranhão, habitam a Terra Indígena Awá, no Município de Carutapera; Pará

Atividade predominante : praticam a agricultura itinerante, sendo a caça e a pesca, as formas mais importantes de sobrevivência. É comum se deslocarem para áreas distantes, denominados como retiros de caça. Cultivam mandioca, arroz, milho, batata doce, cará, banana, melão, melancia, feijão, cacau, laranja, maracujá. O uso do babaçu é freqüente principalmente em tempos de penúria, quando usam o fruto para complementar a dieta.

Mapa do Brasil localização tribos

As origens desse povo são obscuras, mas acredita-se que os Guajá sejam originários dos rios Gurupi, Guamá e Capim no Estado de Tocantins. Provavelmente formavam junto aos Ka´apor, Tembé e Guajajara (Tenetehara) um grupo maior da família lingüística tupi-guarani naquela região. Os que vivem na pré-Amazonia brasileira constituem um dos últimos povos caçadores e coletores no Brasil. Além dos aldeados pela Funai, existe um certo número vivendo na floresta sem contato com a sociedade que não deve passar de 30 pessoas. Os primeiros contatos com o povo Guajá aconteceram em 1973. Até então, acredita-se que essa etnia tinha uma vida nômade subsistindo da caça de animais silvestres e da coleta de produtos florestais.

Rituais : Na esfera religiosa, há participação complementar entre o homem e a mulher. É o que acontece no cerimonial de “viagem para o céu” (ohó iwa-beh) praticado durante o período da estiagem nas noites de lua cheia. Com a ajuda das mulheres, os homens são adornados com plumagens de aves para embarcar nessa viagem.

– A página sobre os índios Awá no site Survival.

BANIWA

– Nomes alternativos: Baniva, Baniua, Curipaco

Classificação lingüística: Aruak

População: 5.811 (Dsei/Foirn – 2005)

Local: Amazonas

Povos Indígenas

Os Baniwa vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela, em aldeias localizadas às margens do Rio Içana e seus afluentes Cuiari, Aiairi e Cubate, além de comunidades no Alto Rio Negro/Guainía e nos centros urbanos de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos (AM). Já os Kuripako, que falam um dialeto da língua baniwa, vivem na Colômbia e no Alto Içana (Brasil). Ambas etnias aparentadas são exímias na confecção de cestaria de arumã, cuja arte milenar lhes foi ensinada pelos heróis criadores e que hoje vem sendo comercializada com o mercado brasileiro. Recentemente, têm ainda se destacado pela participação ativa no movimento indígena da região. Esta corresponde a um complexo cultural de 22 etnias indígenas diferentes, mas articuladas em uma rede de trocas e em grande medida identificadas no que diz respeito à organização social, cultura material e visão de mundo.

5 – BORORO

– Nomes alternativos: Coxiponé, Araripoconé, Araés, Cuiabá, Coroados, Porrudos

Classificação lingüística: Bororo (Tronco Linguístico Macro-Jê)

População: 1.392 (Funasa – 2006)

Mapa do Brasil localização tribos

Local: Mato Grosso

Atividade predominante : São tradicionais caçadores e coletores. Adaptaram-se à agricultura da qual extraem sua subsistência

Curiosidade : Dentro de cada clã há uma comunhão de bens culturais (nomes, cantos, pinturas, adornos, enfeites, seres da natureza) que só podem ser usados pelos membros desse determinado clã a não ser que este direito seja participado a outras pessoas em “pagamento” por favores recebidos. Habitam a região do planalto central de Mato Grosso e está distribuído em cinco Terras Indígenas demarcadas: Jarudore, Meruri, Tadarimana, Tereza Cristina e Perigara. Com uma história de muita resistência ao avanço das frentes e expansão de territórios, a “pacificação” com o povo Bororo ocorreu no final do século XIX. Destacam-se pela confecção de seus artesanatos de plumagem (cocar e braçadeiras em pena) e também pela pintura corporal em argila.

Povos Indígenas

Rituais : Os Bororo praticam diversos rituais como a “Festa do Milho” para celebrar a colheita do cereal, um alimento importante na nutrição dos índios; “Furação de Orelha e Lábios”, além do Ritual do Funeral, uma celebração sagrada para todos que se consideram índio (Boe).

O funeral é o que mais chama atenção pela complexidade, podendo durar até dois meses. A morte de alguém pode provocar mudanças ou reforçar as alianças. Mas a tribo obedece a uma organização social rígida. São de língua tronco macro-jé, autodenominado boe. A aldeia é dividida em duas partes – exare e tugaregue – que, por sua vez, se subdividem em clãs com deveres muito bem definidos. Eles reconhecem a liderança de dois chefes hereditários que sempre pertencem à metade exare, conforme determinam seus mitos. Os antigos Bororo destribuíam-se por extensa região, compreendida entre a Bolívia, a Oeste, o rio Araguaia, o rio das Mortes, ao Norte, e o rio Taquari, ao Sul.

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CAETÉ

– Os deglutidores do bispo Sardinha viviam desde a Ilha de Itamaracá até as margens do Rio São Francisco. Depois de comerem o bispo, foram considerados “inimigos da civilização”. Em 1562, Men de Sá determinou que fossem “escravizados todos, sem exceção”.

CARIJÓ

– Seu território estendia-se de Cananéia (SP) até a Lagoa dos Patos (RS). Vistos como “o melhor gentio da costa”, foram receptivos à catequese. Isso não impediu sua escravização em massa por parte dos colonos de São Vicente. Foram dizimados pelo trabalho forçado nos canavias da baixada santista.

Povos Indígenas

Os Carijós construíam suas casas cobrindo-as com cascas de árvores e já fabricavam redes e agasalhos com o algodão que cultivavam, forrando-as com peles e ataviando-as com plumas e penas. Acostumaram-se a ajudar todos os navios que lhe solicitassem auxílio, até que um dia, traídos na sua boa fé, acabaram considerando os brancos inimigos.

DENI

– Nomes alternativos: Dani

Classificação lingüística: Arawá

População: 875 (Funasa – 2006)

Local: Amazonas

Mapa do Brasil localização tribos

Compreendem mais de 600 tribos indígenas que habitam uma planície entre os Rios Purus e Juruá, localizados no Amazonas. Considerados como Tribo Arawa, os Deni são parte do braço linguístico Aruak. A primeira menção aos Deni aparece no relatório SPI de 1942. São divididos em grupos ou clãs. Cada clã tem certa autonomia política, possuindo sua própria auto-identidade: Bukure Deni, Kuniva Deni, Minu Deni, Varasa Deni, Hava Deni, Madija Deni. Devido ao baixo potencial agrícola do solo da floresta, os Deni equilibram sua dieta com a flora e a fauna selvagens. Os Deni são nômades e sua população das aldeias oscila bastante, as aldeias são apenas uma agregação de grupos familiares e de famílias. Eles não possuem uma unidade inerente como comunidade. O Ciclo da Borracha, que se estendeu do fim do século XIX até 1940, foi a principal causa da rápida ocupação ocidental dos vales dos Rios Purus e Juruá e dos consequentes e trágicos desaparecimentos, diretamente ou pela introdução de doenças, de muitas Tribos Indígenas do Amazonas. Durante o boom da borracha, estima-se que a população indígena da região do Rio Purus era de aproximadamente 40 mil indivíduos.

6 – ENAWENÊ-NAWÊ

– Nomes alternativos: Eram conhecidos como Salumã, mas por meio dos vizinhos Pareci, em 1983, se descobriu a verdadeira denominação do grupo.

Classificação lingüística: família Aruák

População: 445 (Funasa – 2006)

Local: Aldeia próxima ao Rio Iquê, afluente do Rio Juruena, no nordeste do Mato Grosso

Atividade predominante : Pesca e coleta

Curiosidade : Tradicionalmente não consomem caça e não têm o hábito de caçar. O peixe é considerado alimento nobre, fundamental nos rituais e objeto de troca nas relações sociais e amorosas.

Povos Indígenas

Vivem em uma região de vegetação variada, com cerrado e floresta tropical localizada no vale do afluente do Rio Juruena, a noroeste de Mato Grosso, município de Juína, Comodoro e Campo Novo dos Paresi. Vivem nesse território em uma única aldeia perto do Rio Iquê. Dificilmente os Enawenê-Nawê deixam suas aldeias para contato com os não-índios mantendo sua autonomia devido à localização geográfica privilegiada e até hoje não falam o português. Os produtos da coleta complementam a alimentação e servem de matéria-prima para enfeites, roupas e objetos. O mais importante é o mel misturado com água e consumido como refresco. Dentre os frutos, destacam-se castanha, buriti, bacaba e pequi. Também comem fungos (cogumelos selvagens), raízes, alguns tipos de insetos e de larvas. Cascas, raízes e folhas especiais são usadas como remédio.

Povos Indígenas

Produzem sal vegetal de palmeiras e panelas de barro. Da palha do buriti confeccionam cordas, cestos, peneiras, raquetes para assar peixes, saias, enfeites de braços e cobrem casas. De madeiras especiais fazem canoas, bancos, remos, arcos, flechas, fogo. Fabricam também redes, saias e pulseiras de algodão. É um povo muito alegre e rico em diversidade musical e danças, bem como nas indumentárias que caracterizam sua peculiaridade.

Rituais : Os Enawenê-Nawê são muito espiritualistas sendo que suas atividades econômicas são orientadas pelo calendário ritual, pois acreditam que há um outro tipo de vida após a morte.

– A página sobre os índios Enawenê Nawê no site Survival.

FULNI-Ô

– Nomes alternativos: Fulniô, Furniô, Fornió, Carnijó, Iatê, Yatê

Classificação lingüística: Ia-tê, Macro-Gê, Fulnio

População: 3.659 (Funasa – 2006)

Local: Pernambuco – Águas Belas

Os Fulniô são o único grupo do Nordeste que conseguiu manter viva e ativa sua própria língua – o Ia-tê – assim como um ritual a que chamam Ouricuri, que atualmente realizam no maior sigilo. Na parte central das terras da reserva indígena se encontra assentada a cidade de Águas Belas rodeada totalmente pelo território Fulniô. São mais de 2.900 índios que vivem em Pernambuco.

Povos Indígenas

GAVIÃO

– Nomes alternativos: Gavião do Mãe Maria, Gavião Parakatejê, Gavião do Oeste

Classificação lingüística: Jê

População: 476 (Funasa – 2006)

Local: Pará

Esse nome foi atribuído a diferentes grupos Timbira da região do médio Tocantins por viajantes do século XIX, que sempre falavam do caráter guerreiro desses índios. A denominação vem das penas de gavião usadas em suas flechas. Esses índios foram muito reduzidos pelo contágio de doenças em seus primeiros contatos com os brancos. Uma das maiores tradições é a corrida de toras: as equipes de revezamento (formada somente por homens), carregam troncos de buriti nos ombros. O mais importante não é quem chega primeiro, o que vale mais é o divertimento. A comemoração é maior quando as equipes chegam juntas ou quase juntas. Cada indivíduo recebe dois nomes e um deles não pode ser divulgado. Mostrar ao outro este segredo, significa transferir poder. Quando alguém recebe o nome de um parente que já morreu carrega a responsabilidade de manter as características do antepassado e quem o escolhe assume o papel de padrinho com a função de transmitir a cultura. Depois do casamento, por um período determinado, entre genro e sogra, nora e sogro, ficam proibidos de chamar o outro pelo nome.

