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© Tempestade em copo d’água? Debate.

Belo monte

 Artigo – Respondendo à Turma da Globo: Por que temos que construir Belo Monte?

 

POR: Prof. Sebastião de Amorim – Departamento de Estatística – UNICAMP

 

”A usina custará 30 bilhões de reais”

 

● Cuidado! Os engenheiros da Eletronorte, que há décadas estudam a questão e já avaliaram a obra, estimam o custo em R$19 bilhões.

 

Quem avalia em R$30 bilhões é a grande mídia, citando “o mercado”. Devem estar incluindo aí o tradicional super faturamento.

 

Com o qual a “turma da Globo” parece concordar.

 

● Agora, verifique sua última conta de luz: você paga algo em torno de R$0,40 por quilowatt.hora (kWh) consumido.

 

Em sua versão plena a represa de Belo Monte cobrirá uma área de cerca de 1200km² (não apenas 640km²) e gerará, de forma estável, 11,3 Giga watts (ou 15,4 milhões de HP) de potência. Ou seja:

 

área inundada=1200 km2 ↔ potência gerada=11,3 Gigawatts

 

● Nesse ritmo, ela produzirá, por ano, 100 bilhões de kWh de energia. Entregue ao consumidor final (ou, como se diz, na ponta do consumo) o valor gerado é de R$40 bilhões, por ano, todo ano, por toda a duração da usina.

 

Produção anual da usina: 100 bilhões de kWh ↔ R$40 bilhões

 

Então?

Você acha caro o custo total de R$19 bilhões?

 

O custo estimado não é R$30 bilhões.

Vamos dizer NÃO ao superfaturamento.

 

“A usina gerará, de fato, apenas um terço de sua potência máxima”

 

● Numa usina hidroelétrica, o papel da represa é regular o fluxo d’água ao longo do ano, estocando o excesso na estação chuvosa. Com essa “poupança” hídrica, ela mantém um fluxo estável nas turbinas, mesmo na estação seca.

 

● Na Amazônia, como em todo o Brasil, o fluxo dos rios varia bastante ao longo do ano: muita água na estação chuvosa e menos água na seca. No Nordeste alguns rios chegam a secar completamente nas estações secas.

 

● Para garantir um fluxo estável durante todo o ano, a represa de Belo Monte terá que cobrir uma área de 1100 km2. Equivalente a 2 meses do desmatamento caótico, a motosserra e fogo e geralmente ilegal, verificado em 2010. Ou 2 semanas do de 2004.

 

● Pressões de organizações internacionais, que se apresentam como defensoras do meio ambiente, associadas a diversas organizações e celebridades nacionais, muitas delas movidas por sentimentos sinceros, exigem que Belo Monte não seja construída.

 

● Por não abrir o debate ao grande público, buscando apoio popular amplo, o governo fica em posição enfraquecida, e tem medo de peitar essa pressão.

 

● Por isto assume uma opção de compromisso, extremamente danosa aos mais legítimos interesses do povo brasileiro. Segundo esta opção restrita:

 

A usina será construída, mas numa versão pequena,

com a represa cobrindo área de apenas 600km².

 

 

● Assim reduzida, a represa não estocará água suficiente nas chuvas, e a usina perderá potência nas secas. Nos meses de seca, o reservatório perderia fôlego e a potência média ao longo do ano seria 60% menor.

 

● Curiosamente, este que agora é citado como um “grave problema da usina”, seria uma conseqüência da adoção da versão reduzida, exigida pelos opositores do projeto.

 

● Com seu projeto original fortemente comprometido, a terceira maior hidrelétrica do planeta ficaria reduzida a uma potência média equivalente a menos que 40% do seu potencial pleno original.

 

● 100 bilhões de kWh por ano, equivalentes a R$40 bilhões de valor gerado na ponta do consumo, ficariam reduzidos a 35 bilhões de kWh e R$13 bilhões. Certamente uma perda gigantesca para o País.

 

A Usina Inundará 640 km2 de mata virgem

 

● Como vimos, na sua versão correta, a área inundada será cerca de 1100km2.

 

● Agora, dê uma olhada na “floresta virgem” que a represa cobrirá. Faça uma “viagem aérea” sobre a área da usina.

