Líderes/Heróis Brasileiros

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A história nos mostra atos de heroísmo. Alguns pensam que o ato heroico representa dependência uns do outro. Há os que percebem como um ato louvável. Penso que  de uma certa maneira os lideres/heróis continuam sendo importantes. Mesmo na sociedade atual continuamos sentindo-nos sem autossuficiência, sem proteção dos grupos aos quais convivemos na sociedade. Muitos de nós atribuímos para outro a tarefa da proteção.

Corremos o risco de encontrarmos com heroísmo oportunista, quando alguém assume a liderança, com segundas intenções, há a possibilidade da dependência, o que pode contribuir para criação de gerações sem ação, sempre esperando que um herói resolva as questões necessárias para a melhoria de vida da sociedade como um todo, passando para o próximo o que ele mesmo poderia realizar.

Cobrando do outro resultado, o que é um drama, quando o outro decepciona o grupo que nele vê a figura do líder/herói. Normalmente vemos isso acontecer, quando os interesses do coletivo não são garantidos sendo atribuído, ao líder toda a responsabilidade do sucesso ou fracasso de algo. Pensar em uma educação critica e responsável, desde a pré-escola seria um caminho interessante, com a pretensão de todos serem responsáveis por si e pelo outro. Temos histórias de atos heroicos vitoriosos, nem sempre foi assim. Sabemos que os heróis/ lideres são necessários, como também sabemos que os atos heroicos de sucesso foram construídos com heróis/lideres em ações coletivas.

Joaquiam José da Silva Xavier - o Tiradentes

U m pouco de história… Inconfidência Mineira.

A partir da metade do século XVIII, a extração de ouro em Minas Gerais entrou em declínio. O governo português, no entanto, atribuiu a queda na produção ao provável contrabando e continuava exigindo pesados tributos dos mineradores. Em 1788, Visconde de Barbacena assumiu o governo de Vila Rica e, cumprindo ordens de Lisboa, colocou em prática a derrama – cobrança dos impostos atrasados.

Bandeira de Minas Gerais, que teve sua origem na Inconfidência Mineira. A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.

A par dos planos dos inconfidentes, o governador ordenou que Joaquim Silvério seguisse os passos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que na época estava no Rio de Janeiro, capital da Colônia. Tiradentes tentou fugir, mas acabou preso e assumiu sozinho a autoria dos planos. Condenado à forca, morreu no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Sua cabeça foi levada para Vila Rica e pendurada em praça pública. Começou, assim, a ser criado mais um mito nacional.

Joaquim José da Silva Xavier, O  Tiradentes

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes vira oficialmente herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

O Tiradentes. Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais. O nome da fazenda “Pombal” é uma ironia da história: O Marquês de Pombal foi arqui-inimigo de Dona Maria I contra a qual Tiradentes conspirou, e que comutou as penas dos inconfidentes.

Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes, um tanto depreciativa.

Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeada comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do “Caminho Novo”, estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro.

Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.

Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento de água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidensese a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil. Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.

Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado a forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.

No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.

O dia de sua execução, 21 de abril, é feriado nacional. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi renomeada em sua homenagem.

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Sobre luciadifatima
Que eu me lembre...sempre gostei de compreender a vida observando ou fazendo uso de imagens...quando adolescente amava fazer recorte e colagem...quando o professor de Arte pedia pra interpretar poemas e temas usando imagens de revistas velhas.O trabalho com a pesquisa de imagens era pra mim um encanto. Hoje sinto que as convivências humanas são direcionadas por eternos recortes e colagens...Humanamente recheados e colados por acertos e erros...os registros gravados neste espaço pretendem estimular e ampliar...reflexões...que busque a construção da melhoria das nossas convivências. O trabalho com educação que realizei durantes alguns anos, principalmente com crianças, amplia a esperança em nos tornarmos cada vez mais humanos. Provavelmente trocaremos saberes sobre mil coisas. Agradeço sua participação e a sua significativa contribuição neste processo de emancipação cidadã para todos e com todos.

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