GOITACÁ

– Ocupavam a foz do Rio Paraíba. Tidos como os índios mais selvagens e cruéis do Brasil, encheram os portugueses de terror. Comedores de gente, guerreiros ferozes e arredios. As características mais citadas para definir os índios goitacazes são também uma boa pista para entender por que se sabe tão pouco sobre essa tribo, de grandes caçadores e pescadores, que chegou ao litoral por volta do século II. Grandes canibais e intrépidos pescadores de tubarão. Eram cerca de 12 mil.

GUAJAJARA

– Nomes alternativos: Guazazara, Tenetehar, Tenetehára

Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Tenetehara (IV)

População: 19.471 (Funasa – 2006)

Local: Maranhão, 81 aldeias

Os Guajajara são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil. Habitam 11 Terras Indígenas na margem oriental da Amazônia, todas situadas no Maranhão. Sua história de mais de 380 anos de contato foi marcada tanto por aproximações com os brancos como por recusas totais, submissões, revoltas e grandes tragédias. A revolta de 1901 contra os missionários capuchinhos teve como resposta a última “guerra contra os índios” na história do Brasil.

Povos Indígenas

7 – GUARANI

– Nomes alternativos: Ava-Chiripa, Ava-Guarani, Xiripa, Tupi-Guarani

Classificação lingüística: Tupi-Guarani

População: É considerado um dos povos mais populosos no Brasil, com cerca de 27 mil índios

Local: Reserva Indígena do Rio Silveira, localizada em Boracéia, divisa entre Bertioga e São Sebastião. Mas, existem aldeias Guarani em diversos estados como : Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará.

Atividade predominante : praticam a agricultura de subsistência plantando arroz, mandioca entre outros itens.

Curiosidade : as danças, cantos e rituais são direcionados ao Deus Tupã, pedindo proteção às pessoas e à natureza. Valorizam a preservação do meio ambiente.

Considerado um dos mais populosos povos indígenas no Brasil, foi um dos primeiros a manterem contato com os portugueses resistindo a qualquer imposição em sua cultura. Os Guarani foram os que mais resistiram e ainda resistem muito para manter seus costumes tradicionais como a língua, as danças e, principalmente as manifestações religiosas. Apesar do constante contato com os não-índios, eles mantêm suas características físicas pois muitas aldeias não admitem a miscigenação. São agricultores de subsistência plantando arroz, mandioca outros. Em muitas aldeias existem escolas onde o ensino é bilíngüe.

Há, contudo, entre os subgrupos Guarani-Ñandeva, Guarani-Kaiowa e Guarani-Mbya existentes no Brasil, diferenças nas formas lingüísticas, costumes, práticas rituais, organização política e social, orientação religiosa, assim como formas específicas de interpretar a realidade vivida e de interagir segundo as situações em sua história e em sua atualidade.

– Histórias dos Guaranis de Santa Catarina

– Ywy rupa: a territorialidade Guarani

– A página sobre os índios Guarani no site Survival.

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HIXKARYANA

– Nomes alternativos: Hixkariana, Hishkaryana, Parukoto-Charuma, Parucutu, Chawiyana, Kumiyana, Sokaka, Wabui, Faruaru, Sherewyana, Xerewyana, Xereu, Hichkaryana

Classificação lingüística: Caribe

População: 804 (censo de Maio, 2001)

Local: Amazonas, Rio Nhamundá acima até os rios Mapuera e Jatapú

HUPDA

– Nomes alternativos: Hupdé, Hupdá Makú, Jupdá Macú, Makú-Hupdá, Macú De Tucano, Ubdé

Classificação lingüística: Maku (Puinave, Macro-Tucano)

População: 1,208 no Brasil (1995 SIL); 150 na Colômbia (1991 SIL); 1,350 nos dois países

Mapa do Brasil localização tribos

Local: Rio Auari, noroeste de Amazonas

Já se tornou moeda corrente entre os regionais e na literatura etnográfica sobre o Noroeste Amazônico a distinção entre os chamados “índios do rio”, de fala Tukano e Arawak, e os “índios do mato”, de fala Maku.

Enquanto os primeiros são agricultores que fixam suas aldeias nas margens dos rios navegáveis, os Maku vagam nos divisores de água, estabelecendo-se temporariamente onde encontram condições ecológicas favoráveis à caça e adequadas ao modo como eles costumam resolver seus conflitos internos: “quando a gente se desentende, a gente se espalha no mato e fica lá até a raiva passar.”

IKPENG

– Nomes alternativos: Txikão, Txikân, Chicao, Tunuli, Tonore

Classificação lingüística: Karib

População: 342 (Funasa – 2006)

Local: Parque Xingu, Mato Grosso

Povos Indígenas

Os Ikpeng vieram para a região dos formadores do Xingu no início do século XX, quando viviam em estado de guerra com seus vizinhos alto-xinguanos. O contato com o mundo não indígena foi ainda mais recente, no início da década de 60, e teve conseqüências desastrosas para sua população, que foi reduzida em menos da metade em razão de doenças e morte por armas de fogo. Foram então transferidos para os limites do Parque Indígena do Xingu e “pacificados”. Hoje em dia mantém relações de aliança com as demais aldeias do Parque, mas constituem uma sociedade bastante peculiar. Já não guerreiam mais, contudo ainda mantém no cerne de sua visão de mundo a guerra como motor não apenas da morte, mas de substituição dos mortos pela incorporação do inimigo no seio do grupo, sendo assim também reprodutora da vida social.

JAMAMADI

– Nomes alternativos: Yamamadí, Kanamanti, Canamanti

Classificação lingüística: Arawak

População: 884 (Funasa – 2006)

Local: Amazonas, espalhados sobre 512.000 km2

Os Jamamadi fazem parte dos povos indígenas pouco conhecidos da região dos rios Juruá e Purus que sobreviveram aos dois ciclos da borracha, em meados do século XIX. Nos anos 1960, foi previsto seu desaparecimento como grupo diferenciado, mas a partir daquela época os Jamamadi conseguiram se recuperar, tanto em termos demográficos quanto culturais.

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JARAWARA

– Nomes alternativos: Jaruára, Yarawara, Jarauara

Classificação lingüística: Arawá

População: 180 (Funasa – 2006)

Data do início do trabalho da SIL: 1987

Local: Seis aldeias dentro da area indígena Jamamadi-Jarawara, no município de Lábrea, Amazonas. A reserva fica perto do rio Purus, acima de Lábrea e no lado oposto do rio.

Os Jarawara pertencem aos povos indígenas pouco conhecidos da região dos rios Juruá e Purus. Eles falam uma língua da família Arawá e habitam apenas a Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, que é constantemente invadida por pescadores e madeireiros.

Povos Indígenas

JUMA

– Nomes alternativos: Yumá, Katauixi, Arara, Kagwahiva, Kagwahibm, Kagwahiv, Kawahip, Kavahiva, Kawaib, Kagwahiph

Auto-denominação: Kagwahiva

Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Kawahib (VI)

População: 5 (2002); Havia 300 em 1940

Local: Amazonas, Rio Açuã, tributário do Mucuim

Os Juma pertencem a um conjunto de povos falantes da família lingüística Tupi-Guarani denominado Kagwahiva. No século XVIII, é provável que os Juma somassem de 12 a 15 mil índios. Após sucessivos massacres e a expansão das frentes extrativistas, se viram reduzidos a poucas dezenas na década de 1960. Atualmente, restam apenas cinco indivíduos: um pai com suas três filhas e uma neta.

8 – JURUNA

– Nomes alternativos: Yudjá, Yuruna

Classificação lingüística: Juruna

População: 362 (Funasa – 2006)

Local: Mato Grosso, Pará

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Povo indígena cuja língua é a única representante viva da família Juruna, do tronco Tupi. Autodenominam-se Yudjá; o nome Juruna significa, em Tupi-Guarani, “bocas pretas”, porque a tatuagem características desses índios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca. Na metade do século XIX tinham uma população estimada em 2.000 índios, que viviam no baixo rio Xingu. Um grupo migrou mais para o alto do rio, hoje em território compreendido pelo Parque do Xingu (MT).

Segundo levantamento de médicos da Escola Paulista de Medicina, que prestam serviços de saúde aos índios do parque, em 1990 eram 132 pessoas. Alguns Juruna vivem dispersos na margem direita do médio e baixo rio Xingu, e há um grupo de 22 índios, segundo dados da Funai de 1990, que vive na Volta Grande do rio Xingu, numa pequena área indígena chamada Paquiçaba, no município de Senador José Porfírio, no sudeste do Pará.

Suas terras serão atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

9 – KAAPOR

– Nomes alternativos: Urubu, Kambõ, Urubu-Caápor, Urubu-Kaápor, Kaapor.

Auto-denominação: Ka’apor

Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Oyampi (VIII)

População: 991 (Funasa – 2006)

Local: Maranhão

Povos Indígenas

10 aldeias espalhadas sobre 7168 km2. Há quatro aldeias grandes, Zê Gurupi, Ximbo Renda, Gurupi-una e Água Preta

Os primeiros encontros de paz dos Kaapor com os brasileiros ocorreram em 1928 em Canindé no rio Gurupi. Em 1928 era conhecido como Posto Indígena Pedro Dantas. Naquela época, o Posto se encontrava na ilha na frente do local atual de Canindé, do lado do Pará. Veja as três perspectivas sobre estes encontros neste website do Kaapor. Com a chegada de civilização os Kaapor se retiraram para a selva até que a reserva presente foi demarcada. A população estava estável com cerca de quinhentas pessoas por muitos anos. Houve um censo feito pelo chefe do Posto Canindé em 1968 e a população foi enumerada em um pouco mais de quinhentas pessoas. Naquela época, o chefe do posto foi a quase todas as aldeias e fez um censo. Mais um censo foi feito pelo chefe do Posto Turiaçu no final dos anos 70. Mais uma vez, foram enumerados em pouco mais de quinhentas pessoas. Desde então a distribuição de medicamentos por vários grupos ajudou a combater a mortalidade infantil, e também ajudou aos adultos a sobreviverem epidemias de gripe forte. Atualmente (2002) os Kaapor estão enumerados em cerca de oitocentas pessoas.

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Uma característica interessante da língua Kaapor foi o desenvolvimento de uma língua de sinais entre eles. Existem vários surdos-mudos entre eles que são capazes de se comunicar com outros que não são surdos-mudos. O povo desenvolveu uma língua de sinais entre si (sistema de comunicação intra-tribal). Um surdo-mudo visitando uma aldeia distante tem capacidade de se comunicar com um membro de outra aldeia sem problema.