 

● Use o “Google Earth”. Vá para o ponto de coordenadas 3o12’ 42” S e 52o 12’ 42” O. Mantenha-se, inicialmente, a uma altura de 200km. Você estará sobre a cidade de Altamira e a grande volta do Rio Xingu (Figura 1).

 

● Observe a região embaixo. Desça a altitudes menores para poder apreciar detalhes em bom nível de resolução. Parte da região está coberta por fotos de excelente resolução; outras, nem tanto. Mas você verá que resta muito pouco de mata virgem na região. A imensa maioria da área que será inundada, já foi desmatada, aparentemente com retorno econômico e social pífios.

 

● A verdade é que a represa cobrirá muito pouca área de floresta virgem. Na maior parte serão áreas já há muito desmatadas, e sem retorno econômico ou social aparentes.

 

● Preste atenção particularmente numa grande mancha retangular começando a oeste de Altamira, e se estendendo por 75km na direção sudoeste.

 

● Um retângulo quase perfeito, de área, por coincidência, igual à que será inundada pela usina na sua versão plena. Quase não há árvore nele. Também não se vê, nesse retângulo, vestígios significativos de atividade econômica ou de valor, que redimam, que justifiquem o desmatamento. Na sua extremidade oeste há um pequeno vilarejo cujo nome homenageia o ditador Garrastazu Médici.

 

● Curiosamente, o processo de desmatamento que corroeu a Selva Amazônica no entorno do Xingú, na região de Belo Monte passou em grande parte despercebido, até que se começou a falar a sério da usina de Belo Monte.

 

●No ano de 2010 apenas, segundo o INPE, foram desmatados, na Amazônia Brasileira, cerca de 7.000km2. Dá uma Belo Monte a cada 2 meses. Em 2004 foram 28.000km2, uma Belo Monte a cada duas semanas, de desmatamento caótico, a motosserra e fogo, com retorno, econômico e social, desprezíveis.

 

Figura 1 – desmatamento na Amazônia – em azul, a área total da represa

 

Figura 2– Um trecho da foto acima, visto de cinco mil metros de altura, mostra o estado da “floresta virgem”, na área da Usina.

 

Figura 3 – A região de Belo Monte vista de 200km de altura, no Google Earth. Note o nível do desmatamento, particularmente o retângulo de 1000km2, a oeste de Altamira.

 

 

Quem pagará pela construção da Usina?

 

Uma das mais intrigantes questões levantadas pela “Turma da Globo” foi, curiosamente, respondida corretamente por eles mesmos:

 

“Quem pagará pela construção da usina!? Você… o palhaço aqui!”

 

E nos chamou palhaços porque nós é que vamos pagar.

 

Realmente, somos nós que pagaremos a Usina. Com dinheiro, nosso, do Povo Brasileiro, do Tesouro Nacional. Felizmente, graças à progressiva recuperação do Estado Brasileiro na última década, temos dinheiro para bancar a obra, sem precisar de financiamentos estrangeiros nem de submeter nossa soberania ao FMI ou Banco Mundial.

 

E parece MUITO BOM, apesar da opinião aparentemente contrária da “Turma da Globo”. Vejamos, se eles têm razão quanto ao “palhaço”.

 

Como poderia ser diferente? Com dinheiro de bancos privados nacionais e estrangeiros?

 

O problema é que, aí, eles iriam ser donos da Usina… pelo menos por um período de uns 30 anos. O tal regime de concessão: eles entram com a grana, mas ficam com a Usina.

 

Como vimos, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, é um belíssimo projeto… do ponto de vista do retorno econômico, mesmo. Você investe R$19 bilhões e produz, na ponta do consumo, R$40 bilhões… por ano! E a usina estará lá, funcionando, pelos próximos 100, 200 anos. Nenhuma outra fábrica tem tal esperança de vida útil. De forma perfeitamente limpa e renovável. É claro que, além da geração, ainda tem transmissão e distribuição, antes da energia chegar às nossas casas, às avenidas, aos metrôs, às fábricas, aos hospitais, aos estabelecimentos comerciais, às escolas. Muita empresa pegará parte do resultado. Dos R$0,40 por kWh que você paga (verifique sua conta de luz), uns 10 centavos são imposto. Imagine: são R$10 bilhões de arrecadação para o Governo Federal. Imagine que dos R$30 bilhões restantes, um terço apenas fique com a Usina (a EletroNorte, a Eletrobrás, o Tesouro Nacional). São mais R$10 bilhões por ano… R$20 bilhões, por ano. Para R$19 bilhões totais investidos.