Uma outra característica interessante é sua elaborada cerimônia de nomeação, com muitos enfeites de pena. No dia de nomear o(s) filho(s), esperam o nascimento do sol, e enfrentando o sol nascente o padrinho escolhido dançará com uma criança em seus braços, tocando um apito feito do osso do pé do gavião-real. Diversas crianças podem ser nomeadas durante esta cerimônia. O padrinho e o pai da criança têm ornamentos feitos de penas tais como um capacete feita das penas da cauda do pássaro japu, uma peça nos lábios decorada com a pena da cauda da arara como base, brincos, pulseiras, e às vezes faixas no braço também. Esta cerimônia está precedida por uma noite de bebedeira onde consomem quantidades grandes de cerveja feita de beiju (purê de mandioca tostada em bolinhos redondos) de banana ou de caju. A língua Kaapor tem 14 consoantes e 6 vogais que são orais e podem ser nasais.

Povos Indígenas

KADIWÉU

– Nomes alternativos: Kaduveo, Kadivéu, Kadiveo, Mbaya-Guaikuru, Caduvéo, Ediu-Adig

Classificação lingüística: Mataco-Guaicuru

População: 1.629 (Funasa – 2006)

Local: Mato Grosso do Sul, cerca da Serra da Bodoquena. 3 aldeias

Os Kadiwéu, conhecidos como “índios cavaleiros”, por sua destreza na montaria, guardam em sua mitologia, na arte e em seus rituais o modo de ser de uma sociedade hierarquizada entre senhores e cativos. Guerreiros, lutaram pelo Brasil na Guerra do Paraguai, razão pela qual, como contam, tiveram suas terras reconhecidas.

KAINGANG

– Outras denominações : Coroados, Guayanás

População : 28.000 (Funasa – 2006)

Língua : família Jê

Local: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo

Dos Kaingang de São Paulo, que até o início do século XX se mostravam hostis aos trabalhos da estrada de ferro São Paulo-Corumbá, hoje sobrevivem 100 nos postos Icatu (Penápolis) e Vanuíre (Tupã). Os Kaingang meridionais, habitam as reservas de diversos postos indígenas ou vivem espalhados pelos três Estados sulinos:

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No Paraná, nos postos Barão de Antonina (Arapongas), Queimadas (Reserva), Ivaí (Pitanga), Fioravante Esperança (Palmas), Rio das Cobras e Boa Vista ( Iguaçu), Apucarana (Londrina), Mangueirinha (Mangueirinha), José Maria de Paula (Guarapuava);

Em Santa Catarina, no posto Xapecó (Chapecó), onde há uma subdivisão chamada Xokléng.;

No Rio Grande do Sul, são 4.100 índios distribuídos nos postos Cacique Doble, Ligeiro, Nonoai e Guarita, Serrinha, Vontouro, Monte Caseiros, Inhacorá, e Borboleta, esta última área ainda não reconhecida, todos nos municípios do extremo noroeste do Estado.

Povos Indígenas

11 – KALAPALO

– População : 504 (Funasa – 2006)

Língua : Karib

Local: Mato Grosso

A vida social nas aldeias kalapalo – um dos quatro grupos de língua Karib que habita a região do Alto Xingu, englobada pelo Parque Indígena do Xingu – varia de acordo com as estações do ano. Na estação seca, que se estende de maio a setembro, a comida é abundante e é tempo de realizar rituais públicos, que costumam contar com muita música e a participação de membros de outras aldeias. Na estação chuvosa, a comida torna-se escassa e a aldeia fecha-se nas relações entre as casas e os parentes. No contexto multiétnico do Parque Indígena do Xingu, os Kalapalo têm se destacado por uma participação ativa na vigilância de seus limites, evitando a invasão de fazendeiros vizinhos.

KAMAYURÁ

– Outras denominações : Kamaiurá

População : 492 (Funasa – 2006)

Língua : Tupi-guarani

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Local: Mato Grosso

Tribo de cerca de duzentas pessoas, vivem na região dos formadores do rio Xingu, Mato Grosso do Norte. Esta população indígena, da família lingüística tupi-guarani, vinda talvez das costas litorâneas do Maranhão, emigrou, muito provavelmente a partir do século XVII, para instalar-se progressivamente nesta região seguindo outros grupos indígenas fugindo do contato com os portugueses (1870). Apesar da diversidade de origens e de línguas, essas tribos constituem-se hoje numa área cultural definida: as tribos da área do uluri ou as chamadas tribos xingüanas, que ocupam a parte sul do Parque Indígena do Xingu. Ao norte vivem outras tribos, com algumas das quais os Kamayurá mantiveram contatos esporádicos, muitas vezes conflituosos, no decorrer de sua migração

KAMBIWÁ

– Outras denominações : Kambioa

População : 2 820 (Funasa – 2006)

Povos Indígenas

Local: Pernambuco

Os Kambiwá, com uma população de cerca de 1.100 índios, vivem aldeados pela Fundação Nacional do Índio (Funai), numa área de 2.700 hectares, localizada nos municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta, na região do Moxotó, em Pernambuco.

A reserva, criada em 1971, reuniu cerca de cem famílias que se encontravam vagando pela região, devido às perseguições dos grande proprietários de terra.

KANELA

– Outras denominações : Canela, Ramkokamekrá, Apanyekrá, Timbira

Língua : Timbira Oriental, da Família Jê

População : 2.502 (Funasa – 2008)

Local: Maranhão

Curiosidade : Os Kanela têm um conjunto de ciclos rituais baseados na família. Entre os principais ritos estão o nascimento, puberdade, casamento, resguardo pós-parto e o luto. Na passagem da adolescência, os meninos passam pela perfuração da orelha e as meninas ficam reclusas, quando ocorre a primeira menstruação.

Os Kanela são compostos de cinco nações remanescentes dos Timbira Orientais, sendo a maior a dos Ramkokamenkrá descendentes dos Kapiekran como eram conhecidos em 1820. O grupo Ramkokamenkrá, que significa “índios do arvoredo de almécega” atualmente se autodenomina com o nome português Canela. A principal aldeia Ramkokamenkrá, Escalvado, é conhecida pelos sertanejos e moradores de Barra do Corda como Aldeia Ponto e fica a cerca de 70 km a sul-sudeste dessa cidade, no Maranhão. A Terra Indígena Kanela conta com 125.212 hectares demarcados e homologados. Dois fatos marcaram a vida desse povo. Em 1931, um fazendeiro instalou seu rebanho na área e afugentou a principal fonte de alimentação que é a caça. Iludindo os índios, ofereceu-lhes uma festa em que foram embriagados e massacrados. Outro fato foi em 1963, quando um líder messiânico fez o povo Kanela acreditar que haveria uma transformação : os brancos virariam índios e estes se tornariam brancos. Seis deles morreram por determinação dos fazendeiros. O grupo possui uma cultura preservada mantendo equilibrado o relacionamento do indivíduo com a natureza e a sociedade. As maiores expressões de arte são as formas musicais e as danças acompanhadas de cantos que hoje ocorrem nos períodos das grandes festas. Entre os Kanela, o urucum é passado no corpo em situações familiares, enquanto a tintura azul-escura do jenipapo é usada somente em uma determinada situação cerimonial, jamais no dia-a-dia. Uma de suas tradições é a Corrida de Toras com a participação de homens e mulheres considerados velozes. As toras para homens pesam mais de 100 quilos e para mulheres 80.

Rituais : O conjunto de ciclos rituais acontece durante as festas e está baseado na participação de quase toda a sociedade. Meninos são introduzidos na classe de idade por quatro ou cinco festas de iniciação. Como passo principal para o casamento definitivo, a maioria das meninas entra como associada nos rituais masculinos para receber seus cintos de maturidade, necessários para serem aceitas pelos parentes.

12 – KARAJÁ

– Outras denominações : Xambioá, Chamboa, Ynã, Caraiauna

Língua : Karajá, de origem lingüística Macro-Jê

População : 2.532 (Funasa – 2006)

Local: Goiás, Mato Grosso, Pará, Tocantins. Terra Indígena do Parque Nacional do Araguaia na Ilha do Bananal, Tocantins

Atividade predominante : A alimentação da comunidade é habitualmente retirada do Rio Araguaia e dos lagos. Apreciam alguns mamíferos e demostram especial predileção na captura de araras, jaburus.

Plantam : milho, banana, mandioca e melancia. Eles aproveitam também os frutos do cerrado, como o oiti e o pequi, e a coleta do mel silvestre.

Curiosidade : Os Karajá preferem a monogamia e o divórcio é censurado pelo grupo. Se a infidelidade do homem casado se torna pública, os parentes masculinos da mulher abandonada batem no homem infrator perante toda a aldeia, numa grande ação dramática, que pode tomar proporções maiores com o acirramento de ânimos entre os grupos domésticos envolvidos, resultando inclusive em queima da casa da família do marido infrator. Os Karajá possuem íntima relação com o Rio Araguaia que é fonte de sua subsistência. Segundo o mito da criação, os Karajá saíram do fundo desse rio e ocuparam as terras perto das margens. Guardam muitas tradições demonstradas em cantos e festas. Uma de suas características é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a dos homens, feitas através de fonemas e expressões específicas. São muito ricos na fabricação de seu artesanato “ aôrity” e dos adornos “ isiywidyna”. Destacam-se pelas plumagens, cestarias e cerâmicas.

Rituais : Os rituais praticados são demonstrados pelos cantos como a “Festa do Hetohoky”, “Casa Grande” e também estão inseridos nas danças e lutas corporais “ ijesu” onde principalmente os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra festa é a do “Aruanã” em homenagem ao peixe da região que eles crêem proteger a todos os Karajá.

KARIRI-XOCÓ

– Outras denominações : Cariri-xocó

População : 1.763 ( 2000)

Local: Alagoas

Situados na beira do Rio São Francisco, na cidade de Porto Real do Colégio, em Alagoas, a tribo Kariri-Xocó, e seus remanescentes continuam na sua luta pela resistência cultural até os dias de hoje. São mais ou menos 2.400 pessoas em suas 200 famílias.

KARIPUNA

– Nomes alternativos: Karipúna, Karipúna do Uaçá, Patuwa

Classificação lingüística: Crioulo (francês)

População: 2.235 (Funasa – 2006)

Local: Amapá, na fronteira da Guiana Francesa

Os Karipuna fazem parte do complexo de povos indígenas da região do baixo rio Oiapoque, que estão inseridos em redes amplas de intercâmbio, que englobam famílias índias ou não-índias estabelecidas em aldeias e cidades vizinhas, no Brasil e na Guiana Francesa. A despeito de tratar-se de uma sociedade com fronteiras pouco precisas, fluidas e indefinidas, dados os constantes intercâmbios, intercasamentos e realocações das famílias, os Karipuna utilizam a expressão “nosso sistema” para definir um conjunto de práticas, conhecimentos e crenças que consideram próprias, englobando conhecimentos xamanísticos e católicos.

KARITIANA

– Nomes alternativos: Caritiana

Classificação lingüística: Tupi, Arikem

População: 320 (2005)

Local: Rondônia

Os Karitiana constituem um dos muitos grupos do estado de Rondônia ainda pouco estudados pela Antropologia. Nos últimos anos, suas principais batalhas em nome de sua reprodução física e sócio-cultural têm sido a reivindicação de ampliação de sua Terra Indígena e o investimento na educação escolar, como forma de reforçar o ensino da língua karitiana – a única remanescente da família lingüística Arikém –, bem como de valorização dos costumes e histórias que os particularizam como povo.

KATUKINA

– Nomes alternativos: Tukuna

Classificação lingüística: Katukina

População: 450 (2007)

Local: Amazonas

Designa dois grupos indígenas, da família Katukina, que autodenominam-se Peda Djapá (“Gente da Onça”). Vivem em diversos grupos no rio Biá, afluente do Jataí e Amazonas. Existem aproximadamente 220 índios. Os Katukina de língua da Família Pano, vivem no rio Envira, nas margens do rio Gregório, juntamente com os Yawanawá, na área indígena Rio Gregório, Acre, e na área indígena de Campinas. Os Katukina já foram chamados, por muitos viajantes, como “índios barbados” por causa do costume de pintar a boca de preto. A troca de cônjuges é bastante comum, mas os filhos sempre ficam com a mãe.

KAXARARI

– Nomes alternativos: Kaxariri

Classificação lingüística: Pano

População: 323 (Funasa – 2006)

Local: Alto Rio Marmelo, tributário do Rio Abuna, Acre, Rondônia, Amazonas

O cacique Alberto César, 54, conta que Kaxarari é nome atribuído pelos brancos, a autodenominação é Runí-cuní e a língua pertence à família lingüística Pano. “Queremos resgatar as danças e a língua. Velho que morreu há três anos nunca viu a dança, mas guardou as histórias”.

Em 1924, uma epidemia de sarampo dizimou grande parte da população, em 1957-58 eram 13 famílias. Hoje são cerca de 400 pessoas divididos em 4 comunidades: Pedreira, Paxiúba, Barrinha e Marmelinho, que ocupam uma área de 145 mil hectares demarcados em 1987.

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13 – KAXINAWÁ

– Nomes alternativos: Cashinauá, Caxinauá, Huni Kuin

Classificação lingüística: Pano

População: 4.500 (CPI/AC – 2004)

Local: Acre

Os Kaxinawá pertencem à família lingüística Pano que habita a floresta tropical no leste peruano, do pé dos Andes até a fronteira com o Brasil, no estado do Acre e sul do Amazonas, que abarca respectivamente a área do Alto Juruá e Purus e o Vale do Javari.

10 – KAYAPÓ

– Nomes alternativos: Kaiapó, Caiapó, Gorotire, A’ukre, Kikretum, , Makragnotire, Kuben-Kran-Ken, Kokraimoro, Metuktire, Xikrin, Kararaô

Classificação lingüística: Jê

População: 5.923 (Funasa – 2006)

Local: Mato Grosso, Pará

Também chamados de Caiapó, é um povo de língua da família Jê. Distribui-se por 14 grupos: Gorotire, Xikrin do Cateté, Xikrin do Bacajá, A’Ukre, Kararaô, Kikretum, Metuktire (Txu-karramãe), Kokraimoro, Kubenkran-kén e Mekragnotí. Há indicações de pelo menos três outros grupos ainda sem contato com a sociedade nacional. As aldeias, identificadas pelo nome do grupo a que pertencem, são grandes para os padrões da Amazônia: a dos Gorotire tem 920 pessoas, e há referências históricas de aldeias com 1500 índios. Eles mantêm pouco contato entre as tribos e possuem uma estrutura cultural e social bastante homogenia, com poucas diferenças locais. A forma tradicional da aldeia é um círculo de casas formando um pátio. No centro, fica uma casa que só é utilizada para a reunião dos homens.

Povos Indígenas

KRAHÔ

– Nomes alternativos: Craô, Kraô

Classificação lingüística: Jê

População: 2.184 (Funasa – 2006)

Local: Tocantins

Nos seus dois séculos de contato com os brancos, os Krahô têm vivido reviravoltas e inversões de situação: ora aliados dos fazendeiros, ora por estes massacrados em 1940; nos anos 50 seguiram um profeta que prometia transformá-los em civilizados e em 1986 empenharam-se em uma reivindicação que implicava justamente no oposto, na sua afirmação étnica: foram em 1986 ao Museu Paulista, em busca da recuperação do machado semilunar, caro a suas tradições. Assíduos viajantes às grandes cidades, cujas ruas e autoridades conhecem melhor que os sertanejos que os cercam, com freqüência telefonam a seus esquivos amigos urbanos a pedir miçangas, tecidos e reses para abate, indispensáveis à execução de seus ritos.

KUIKURO

– Nomes alternativos: Kuikuru, Guicurú, Kurkuro, Cuicutl, Kalapalo, Apalakiri, Apalaquiri

Classificação lingüística: Família Karib (Carib)

População: 509 (Funasa – 2006)

Local: Terra Indígena do Xingu no Mato Grosso

Atividade predominante : a agricultura da mandioca e a pesca, são a base da alimentação. Também cultivam bata doce, milho, algodão, pimenta, tabaco, urucum e frutas como banana, melancia, mamão e limão.

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Considerado o povo com a maior população no Alto Xingu, os Kuikuro habitam o sul da Terra Indígena do Xingu, próximo ao Posto Leonardo, perto do município de Querência, no Mato Grosso. São cerca de 450 índios que falam a língua Kuikuro, pertencente ao tronco lingüístico Karib (Carib). Hoje, habitam três aldeias, sendo que a principal é a Ipatse, onde vivem mais de 300 pessoas. Os povos do Alto Xingu não comem nenhum “bicho de terra ou de pelo”, exceto o macaco, uma espécie de Cebus. São excelentes nadadores e produzem artefatos como canoas, bancos, esteiras, cestos e adornos plumários usados no dia-a-dia e em cerimoniais para pagamento de serviços como a pajelança ou para selar uma aliança de casamento. A fabricação de um variado e rico artesanato é hoje fonte de recursos para compra de bens como material de pesca, munições, miçangas, combustível e gêneros alimentícios (arroz, sal, açúcar, óleo, etc…)

Rituais : Como os demais povos do Alto Xingu, os Kuikuro realizam e participam do “Kuarup”, um ritual em homenagem aos mortos. Entre os mitos, destaca-se a “Iamaricumã”, celebrada pelas mulheres que se vestem com os adereços dos homens.

O Kuarup é um ritual dos grupos indígenas do Parque do Xingu para homenagear os mortos – Descrição do Kuarup da tribo Kuikuro – Região do Rio Kuluene

Povos Indígenas

KULINA

– Nomes alternativos: Kurína, Kolína, Curina ou Colina, Madiha

Classificação lingüística: Arawa

População: 2.537 (Opan – 2002)

Local: Acre, Amazonas

São também chamados de Kurína, Kolína, Curina ou Colina, e vivem em pequenos grupos. Quando se casa, o homem vive na casa da família da esposa e tem que trabalhar para retribuir a mulher. Cada casal tem a obrigação de gerar pelo menos três filhos, ganhando o direito de construir uma casa separada e continuando juntos se desejar. Eles acreditam que a concepção acontece sem qualquer contribuição feminina, e para engravidar, a mulher tanto pode relacionar-se apenas com o marido ou ter vários parceiros. Em qualquer dos casos, ela é a única responsável pelos cuidados com a criança.

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Vivendo nas margens dos rios Juruá e Purus, os Kulina destacam-se pelo vigor com que mantêm suas instituições culturais, entre elas a música e o xamanismo. Um exemplo disso é que, apesar do antigo contato com brancos e da proximidade de algumas aldeias com centros urbanos, não se tem conhecimento de nenhum Kulina vivendo fora de suas terras.

MAKUXI

– Nomes alternativos: Macuxi, Macushi

Classificação lingüística: Karib

População: 23.433 (Funasa – 2006); 9.500 (Guiana – 2001)

Local: Roraima, Guiana

Les Makuxi croient, comme leurs voisins Ingarikó, qu’ils descendent des enfants du soleil qui leur ont fait le don du feu mais aussi des maladies et des disgrâces de la nature.

– A página sobre os índios Makuxi no site Survival.

Povos Indígenas

MAMAINDÉ

– Nomes alternativos: Nambikuára do Norte

Classificação lingüística: Nambikuára, Nambikuára do Norte, Mamaindé

População: 1.682 (Renisi – 2008)

Local: Mato Grosso, na divisa de Rondônia

A maioria dos Mamaindê vive atualmente em uma única aldeia que reúne cerca de 200 pessoas. Trata-se de uma aldeia grande em relação ao padrão tradicional das aldeias nambiquara que têm em média entre 100 e 50 pessoas. Muitas famílias são compostas por indivíduos provenientes de outros grupos Nambiquara do norte que se juntaram aos Mamaindê em diferentes momentos.

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As casas tradicionais feitas de palha de buriti foram substituídas por casas de madeira cobertas com telhas de amianto no estilo das casas dos colonos regionais. Apenas a casa de reclusão da menina púbere, um tipo de habitação temporária, continua sendo feita no estilo das moradias tradicionais.

16 – MARUBO

– Classificação lingüística: Pano

População: 1.252 (Funasa – 2006)

Local: Amazonas

Eles estão em contato com a sociedade nacional desde 1870 e foram incorporados ao trabalho de exploração da borracha. O homem pode se casar com várias mulheres (poligamia), e cada uma delas ocupa um espaço bem definido na maloca. Por influência dos missionários, hoje, os mortos são sepultados em cemitérios, mas a cremação fazia parte dos antigos costumes desses índios, eles comiam as cinzas com mingau para que o morto pudesse continuar entre eles. A única exceção ocorre com as crianças de colo, que são enterradas geralmente entre as árvores. É uma população de 600 pessoas, que falam a língua da família Pano e vivem ao longo dos rios Ituí e Curuçá, na Amazônia, junto à fronteira com o Peru.

Povos Indígenas

17 – MATIS

– Nomes alternativos: Mushabo, Deshan Mikitbo

Classificação lingüística: Pano

População: 322 (2008)

Local: Amazonas

Estimados em várias centenas na época dos primeiros contatos (final dos anos 70), os Matis, falantes de uma língua Pano, não passavam de 87 em 1983. Todos os matis são monolíngües. Andam nus, raspam a cabeça, fazem orifícios labiais e auriculares e usam zarabatana. Vivem de caça pesca e coleta de produtos como o cacau e o buriti além das roças de milho, macaxeira, pupunha e cará.

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18 – MATIPU

– Classificação lingüística: Karib

Local: Mato Grosso

População: 103 (Funasa – 2006)

Os Matipu habitam a porção sul do Parque Indígena do Xingu, integrando a rede de trocas e cerimônias inter-societárias que envolve os dez povos da área cultural do Alto Xingu. Entre estes, o grupo possui ainda maior identificação com os outros grupos de língua Karib – Kalapalo, Kuikuro e Nahukuá –, com quem mantém relações privilegiadas de inter-casamentos e comércio.