 

Um belíssimo negócio, sem dúvida.

 

Queremos, sim, pagar por ele, e queremos que ele seja do povo Brasileiro. Não de alguns grupos privados nacionais/internacionais.

 

Aliás, o regime de concessão que se discute nesse momento para Belo Monte é realmente inovador. Nós (via financiamento subsidiado do BNDS, com dinheiro público, isto é, nosso!) entramos com o dinheiro, e o grupo empresarial vencedor pegará a grana e a Usina. Pagarão em parcelas suaves, com parte da renda. {Cuidado, Marcos Palmeira, Bruno Mazeo. Vocês podem estar, inadvertidamente, jogando contra o patrimônio. Contra o Povo Brasileiro… o seu povo, afinal.}

 

Obviamente, não devemos aceitar isto: Nós entramos com o recurso natural e com os recursos humanos e financeiros. Nós somos os donos da Usina e dos seus gigantescos resultados econômicos.

 

Agora, a propósito dos R$ 19 bilhões de custo da Usina, é surpreendente que a “Turma da Globo” não tenha se manifestado com respeito à manchete do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 08set2011, reproduzida na Figura 4.

 

Figura 4 – matéria de primeira página d’O Estado de S. Paulo, do 08-set-2011. Demos praticamente uma Belo Monte para banqueiros falidos. Parece que ninguém achou importante protestar. Doar bilhões para alguns bilionários pode, né?

A Energia hidroelétrica não é uma energia LIMPA

 

Uma usina Hidroelétrica é um tipo curioso de fábrica: Ela usa água como matéria prima e produz, como resíduo industrial, … água. Mais nada. Nada de poluição, de gases tóxicos, nada. A mesma água que entra – a matéria prima – é a que sai, como resíduo. Sai exatamente tão limpa como entra. Curioso, não?

 

A única diferença: a matéria prima é água em local alto – portanto tem energia potencial – e o resíduo é a mesmíssima água, só que em local mais baixo, portanto sem aquela energia potencial.

 

A energia potencial extraída da água que entra nas turbinas, faz girar as turbinas, é transformada, portanto, em energia mecânica. Há aí, é claro, uma pequena perda por atrito. A rigor, a água na saída da turbina é um pouquinho mais quente. Um centésimo de grau centígrado mais quente, talvez.

 

Estas giram os geradores, que produzem energia elétrica (Quatro mil litros de água, descendo de uma altura de 100 metros, entrega aproximadamente 1kWh de energia mecânica às pás da turbina. Dá dois banhos de 12 minutos cada em chuveiro de 2500w; ou para manter uma lâmpada de 25w, dessas modernas, acesa por 40 horas. E você paga R$0,40 por essa energia, entregue em sua casa. É muito engenhoso.)

 

A disponibilidade de água em locais altos, se constitui em riquezas naturais das nações, tão concretas como as reservas de petróleo, só que eternamente renováveis. E as reservas de potencial hidrelétrico do Brasil são invejáveis.

 

As turbinas capturam a energia potencial da água e a transformam em rotação, em energia mecânica. Os geradores transformam esta energia mecânica em energia elétrica. O processo é muitíssimo engenhoso e, no fundo, de uma simplicidade surpreendente.

 

A Energia Elétrica, extremamente versátil, é transportada, injetada na rede nacional de transmissão, sendo disponibilizada em todo o país, de acordo com as necessidades sazonais de cada região.

 

Na verdade, linhas de transmissão adicionais deverão ser construídas para integrar Belo Monte à Rede Nacional. Naturalmente.

 

Limpíssima e absolutamente renovável, a construção da usina implica em algum dano ambiental, certamente.

 

Populações ribeirinhas, vivendo nas áreas a serem inundadas, deverão ser realocadas.

 

1100 km2 de área serão inundados. Corresponde à área desmatada a cada dois meses em 2010, e a cada 2 semanas em 2004.

 

A vegetação inundada morrerá e, ao longo dos anos, irá se decompondo e lançando gás metano na atmosfera. Este é um gás de estufa que, na atmosfera, com o tempo se transforma em gás carbônico. Isto, aliás, acontece com o desmatamento a motosserra e fogo, que aliás, já ocorreu na região. Só que muitíssimo mais rápido, sem o estágio metano, e sem retorno econômico ou social significativos.

 

Vejamos a alternativa:

 

Para crescer 5% ao ano, o Brasil precisará de aumentar em pelo menos 25% sua produção de EE até 2015. Sem construir Belo Monte, a solução seria a construção de 113 usinas termoelétricas de 100 Mega watts cada. Essas usinas queimariam por ano milhões de toneladas de carvão mineral (importado e caro).

 

Termoelétricas não são nada limpas. Pelo contrário, elas são muito sujas!

 

Cada milhão de toneladas de carvão queimado jogará na atmosfera 3,67 milhões de toneladas de gás carbônico, mais uma lista tétrica de gases poluentes, tóxicos diversos derivados do Nitrogênio e do Enxofre. Chuva ácida e poluição pesada traria danos gigantescos ao meio ambiente.

 

O brasileiro consome, em média, pouquíssima energia elétrica. Nosso consumo domiciliar médio é pífio quando comparado ao de países como Grécia e Portugal, para não falar dos países mais ricos, como França, Austrália, Itália, Canadá e Estados Unidos.

 

Com a melhoria das condições sociais das camadas mais pobres da população, estamos vendo uma alta acelerada do consumo domiciliar médio. Consumo de EE está associado a bem estar, a padrão de vida.

As comunidades indígenas e demais populações ribeirinhas da região serão prejudicadas

 

Também aqui a “Turma da Globo” acertou na mosca, embora de uma forma curiosa, ao avesso avesso.

 

Como vimos, Belo Monte produzirá, em regime permanente, um fluxo colossal de riqueza. Alem, é claro, de injetar na Máquina Brasil, energia limpa e abundante.

 

É claro que grupos econômicos nacionais e estrangeiros salivam quando pensam na possibilidade de pegarem este imenso patrimônio econômico da Nação Brasileira, em concessão por 30 anos, principalmente considerando que não precisarão de entrar com capital próprio.

 

A luta pela não construção de Belo Monte é uma LUTA ERRADA, contrária aos interesses do Povo Brasileiro em geral, e daqueles diretamente afetados, em particular.

 

Temo pelos nativos e outros povos da região, nossos irmãos.

 

Quando esses movimentos ambientalistas se cansarem do tema e jogarem a toalha, como já jogaram com relação à Transposição do São Francisco.. Sendo seduzidos em direção a um beco sem saída, a uma opção de luta sem perspectiva de vitória, ele serão, no final, abandonados e esquecidos por esses mesmos movimentos que terão, assim, as suas profecias sombrias plenamente realizadas.

 

E Belo Monte seria apropriada por grupos privados: 100 bilhões de kWh, R$40 bilhões por ano de riqueza natural do povo brasileiro sendo privatizados, apropriados pelo grande capital.

 

Como pode vir a acontecer com o petróleo do Pré-sal, desde que o tema saiu da pauta, caiu da moda.

Uma proposta de Luta por Belo Monte

 

1. Exploração plena do potencial hidrelétrico de Belo Monte

2. Construção da Usina com recursos públicos – hoje disponíveis, graça à progressiva recuperação econômica do Estado Brasileiro – com operação e exploração pelo complexo estatal Eletrobrás

3. Construção e Operação em regime de plataforma, impedindo o processo de urbanização caótica descontrolada do entorno da usina. Investimento sério na infra-estrutura urbana em Altamira, transformando-a em uma cidade modelo para a Amazônia.

4. Construção de amplo e eficaz sistema lateral de passagem ao largo da represa, que permita o trânsito fácil de espécies aquáticas ao longo do rio.