MAXAKALI

– Nomes alternativos: Caposho, Cumanasho, Macuni, Monaxo, Monocho, Maxacalis, Monacó, Kumanuxú, Tikmuún

Classificação lingüística: Macro-Gê, Maxakali

População: 1.271 (Funasa – 2006)

Local: Minas Gerais, 160 km interior do litoral, 14 aldeias

Os Maxakalí, enfrentam hoje o grande desafio de superarem as dificuldades decorrentes de sucessivas administrações autoritárias, o que se tem refletido nos graves problemas de embriaguês, desajustes sociais e marginalização econômica. A forma de luta adotada pelo grupo tem sido a de opor resistência sistemática a casamentos interétnicos e a mudanças na organização social e no seu universo cultural, optando pela entropia e isolamento como ordenadores das suas relações interétnicas.

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15 – MAYORUNA

– Nomes alternativos: Matsé

Classificação lingüística: Pano

População: 1.592 (Funasa – 2006)

Local: Amazonas

– Os Mayoruna não são ainda totalmente conhecidos devido a distância onde estão localizadas as suas aldeias. Anteriormente eles habitavam as cabeceiras do rio Gálves (Peru), formador, juntamente com o rio Jaquirara, do rio Javari. Este, por sua vez, afluente pela margem direita do rio Solimões.

19 – MEHINAKO

– Nomes alternativos: Meinaco, Meinacu, Meinaku

Classificação lingüística: Aruak

População: 227 (Funasa – 2006)

Local: Rio Kurisevo, Alto Xingu, Parque do Xingu, Mato Grosso

Povos Indígenas

Habitantes da área cultural região conhecida como Alto Xingu (englobada pelo Parque Indígena do Xingu), os Mehinako são parte de um amplo complexo de povos pouco diferentes entre si. O sistema especializado de trocas comerciais, os rituais intersocietários e os padrões de intercasamento a um só tempo enredam e particularizam os Mehinako das demais etnias que os circundam. Entretanto, em meio às suas semelhanças com outros povos alto-xinguanos, os Mehinako se consideram antes de tudo Mehinako, e se orgulham de ser uma comunidade humana especial.

MUNDURUKU

– Nomes alternativos: Mundurucu, Weidyenye, Paiquize, Pari, Caras-Pretas

Classificação lingüística: Munduruku

População: 10.065 (Funasa – 2002)

Local: Amazonas, Mato Grosso, Pará. 22 aldeias

Mapa do Brasil localização tribos

Povo de tradição guerreira, os Munduruku dominavam culturalmente a região do Vale do Tapajós, que nos primeiros tempos de contato e durante o século XIX era conhecida como Mundurukânia. Hoje, suas guerras contemporâneas estão voltadas para garantir a integridade de seu território, ameaçado pelas pressões das atividades ilegais dos garimpos de ouro, pelos projetos hidrelétricos e a construção de uma grande hidrovia no Tapajós.

Os Munduruku vivem em 32 aldeias, em três áreas no Pará e Amazonas. Eles vivem da caça, pesca, coleta e agricultura. O grau de bilingüismo dos Munduruku não é muito alto, sendo o dos homens maior do que o das mulheres e crianças.

Saiba mais sobre os índios Munduruku

NADËB

– Nomes Alternativos: Makú-Nadëb, Makú, Macu

Auto-Denominação: Nadëb

Classificação lingüística: Makú, Nadëb

População: 2.603 (Dsei/Foirn – 2005)

Local: 2 aldeias: Rio Uneiuxi e Rio Japurá, Amazonas

Povos Indígenas

Já se tornou moeda corrente entre os regionais e na literatura etnográfica sobre o Noroeste Amazônico a distinção entre os chamados “índios do rio”, de fala Tukano e Arawak, e os “índios do mato”, de fala Maku. Enquanto os primeiros são agricultores que fixam suas aldeias nas margens dos rios navegáveis, os Maku vagam nos divisores de água, estabelecendo-se temporariamente onde encontram condições ecológicas favoráveis à caça e adequadas ao modo como eles costumam resolver seus conflitos internos: “quando a gente se desentende, a gente se espalha no mato e fica lá até a raiva passar.”

NAMBIKWARA

– Nomes Alternativos: Anunsu, Nhambiquara, Nambikuara, Nambiquara

Classificação lingüística: Nanambikwára

População: 1.682 (Renisi – 2008)

Local: Vivem nas Terras Indígenas Pirineus de Souza, Nambikwara e Vale do Guaporé, no município de Comodoro, em Mato Grosso

Curiosidade : esta etnia pratica o “Xikunahity”, conhecido como futebol com a cabeça.

Mapa do Brasil localização tribos

Os Nambikwara também já foram chamados de “Povos das Cinzas” por dormirem no chão à beira do fogo e amanhecerem cobertos por uma mistura de cinzas e areia. São vários grupos da mesma família lingüística que receberam, genericamente, o nome de Nambikwara. Eles se diferenciam de outros grupos éticos pela língua, pois falam vários dialetos e contam com traços culturais marcantes e próprios.

Rituais : Sua origem é explicada pelo mito da pedra preta. Praticam o ritual da flauta sagrada que narra a história do menino que se transformou em alimento para seu povo. Nesse ritual, tocam uma flauta nasal.

Famosos na história da etnologia brasileira por terem sido contatados “oficialmente” pelo Marechal Rondon e por terem sido estudados pelo renomado antropólogo Claude Lévi-Strauss, os Nambiquara vivem hoje em pequenas aldeias, nas altas cabeceiras dos rios Juruena, Guaporé e (antigamente) do Madeira.

Saiba mais sobre os índios Nambikuara

PALIKUR

– Nomes Alternativos: Paricuria, Paricores, Palincur, Parikurene, Parinkur-Iéne, Païkwené

Classificação lingüística: Aruák, Aruák do Norte, Palikur

População: 1.330 (Funasa – 2006)

Local: Amapá, Guiana Francesa

No início do século, após a apropriação do território contestado pelo Brasil, os Palikur enfrentaram os maus tratos dos fiscais da aduana brasileira, que os recriminavam por não falarem o português e os acusavam de fazerem contrabando. Esta indisposição com o Brasil, decorrente das relações comerciais estabelecidas há séculos entre os Palikur e franceses, lhes valeu o apelido de amis de français, e funcionou como uma força de atração para parte da população indígena, que passou a se estabelecer do outro lado da fronteira. Atualmente, os Palikur têm aldeias no Brasil e na Guiana Francesa e mantêm constante trânsito entre a fronteira. A rede de relações intra-étnicas se sustenta pelos laços de parentesco, alianças matrimoniais e trocas comerciais, a despeito das diferenças econômicas, políticas e sociais entre os dois países.

PANKARU

– Nomes Alternativos: Pankararu-Salambaia

Classificação lingüística: Aruák, Aruák do Norte, Palikur

População: 179 (Funasa – 2006)

Local: Bahia

Sua trajetória foi pontuada por uma sucessão de conflitos fundiários com grileiros e posseiros, que ainda não foram totalmente resolvidos. Além de um histórico de opressão e marginalização pela sociedade não-indígena, os Pankaru têm em comum com os demais grupos indígenas chamados “emergentes” o ritual secreto do “Toré”, marca de identidade e resistência cultural. Os pouco mais de 80 índios desta tribo estão localizados no Oeste do Estado da Bahia, à esquerda do Rio São Francisco. Falam a língua portuguesa.

PARECI

– Nomes Alternativos: Paresi, Haliti

Classificação lingüística: Aruák

População: 838 (Funai – 2006)

Local: Município de Tangará da Serra, Chapada dos Parecis, Mato Grosso

Atividade predominante : caça, pesca e coleta de frutos silvestres

Curiosidade : Para os Pareci, a bola tem suas peculiaridades, feita por eles, com seiva de mangabeira, um tipo de látex, e mede cerca de 30 centímetros de diâmetro. Eles também praticam o Xikunahity, futebol de cabeça. Vivem na Terra Indígena Paresi, um território de matas, campos e cerrados no município de Tangará da Serra, região do Médio – Norte do Mato Grosso, e Chapada dos Paresis, região de matas, campos, cerrados, montanhas e planaltos, assentada nos divisores das bacias dos rios do Prata e Amazonas. Esses índios sofreram com a abertura da BR-364, ligando o país de norte a sul atravessando seu território. O contato trouxe doenças e grandes perdas de terras, cultura e valores étnicos que eles lutam para preservar até hoje. Segundo o mito da criação, os Pareci saíram de dentro de uma pedra no Campo Novo dos Parecis liderados pela entidade mítica Wazare e se espalharam pela chapada dividindo-se em três grupos: os Kaxiniti (parte oriental), os Waimaré (central) e os Kozarini, (ocidental).

Saiba mais sobre os índios Pareci

PATAXÓ

– Nomes Alternativos: Pataxó Hã-hã-hãe

Classificação lingüística: Maxakali, do tronco Macro-Jê

População: 2.219 (Carvalho – 2005)

Local: Bahia, em Barra Velha, Coroa Vermelha e Monte Pascoal

Vive no sul da Bahia, em Barra Velha, Coroa Vermelha e Monte Pascoal, em zona economicamente valorizada (cacau e turismo), nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália e nas áreas indígenas Mata Medonha e Imbiriba. Em 1990, eram aproximadamente 1.600 índios.

Curiosidade : Esse povo sofreu muito devido ao contato com os portugueses, que chegaram até a proibi-los de falar sua própria língua e de praticar seus rituais religiosos e culturais. Com pouco mais de 6 mil pessoas, o povo Pataxó luta para recuperar suas terras e pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo indígena, apesar das perdas ocasionadas pelo contato com a sociedade não-indígena. Os pataxó vivem na região interna à faixa litorânea dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo e na Bahia. Alguns deles ainda falam a língua do tronco Macro-Jê, mas o português predomina nas aldeias. Entre seus rituais, ainda praticam a tradicional dança chamada “Toré”. Tem um artesanato rico e variado.

Em sua totalidade, os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren. Habitantes da região sul da Bahia, o histórico do contato desses grupos com os não-indígenas se caracterizou por expropriações, deslocamentos forçados, transmissão de doenças e assassinatos. A terra que lhes foi reservada pelo Estado em 1926 foi invadida e em grande parte convertida em fazendas particulares. Apenas a partir da década de 1980 teve início um lento e tortuoso processo de retomada dessas terras, cujo desfecho parece ainda longe, permanecendo a Reserva sub-judice.

POTIGUARA

– Nomes Alternativos: Potiguar = “Comedores de camarão”, de pety, “camarão” e guara, “comedor”

Classificação lingüística: Tupi-Guarani, do complexo ritual do Toré

População: 11.424 (Funasa – 2006)

Local: Ceará, Paraíba

Senhoreavam a costa desde São Luís até as margens do Parnaíba, e das margens do Rio Acaraú, no Ceará, até a cidade de João Pessoa, na Paraíba. Exímios canoeiros, inimigos dos portugueses, seriam uns 90 mil

Povo guerreiro, da terra de Acajutibiró, os Potiguara constituem um grande exemplo de luta entre os povos indígenas no Nordeste brasileiro. Sua história de contato com a sociedade não indígena remonta ao início da colonização. Hoje, procuram manter o vigor de sua identidade étnica por meio do reaprendizado da língua Tupi-Guarani, do complexo ritual do Toré, da circulação de dádivas nas festas de São Miguel e de Nossa Senhora dos Prazeres, na produção dos idiomas simbólicos do sangue e da terra e na produção cultural dentro da prática do turismo étnico.

20 – RIKBAKTSA

– Nomes alternativos: Aripaktsa, Erikbatsa, Erikpatsa, Canoeiro, Orelhas de Pau

Classificação lingüística: Rikbaktsá

População: 1.117 (Funasa – 2006)

Local: Mato Grosso, confluência dos rios Sangue e Juruena, Japuira na beira do leste do Juruena entre os rios Arinos e Sangue, e Posto Escondido na beira do oeste do Juruena 700 kilómetros ao norte. 9 aldeias e 14 colônias.

Os Rikbaktsa, conhecidos como “Orelhas de Pau” ou “Canoeiros”, tidos como guerreiros ferozes na década de 1960, enfrentaram um processo de depopulação que resultou na morte de 75% de seu povo. Recuperados, ainda hoje impõem respeito à população regional por sua persistência na defesa de seus direitos, território e modo de vida.

SATERÉ-MAWÉ

– Nomes alternativos: Maue, Mabue, Maragua, Sataré, Andira, Arapium

Classificação lingüística: Tupi, Mawe-Satere

População: 9.156 (Funasa – 2008)

Local: Pará, Andirá e outros rios. Talvéz também em Amazonas. Mais de 14 aldeias

Os Sateré-Mawé ou Sateré-Maué, vivem na região dos vales dos rios Marau e Andirá (Amazonas), distribuídos por aldeias, com uma população de 5.800 pessoas. Eles são conhecidos como os introdutores do guaraná na região. Têm uma forte tradição agrícola e comemoram o fim da colheita com o tarubá, uma bebida fermentada tão forte que pode causar embriaguez por até um mês. A formiga tem um significado especial e é muito respeitada por esses índios. Uma das espécies, a tocandira, é considerada como divindade e usada nos rituais de passagem. A picada é extremamente dolorosa, mas para demonstrar coragem, os meninos tem que colocar a mão dentro de uma espécie de luva cheia dessas formigas e resistir à dor, para depois disso, serem considerados adultos. Apesar dos 300 anos de contato com a sociedade nacional, mantêm a própria língua, organização social, usos e costumes.

 

Os Sateré-Mawé se vêem como inventores da cultura dessa planta, auto-imagem justificada no plano ideológico por meio do mito da origem, segundo o qual seriam os Filhos do Guaraná. O guaraná é o produto por excelência da economia Sateré-Mawé, sendo, dos seus produtos comerciais, o que obtém maior preço no mercado. É possível ainda pensar que a vocação para o comércio demonstrada pelos Sateré-Mawé se explique pela importância do guaraná na sua organização social e econômica.

21 – SURUÍ

– Nome: Suruí de Rondônia

Nomes alternativos: Aikewara, Sororós, Mudjetíre

Auto-denominação: Paíter, Paiter

Classificação lingüística: Tupi-guarani, Mondé, Suruí

População: 264 (Funasa – 2006)

Local: Pará, Rondônia, na fronteira entre Rondônia e Mato Grosso

Os Suruí foram contatados pela primeira vez em 1969. Não se sabe com certeza quantos suruí havia naquela época, mas calcula-se que pelo menos metade deles morresse de sarampo, tuberculose, e hepatite B durante os primeiros cinco anos após o contato inicial.

O primeiro censo, feito na década de 70, mostrou entre 200 e 300 indígenas suruí. No ano de 1988, havia por volta de 450. No último rescenseamento em 1999, havia 840 suruí. A população desta etnia continua a crescer desde os primeiros anos de contato, quando o grupo ficou bem dizimado.

Existe somente um dialeto da língua suruí. Há apenas umas pequenas diferenças quanto à pronúncia de alguns sons. Estas diferenças estão se tornando cada vez mais visíveis entre os jovens e os mais idosos. Fala-se cada vez mais português, e com esta mudança estão entrando muitos empréstimos na língua. As únicas diferenças quanto ao uso da língua pelos dois sexos ocorrem com termos relacionados a parentesco e às funções do corpo.

Mapa do Brasil localização tribos

SUYÁ

– Nomes alternativos: Suiá, Kisêdjê

Classificação lingüística: Jê

População: 351 (Funasa – 2006)

Local: Parte setentrional do Parque Nacional do Xingu, no Norte de Mato Grosso

Os índios Suyá vivem na Parte setentrional do Parque Nacional do Xingu, no Norte de Mato Grosso, com uma população de 140 pessoas. Falam uma língua que pertence ao ramo setentrional da família lingüística Jê, e partilham muitos traços da organização social e cultural com os outros membros dessa família lingüística. São mais intimamente relacionados aos Apinayé, aos Kayapó setentrionais, e aos Timbira. Os Suyá são menos relacionados em termos de língua e cultura aos Jé centrais (incluindo os Xavante e os Xerente) e os Jê meridionais (incluindo os Kaingang e os Xokleng). Além dos produtos de suas roças, os Suyá vivem da caça, da pesca e da coleta. Como conseqüência do contato com as frentes de expansão, a população Suyá talvez seja apenas 2O% do que foi outrora (1980). Isso se deve a massacres, a envenenamento e às repetidas epidemias que devastaram os dois ramos do grupo até sua pacificação em 1959 e 1969, respectivamente. A perda populacional levou a uma consolidação de todos os Suyá numa única aldeia. Na última década, porém, sua população tem crescido rapidamente; desenvolveram um sentimento de identidade étnica cada vez nais forte.

Povos Indígenas

TABAJARA

– Viviam entre a foz do Rio Paraíba e a ilha de Itamaracá. Aliaram-se aos portugueses. Deviam ser uns 40 mil

TEMBÉ

– Nomes alternativos:

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 1.425 (Funasa – 2006)

Local: Maranhão, Pará

0s Tembé têm sido obrigados a conviver com centenas de famílias de posseiros em suas terras e sofrem os efeitos da atuação irregular de madeireiros, fazendeiros e empresários. Entretanto, longe de conformarem-se com essa situação, esse povo têm lutado pela desocupação de seu território e reinvidicado seus direitos junto aos órgãos públicos e poderes locais.

TEMIMINÓ

– Ocupavam a ilha do Governador, na baía de Guanabara, e o sul do Espírito Santo. Inimigos dos tamoios, aliaram-se aos portugueses. Sob liderança de Araribóia, foram decisivos na conquista do Rio. Eram 8 mil na ilha e 10 mil no Espírito Santo.

Índios Temimimós do Espírito Santo

TAMOIO

– Os verdadeiros senhores da baía de Guanabara, aliados dos franceses e liderados pelos caciques Cunhambebe e Aimberê, lutaram até o último homem. Eram 70 mil.

TENHARIM

– Nomes alternativos: Tenharem, Tenharin

Auto-denominação: Kagwahiva

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 699 (Funasa – 2006)

Local: Amazonas.

Os Diahói moram no rio Marmelos, os Karipuna no Posto Rio Jaci Paraná em Rondônia, os Morerebi no Rio Preto e Marmelos. 2 aldeias

Povo indígena de língua Tupi-Guarani, que costumam enterrar os mortos debaixo dos pisos das casas. Acreditam que o espírito permanece morando no local e usando os utensílios que possuía quando era vivo. Para pescar, eles colocam dentro d’água um pedaço de madeira com desenho dos peixes que querem capturar. Fazem isso sempre debaixo de árvores frutíferas, mas acreditam que a fartura da pescaria é explicada unicamente pelos desenhos. Eles só não pescam o boto e o peixe-boi por serem considerados alimentos sagrados (tabu).

TERENA

– Nomes alternativos: Terêna, Tereno, Etelena

Classificação lingüística: Arawak

População: 19.961 (Funasa – 2006)

Local: Mato Grosso do Sul, em 20 aldeias e 2 cidades

O povo Terena mora principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, ocupando áreas entre Campo Grande, ao leste, e o Rio Miranda, ao oeste. Residem em mais ou menos vinte aldeias, havendo as maiores concentrações nas seguintes áreas:

1. Cachoeirinha/Moreira, na vizinhança de Miranda

2. Taunay-Bananal, entre Miranda e Aquidauana que fica uma hora de ônibus das duas cidades

3. Limão Verde, na área de Aquidauana

4. Buriti e outras aldeias perto, na vizinhança de Campo Grande

População: aproximadamente 20,000.

Povos Indígenas

A SIL começou a trabalhar entre os Terena em 1957. Naquela época, pensava-se que este grupo já tivesse sido bastante assimilado na sociedade brasileira. A sua antiga estrutura política tribal já não funcionava mais, e a maioria dos seus costumes e crenças tradicionais não estavam sendo praticados mais. Em ocasiões especiais como no Dia do Índio, 19 de abril, ainda fazem a Dança da Ema com as suas sete peças. Na região é conhecida como a dança do Bate-Pau. Embora os Terenas sejam um povo basicamente agricultor, mudanças significantes têm ocorrido durante os últimos cinqüenta anos. Com maior ênfase agora em adquirir uma boa educação escolar, há maior diversidade hoje em dia na maneira que ganham a vida.

23 – TICUNA

– Nomes alternativos: Tikuna, Tukuna

Classificação lingüística: Tikuna

População: 35.000 (2008)

Local: Amazonas

Maior etnia da Amazônia brasileira, conta com uma população de 20.135 indivíduos, que ocupam cerca de 70 aldeias às margens do rio Solimões, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru. As meninas, quando ficam menstruadas, são submetidas a um ritual de iniciação, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os índios fabricam máscaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens. Um dos índios usa uma máscara com cara de serpente e incorpora o espírito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na água. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo. Ele também ronda o cubículo onde fica a menina, batendo com um bastão no chão. Durante três dias e três noites, essa garota é protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher Tikuna: respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.

Com uma história marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental, bem como qualificar as relações com a sociedade envolvente mantendo viva sua riquíssima cultura. Não por acaso, as máscaras, desenhos e pinturas desse povo ganharam repercussão internacional.

Saiba mais sobre os índios Tikuna

TIRIYÓ

– Nomes alternativos: Tirió, Trio, Tarona, Yawi, Pianokoto, Piano

Classificação lingüística: Karib

População: 1.156 (Funasa – 2006)

Local: Amapá, Pará

Os Tiriyó que vivem no Brasil compartilham a faixa oeste do Parque Indígena de Tumucumaque (PIT), desde o final dos anos 1960, com os grupos Katxuyana e Txikuyana, assim como com alguns membros dos grupos Ewarhuyana e Akuriyó. Algumas famílias tiriyó encontram-se na faixa leste do PIT, convivendo mais com os Aparai e Wayana que habitam no médio e alto curso do rio Paru de Leste. No Suriname, onde vivem em maior número que no Brasil, os Tiriyó encontram-se nos rios Tapanahoni, Sipariweni e Paroemeu.