5. Investimento social dos recursos gerados.

a. Sustentação financeira de um sistema eficaz de Proteção e Defesa da Floresta Amazônica, contra o processo de devastação caótica e irregular da mesma.

b. Redução a zero do processo de desmatamento caótico, a motosserra e fogo, na Amazônia (hoje no ritmo de 6.000 km2por ano), antes da inauguração da usina.

c. Tratamento digno e generoso das populações nativas deslocadas pela represa:

i. Concepção e construção de rede de aldeias/vilas, com apoio e orientação de antropólogos, arquitetos, sociólogos, agentes de saúde, e a participação direta de representantes das comunidades envolvidas, com:

1. Suprimento de eletricidade (naturalmente!) e água tratada;

2. Serviços de telefone;

3. Escola;

4. Posto Médico;

5. Centro Cultural com biblioteca, videoteca, discoteca;

6. Conexão Internet banda larga;

7. Campo de pouso… etc

d. Suporte logístico e financeiro a um Centro Avançado de Estudos Amazônicos, no entorno da usina, a ser operado por um consórcio de universidades e centros de pesquisas brasileiros (INPA, EMBRAPA, INPE, FIOCRUZ, etc.) e internacionais conveniados (em especial das nações Amazônicas).

e. Fomento a programas eficazes de recuperação de áreas ambientais degradadas em todo o país, com ênfase nas bacias hidrográficas, em particular a Bacia do S. Francisco.

f. Implantação de Base Militar na área da Usina, integrada ao Sistema Nacional de Defesa da Amazônia*.

g. Apoio financeiro a programas nacionais de racionalização e eficiência do uso de energia.

h. Apoio financeiro a sistemas de transporte público (metrôs nas principais metrópoles brasileiras: S. Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Fortaleza, Goiânia).

i. Apoio financeiro de programas de pesquisa científica e tecnológica sobre novas fontes de energia e novos equipamentos mais eficientes, em universidades e centros de pesquisa brasileiros.  

 

 

 

 

TV BRASIL. CIDADANIA.

TV BRASIL AMPLIANDO E MANTENDO QUALIDADE DE PROGRAMAÇÃO PARA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA.

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CONSCIÊNCIA NEGRA 20 DE NOVEMBRO. A LUTA CONTINUA.

Reforçar sempre a luta por políticas públicas justas,humanas, solidárias,igualitárias para todos em todos os aspectos da nossa natureza humana.

                                                                                                                               Herói da resistência à escravidão

Zumbi nasceu em uma das aldeias do então Quilombo de Palmares, entre Pernambuco e Alagoas, provavelmente em 1655, e foi morto na atual Serra dos Dois Irmãos, em Viçosa (AL), em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é símbolo da penosa e brava luta dos negros contra a escravidão. Como uma espécie de rei do Quilombo de Palmares, incentivou a fuga dos escravos e enfrentou várias expedições de extermínio até retirar-se para a guerrilha. Traído, foi morto numa emboscada.

 
 

Reforçar sempre a luta por políticas públicas justas,humanas, solidárias,igualitárias para todos em todos os aspectos da nossa natureza humana.

Reforçar sempre a luta por políticas públicas justas,humanas, solidárias,igualitárias para todos em todos os aspectos da nossa natureza humana.

Reforçar sempre a luta por políticas públicas justas,humanas, solidárias,igualitárias para todos em todos os aspectos da nossa natureza humana. “Não sou descedente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados.”

Reforçar sempre a luta por políticas públicas justas,humanas, solidárias,igualitárias para todos em todos os aspectos da nossa natureza humana.
‘Meu pai sempre dizia; Não levante a sua voz melhore os seus argumentos”

NEGROS NA TV -Ver TV DISCUTE…

A televisão ajuda na formação da consciência negra? Este Ver TV discute a presença do negro na televisão brasileira. Até que ponto a televisão colabora com o aumento dessa consciência ou apenas reforça preconceitos? Essa e outras questões serão debatidas como parte das comemorações da semana da consciência negra.
O apresentador Lalo Leal receberá o apresentador de televisão e vereador de São Paulo, Netinho de Paula; a presidente da Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racional, Sionei Leão; e o apresentador do programa Paratodos da TV Brasil, Big Richard.
 

http://www.seppir.gov.br/copy_of_acoes/copy_of_Principal.2007-11-18.5002

 

Vida e morte são extremos intrinsicamente relacionados. Somos finitos.

Vida e morte são extremos intrinsicamente relacionados.