A experiência de convívio dos Tiriyó com não-índios, tanto no Brasil quanto no Suriname, se deu em um período relativamente recente, tendo ocorrido a partir de meados dos anos 1950 por iniciativa de militares e missionários. A partir dos anos 1990, além dos militares e missionários, passaram a atuar na região outras agências governamentais e não-governamentais.

TREMEMBÉ

– População: 2.049 (Funasa – 2006)

Local: Ceará

Grupo não-tupi, que vivia do sul do Maranhão ao norte do Ceará, entre os dois territórios potiguares. Grande nadadores e mergulhadores, foram, alternadamente, inimigos e aliados dos portugueses.

Eram cerca de 20 mil.

Os Tremembé foram citados em documentação histórica e em diversas obras do período colonial, tendo sido aldeados em certas missões, tanto no Maranhão como no Ceará, muitas vezes convivendo e fundindo-se a outras etnias também aldeadas pelos religiosos. Almofala foi o mais conhecido aldeamento dos Tremembé, tendo sido fechado na segunda metade do século XIX. Em 1857, suas terras foram doadas aos índios da antiga povoação, mas acabaram sendo invadidas gradativamente por latifundiários. Contudo, a população indígena continuou vivendo na mesma região, inclusive mantendo o ritual do torém. Chamados de caboclos ou descendentes de índios pelos regionais, os Tremembé passaram reivindicar o reconhecimento oficial de sua identidade étnica a partir da década de 1980. Em 2003, a Terra Indígena Tremembé Córrego do João Pereira foi a primeira a ser homologada no estado do Ceará.

TRUKÁ

– População: 4.169 (Funasa – 2006)

Local: Ilha da Assunção no médio São Francisco, município de Cabrobó – Pernambuco

Os remanescentes dos Truká, cerca de 826 índios, vivem a 18 quilômetros da cidade de Cabrobó, numa área de 1.650 hectares, na região do rio São Francisco, em Pernambuco.

A agricultura é seu principal meio de subsistência. Cultivam, principalmente, o arroz e a cebola. Na falta de chuvas as lavouras são irrigadas. Além do cultivo da terra, a única fonte de renda se limita a biscates na cidade de Ibimirim.

Habitantes seculares da Ilha da Assunção, no rio São Francisco, os Truká tiveram suas terras apropriadas desde pelo menos o século XVIII por poderes municipais, eclesiásticos e posteriormente estaduais. Nos dias de hoje, a comunidade truká luta pela conclusão do processo de reconhecimento oficial de seu território, bem como pela expulsão de posseiros não-indígenas e de narcotraficantes, uma vez que está localizada no chamado “Polígono da Maconha” no sertão pernambucano.

TUKANO

– Nomes alternativos: Tucano

Classificação lingüística: Tukano

População: 6.241 (Dsei/Foirn – 2005)

Local: Amazonas

São também chamados de Tucano, e a família lingüística Tukâno é dividida nos ramos ocidental, que compreende línguas faladas no Peru, Equador e Bolívia; e oriental, com as línguas Barasâna, Desâna, Karapanã, Kubéwa, Pirá-Tupúya, Suriâna, Tukâno e Wanâno, faladas desde a Colômbia até o Brasil, no Noroeste da bacia Amazônica. São extremamente vaidosos, gastam dias e esforços para capturar aves de plumagens belas, coloridas e variadas para fazer adornos. Eles também gostam de modificar as cores originais dando comidas especiais para as aves ou aquecendo as penas, processo conhecido como tapiragem. Usam até duas dezenas de aves para um único adorno. Estes enfeites são usados em rituais e aqueles que usam as peças mais bonitas são muito prestigiados pela tribo.

Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido.

TUPINAMBÁ

– Consituíam o povo tupi por excelência. As demais tribos tupis eram, de certa forma, suas descendentes, embora o que de fato as unisse fosse a teia de uma inimizade crônica. Os tupinambás propriamente ditos ocupavam da margem direita do rio São Francisco até o Recôncavo Baiano. Seriam mais de 100 mil.

Conhecidos também como Tamoio ou Tamuya, viviam numa faixa de litoral que ia da atual cidade de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, a Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. “Tamoio” significa avô, o mais velho, e “Tupinambá” talvez signifique o primeiro, o mais antigo. Os Tupinambá viviam sobretudo no estado do Rio de Janeiro, onde se calcula um total de 6 mil pessoas. O conjunto da nação Tupinambá nessa região não deveria ultrapassar 10 mil pessoas.

Três traços principais marcavam este povo: a inteligência, a guerra e a abertura para o novo.

Eram pessoas muito curiosas e observadoras. Um frade francês, Claude d’Abbeville, que teve contato com um grupo Tupinambá, no Maranhão, escreveu: “Imaginava que iria encontrar verdadeiros animais ferozes, homens selvagens e rudes. Enganei-me totalmente. São grandes discursadores, possuem muito bom senso e só se deixam levar pela razão, jamais sem conhecimento de causa”.

Saiba mais sobre os índios Tupinambá

 

Gravura em cobre de Theodor de Bry. Dança ritual dos Tupinambá.

No centro, três pajés com mantos de penas, cintos e diademas.

TUPINIQUIM

– População: 1.950 (Funasa – 2006)

Local: Bahia, Espirito Santo

Os Tupiniquim são, entre inúmeros povos indígenas, dos mais citados e paradoxalmente mais desconhecidos no Brasil. Foram os índios vistos por Cabral. Viviam no sul da Bahia e em São Paulo, entre Santos e Bertioga. Eram 85 mil.

25 – WAIANA APALAI

– Nomes alternativos: Apalai, Apalay, Appirois, Aparathy, Apareilles, Aparai, Waiana

Classificação lingüística: Karib

População: 317 (Funasa – 2006)

Local: Norte do Pará, Guiana Francesa e Suriname, Amapá, Parque do Tumucumaque, 3,8 milhões de hectares (equivalente a área da Bélgica)

Os Aparai e os Wayana são povos de língua karib que habitam a região de fronteira entre o Brasil (rio Paru de Leste, Pará), o Suriname (rios Tapanahoni e Paloemeu) e a Guiana Francesa (alto rio Maroni e seus afluentes Tampok e Marouini). No Brasil, eles mantêm há pelo menos cem anos relações estreitas de convivência, coabitando as mesmas aldeias e casando-se entre si. Por conseguinte, é muito comum encontrar referências a essa população como um único grupo, embora sua diferenciação seja reivindicada com base em trajetórias históricas e traços culturais distintos.

27 – WAI-WAI

– Nomes alternativos: Waiwai, Uaiai

Classificação lingüística: Karib

População: 2.914 (Zea – 2005)

Local: Amazonas, Pará, Roraima, Guiana

Povo de língua da família Karíb.

Vivem na área indígena Nhamundá-Mapuera, na fronteira do Pará com o Amazonas, e Waiwai, em Roraima.

A população é constituída por uma mistura de várias tribos atraídas e assimiladas por eles ao longo dos anos, entre as quais as dos Karafawyana, dos Kaxuyana e dos Hixkariana. Em 1990, segundo a Funai, somavam um grupo de aproximadamente 1250 índios que vivem nas áreas indígenas Nhamundá-Mapuera, no oeste do Pará, e Wai-Wai em Roraima.

Fazia parte da cultura deles a troca de mulheres capturadas de outras aldeias, consideradas como troféus de guerra. Com a chegada dos holandeses que colonizaram o Suriname, antiga colônia nas Guianas, os índios estabeleceram este mesmo tipo de relação, trocando mulheres por artigos europeus. Os holandeses se utilizaram desta prática para conseguir com que os índios, ao invés de trazer mulheres, capturassem os escravos negros fugidos.

28 – WAIÃPI

– Nomes alternativos: Wayampi, Wayãpi, Oyampi, Oiampi, Oyampik, Guayapi

Auto-denominação: Waiãpi

Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Subgrupo 8, Wayampi

População: 905 (Apina/Funai – 2008)

Local: Várias aldeias nos tributários do rio Amapari na parte leste do Amapá e nos rios Oiapoque e Camopi na Guiana Francesa; há também uns poucos falantes no rio Paru Leste, na parte nordeste do Pará, Brasil

Wajãpi é o nome utilizado para designar os índios falantes desta língua Tupi que vivem na região delimitada pelos rios Oiapoque, Jari e Araguari, no Amapá. São os mesmos Guaiapi, mencionados na região do baixo rio Xingu, sua área de origem, desde o século XVII.

WAIMIRI ATROARI

– Nomes alternativos: Kinja, Kiña, Uaimiry, Crichaná

Auto-denominação: Waimiri Atroari

Classificação lingüística: Karib

População: 1.120 (PWA – 2005)

Local: Amazonas, Roraima

São uma etnia do tronco lingüístico Karib, cujo território imemorial de ocupação se localiza ao sul de Roraima e norte do Amazonas. Eram mais conhecidos como Crichanás, quando segmentos expansionistas travaram seus primeiros contatos com eles, sobretudo a partir do Século XIX. Nos primórdios desses contatos, há duas estimativas sobre a população: uma que os dava como sendo seis mil pessoas; e a outra, em torno de duas mil. Suas terras eram pródigas em produtos de grande importância comercial para a época, atraindo assim a cobiça de colonizadores. A demografia dos Waimiri Atroari, que, em 1987, era de 374 pessoas, chegou a crescer registrando em 1999 830 índios.

Os Waimiri Atroari, durante muito tempo, estiveram presentes no imaginário do povo brasileiro como um povo guerreiro, que enfrentava e matava a todos que tentavam entrar em seu território. Essa imagem contribuiu para que autoridades governamentais transferissem a incumbência das obras da rodovia BR 174 (Manaus-Boa Vista) ao Exército Brasileiro, que utilizou de forças militares repressivas para conter os indígenas. Esse enfrentamento culminou na quase extinção do povo kinja (autodenominação waimiri atroari). A interferência em suas terras ainda foi agravada devido a instalação de uma empresa mineradora e o alagamento de parte de seu território pela construção de uma hidrelétrica. Mas os Waimiri Atroari enfrentaram a situação, negociaram com os brancos e hoje têm assegurados os limites de sua terra, o vigor de sua cultura e o crescimento de sua gente.

26 – WAURÁ

– Nomes alternativos: Waujá, Uaura, Aura

Classificação lingüística: Arawak

População: 410 (Funasa – 2006)

Local: Parque Xingu, Mato Grosso

Os Waurá moram na região sul do Parque Indígena do Xingu e figuram entre as nove comunidades indígenas que possuem a “cultura xinguana”. Embora a cultura seja a mesma, as línguas faladas nesta região vêm duma variedade de famílias lingüísticas. Estas línguas não são mutuamente inteligíveis, mas muitos dos índios são multilíngües, falando ou entendendo várias das línguas do “grupo cultural.”

Os Waurá vivem numa aldeia principal, dirigem também uma aldeia agrícola e um Posto Indígena de Vigilância. A população Waurá da aldeia principal anda por volta de 340, mas também há alguns Waurá vivendo em outras aldeias devido a casamentos inter-étnicos. As mulheres e crianças Waurás e mais da metade dos homens são quase monolíngües. Poucos sabem bem o português, e o português que sabem serve principalmente para compras e vendas.

Os Waurá são notórios pela singularidade de sua cerâmica, o grafismo de seus cestos, sua arte plumária e máscaras rituais. Além da riqueza de sua cultura material, esse povo possui uma complexa e fascinante mito-cosmologia, na qual os vínculos entre os animais, as coisas, os humanos e os seres extra-humanos permeiam sua concepção de mundo e são cruciais nas práticas de xamanismo.

XAVANTE

– Nomes Alternativos: Xavánte, Shavante, Chavante, Auwe, Awen, Akwe, Akwen

Auto-Denominação: A’uwé

Classificação lingüística: Macro-Jê, Jê

Agrupamento Akwén, Xavante

População: 13.303 (Funasa – 2007)

Local: Serra do Roncador, na parte leste do Mato Grosso, 60 aldeias

Língua : A’uwen, do tronco lingüístico Macro-Jê

A língua Xavante contém 13 consoantes e 13 vogais – das quais quatro são nasais. Termos de honra e carinho são usados com referência a outros, como os parentes por afinidade e os netos. Muitos destes relacionamentos chaves são atualmente refletidos na gramática da língua. Por exemplo, ao falar diretamente ao genro, um homem usará a forma gramática indireta (terceira pessoa) em vez das formas da segunda pessoa.

Atividade predominante : caça, pesca, coleta de frutos e palmeiras

Curiosidade : A organização cultural desse povo permanece intacta, e praticam a cerimônia de Furação da Orelha. Os Xavante são famosos também pelas suas Corridas de Tora de Buriti, onde os dois clãs competem numa espécie de corrida de revezamento, carregando por alguns kilômetros troncos de buriti que pesam até 80 kilogramas.

Os Xavante vivem em seis reservas demarcadas, no leste mato-grossense, zona norte oriental do planalto do Brasil Central. A região tem grande rede hidrográfica formada pelas bacias dos afluentes dos rios Kuluene-Xingu e das Mortes-Araguaia. É dessa região de floresta tropical, mato e savana, com árvores baixas e altas, que os índios retiram o alimento e os materiais para seus artesanatos, armas, instrumentos musicais e as ocas dispostas em forma circular. Se alimentam de caças, frutos, palmeiras e pescados.

Rituais : Sua organização cultural e social permanece ainda intacta como danças, cantos, pinturas corporais e cerimônias coletivas como o “Daporedzapu” (Furação de Orelha), que incluem os longos e complexos ritos de iniciação para meninos, culminando na cerimônia de furar orelha – no qual pequenos paus são inseridos no lóbulo das orelhas dos iniciados. Estes paus são usados – e em tamanhos progressivamente maiores – durante o resto das vidas deles.

Uma aldeia tradicional é construída com as casas dispostas em forma de ferradura de cavalo, dando-se o seu lado aberto para o rio. O domínio da mulher é a casa, cujo abertura sempre dá para o centro da aldeia.

As mulheres tecem um tipo de cesta incrivelmente forte, a qual elas usam para carregar os nenês recem-nascidos. A ampla alça da cesta passa pela testa da mulher, enquanto a cesta mesma fica deitada nas costas dela, livrando assim, as mãos da mulher para outros trabalhos.

XETÁ

– Nomes Alternativos: Héta, Cchetá, Setá

Classificação lingüística: Tupi-guarani

População: 86 (da Silva, C.L. – 2006)

Local: Serra dos Dourados, Paraná

Os Xetá são uma etnia em extinção, localizados na região da Serra dos Dourados.

Xetá, Héta, Chetá, Setá, Ssetá, Aré, Yvaparé e até Botocudo são as denominações pelas quais os Xetá podem ser identificados na literatura, relatos de viajantes e fontes documentais que tratam da presença de povos indígenas no espaço que hoje constitui o Estado do Paraná. Habitantes originais do noroeste paranaense, o território tradicional dos Xetá é conhecido como Serra dos Dourados, principalmente no espaço compreendido ao longo do rio Ivaí.

Os Xetá foram a última etnia do estado do Paraná a entrar em contato com a sociedade nacional. Na década de 40, frentes de colonização invadiram seu território, reduzindo-o drasticamente. No final dos anos 50, estavam praticamente exterminados. Hoje são oito sobreviventes dispersos nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

XOKLENG

– Nomes Alternativos: Bugres, Botocudos, Aweikoma, Xokrén, Kaingang de Santa Catarina, Aweikoma-Kaingang

Classificação lingüística: Jê

População: 887 (Funasa – 2004)

Local: Santa Catarina

Os índios Xokleng da TI Ibirama em Santa Catarina, são os sobreviventes de um processo brutal de colonização do sul do Brasil iniciado em meados do século passado, que quase os exterminou em sua totalidade. Apesar do extermínio de alguns subgrupos Xokleng no Estado, e do confinamento dos sobreviventes em área determinada, em 1914, o que garantiu a “paz” para os colonos e a conseqüente expansão e progresso do vale do rio Itajaí, os Xokleng continuaram lutando para sobreviver a esta invasão, mesmo após a extinção quase total dos recursos naturais de sua terra, agravada pela construção da Barragem Norte. Da família linguística Jê, hoje vivem pouco mais de 750 índios.

XUCURU

– Nomes Alternativos: Xukuru do Ororubá

Classificação lingüística: Tupi

População: 3 254 (Funai – 1992)

Local: Pernambuco

Os Xucuru, com uma população atual de cerca de 3.500 índios, vivem na serra do Ororubá, numa área de 26.980 hectares, no município de Pesqueira.

De acordo com vários pesquisadores, o nome da serra Ororubá possui diversas origens e significados: seria uma corruptela de uru-ybá – fruta dos urus, onomatopaico de várias pequenas perdizes; viria de “orouba”, uma palavra oriunda do cariri; seria de origem tupi, vindo de uru-ubá – fruta do pássaro ou ser corruptela de arara-ubá ou, ainda, poderia dizer respeito à expressão designativa da primeira tribo tapuia-cariri localizada na serra.

Sua presença na serra do Ororubá, vem desde a época da colonização portuguesa, como o comprovam alguns documentos. Provavelmente nunca tenham se afastado do local.

YANOMAMI

– Nomes alternativos: Yanoama, Yanomani, Ianomami, Yanomámi, Waicá, Waiká, Yanoam, Yanomam, Yanomamé, Surara, Xurima, Parahuri

Classificação lingüística: Yanomami

População: 15.682 (Funasa – 2006)

Local: Posto Waicá, Rio Uraricuera, Roraima; Posto Toototobi, Amazonas; Rio Catrimani, Roraima

Povo constituído por diversos grupos cujas línguas pertencem à mesma família, não classificada em troncos. Denominada anteriormente Xiriâna, Xirianá e Waiká, a família Yanomami abrange as línguas Yanomami, falada na maior extensão territorial, Yanomám ou Yanomá, Sanumá e Ninam ou Yanam, as quatro com vários dialetos. Os Yanomami vivem no oeste de Roraima, no norte do Amazonas e na Venezuela, num total de 20 mil índios.

Mapa do Brasil localização tribos

É o último povo indígena das Américas que conseguiu sobreviver mantendo seu patrimônio cultural e social. Seus membros, 7822 indivíduos, vivem dos dois lados da fronteira entre o Brasil e a Venezuela, próximo ao Pico da Neblina. Os Yanomami abrem várias trilhas para ligar as diferentes aldeias com as áreas de caça, os acampamentos de verão e as roças recentes e antigas. Eles fazem um constante rodízio entre esses lugares e com isso, a floresta se recupera com rapidez. Todos da tribo moram numa imensa casa coletiva e as crianças ocupam um lugar de destaque, suas necessidades são prontamente atendidas e seus pedidos sempre levados em conta. Embora haja um intercâmbio freqüente de mulheres e produtos, cada uma das aldeias tem completa autonomia política e administrativa. Esses índios queimam os seus mortos e comem as cinzas. Eles acreditam que os espíritos, que podem ser bons ou maus, habitam as plantas e animais. Os garimpeiros disputavam suas terras desde 1987, atraídos pelas grandes reservas de diamante, ouro, cassiterita e urânio, colocando em risco a sobrevivência do povo Yanomami. Em 1990, o governo brasileiro adotou medidas de proteção às terras indígenas, iniciando a retirada dos garimpeiros.

– A página sobre os índios Yanomami no site Survival.

YAWALAPITI

– Nomes alternativos: Iaualapiti

Classificação lingüística: Família Aruák

População: 222 (Funasa – 2006)

Local: Terra Indígena do Parque Xingu, em Posto Leonardo, em Mato Grosso

Atividade predominante : vivem da pesca, caça, roças de milho, batata doce, cará e mandioca. A caça é reduzida a algumas aves comestíveis como jacu, mutum, macuco e pomba.

Curiosidade : Eles têm o costume de trocar utensílios com os Aweti, com os quais também trocam mulheres.

Pequenos e robustos, os Yawalapiti vivem às margens de uma grande lagoa na Terra Indígena do Parque Xingu, a cerca de cinco quilômetros do Posto Leonardo. Os Yawalapiti aproveitam todos os recursos da região. Usam fibras de buriti para confeccionar redes e cestos, sapé para cobertura das casas, taquara para flechas, raízes e folhas como remédios. As mulheres cuidam do fornecimento da água para a aldeia, fiam o algodão, tecem as redes e esteiras de espremer mandioca, preparam a pasta do urucum, o óleo de pequi e a tinta de jenipapo usados na ornamentação corporal.

Entre as características comuns aos povos do Xingu estão o rico artesanato com belíssimos colares, cerâmicas e cestarias, a índole pacífica e os traços semelhantes na cultura como pinturas artesanais, corporais e produção alimentar, além de serem excelentes músicos e dançarinos.

Rituais : Como outros povos do Alto Xingu, eles se destacam na demonstração do Huka Hulka, luta corporal masculina praticada desde criança, além da Yamarikumã (lutas femininas).

Povos Indígenas

29 – YE’KUANA

– Nomes alternativos: Yekuana

Classificação lingüística: Karib

População: 430 (Moreira-Lauriola – 2000)

Local: Amazonas, Roraima

Os Ye’kuana, antigos viajantes na Amazônia, na floresta e na cidade, mostram como a articulação de espaços diferentes, dentro e fora de seu território tradicional, cria uma dinâmica que longe de descaracterizar sua identidade, pode favorecer um sistema de criação e manutenção de redes de apoio, de trocas econômicas, de informação e de projetos econômicos e sociais.

YUHUP

– Nomes alternativos: Makú-yahup, Yëhup, Yahup, Yahup Makú, “Maku”

Classificação lingüística: Maku

População: 360 no Brasil (1995 MTB); 600 em total (1986 SIL)

Local: Amazonas, num tributário do Rio Vaupés. Talvez também na Colômbia

ZO’É

Povos Indígenas

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