Nos humanos desde sempre ao criarmos culturas com o propósito de alguma maneira relacionarmos melhor e com um tanto de satisfação com o desconhecido com o qual convivemos, estabelecemos diversos rituais para nos adaptar e suportarmos as incertezas do que chamamos vida e morte. Essa adaptação foi construída historicamente ao longo da historia do homem. Quando nos adaptamos em diferentes situações, sofremos conflitos que de uma ou de outra maneira são sublimados com dozes suportáveis de dores. Assim adapta-se a raça humana. O fato de estar vivo ou estar morto é acompanhado por diferentes rituais na sociedade humana. De acordo com a cultura que você pertence o olhar sobre a vida e a morte diferencia-se. Trago comigo um pouco dos rituais de celebração do final de nossa jornada após nossas vidas. A nossa morte. Sinto que pensamos na morte naturalmente porque estamos vivos, celebramos a morte, pois de alguma maneira somos gratos pela vida. Cresci em uma cultura que percebia a morte como perdas, enquanto perdas principalmente de pessoas queridas, somente depois de sublimada a dor, superando o ritual da perda conseguimos verbalizar sentimos que se misturam durante o processo da perda, então conseguimos perceber que vivenciamos o ritual da morte. E sobrevimos. Percebo que após superar o processo da elaboração da morte, a vida ganha um sentido maior, mais frágil e magnificamente inexplicável em seus milésimos de segundo. Na contemporaneidade o reconhecimento da nossa finitude manifesta-se como algo cada vez mais indesejado. Somos finitos esta é nossa definitiva certeza. E a vida? A vida é dura, triste, frágil, doce e bela encantadoramente bela. As pessoas em suas diferentes culturas demostram o respeito ao ato de estar vivo. Com a dor da morte. Por Lúciadifátima

Nem sempre o homem teve tanto medo da morte como na contemporaneidade… o ato de negar a morte…dificulta lidar e elaborar a sua condição humana. Condição finita.
O ritual da morte passou de evento público nas antigas civilizações ao ritual privado nos dias atuais.  Como disse José Saramago que escreveu sobre a morte tantas vezes: O contrário disso é a preocupação que temos hoje de fazer de conta que a morte não existe. Obliterá-la, tirá-la da paisagem. Isso é o que nós fazemos. Os funerais já não atravessam as cidades.
Epicuro – Por que ter medo da morte?  Enquanto somos, a morte não existe, e quando ela passa a existir, nós deixamos de ser.
Desde os primórdios da civilização, a morte é considerada um aspecto que fascina e, ao mesmo tempo, aterroriza a humanidade.

É preciso elaborar nosso luto.

A elaboração do luto
A elaboração do luto – em casos de mortes – não pode ser considerada completa sem os rituais fúnebres. Essas celebrações, além de possibilitarem contatos afetivos e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido. Em todas as sociedades existem ritos e mitos sobre a morte, pois ela implica a tomada de providências práticas e a reordenação das relações sociais. Existem também questões lógicas que os rituais têm que resolver.
A morte é um grande desorganizador cultural; e a cultura encontra respostas para ela por meio dos rituais, que juntam as pessoas, dão uma condição segura para a expressão dos afetos e ajudam no processo de construção do significado. Os rituais fúnebres – e a elaboração do luto em si – sofrem mudanças de acordo com os processos económico-sociais vividos pelas sociedades. A tendência, hoje, é fazer tudo depressa, o mais indolor possível, reduzindo-se a simbologia ao mínimo necessário. As pessoas, por exemplo, não usam mais o preto para significar a morte, cor que tem uma função importante, pois comunica ao mundo uma situação especial vivida pela pessoa, que merece um tratamento diferente, a nossa cultura atual desqualifica os rituais e tira um pouco do seu valor. Isso tem consequências: as pessoas não conseguem fazer o processo de luto. O luto – e o seu ritual – também pode ser coletivo, quando a comoção por perdas mobiliza grandes massas. Nos antigos ritos em casos de mortes familiares, as pessoas participavam no ritual, que era um evento público. Hoje os rituais fúnebres tendem a ser escondidos, muito mais secos e assépticos. As principais tradições religiosas existentes no mundo – judaísmo, cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo – possuem seus próprios rituais e explicações para a morte.
 
Estudos recentes como este realizado pela revista Saber Acadêmico nº6- Dez. 2008/ ISSN 1980-5950.Predende nos ajudar a refletir sobre, nossa postura diante da morte nos tempos atuais.
Após percorrer várias culturas e religiões é possível verificar que embora a morte tenha um caráter universal, pois o homem está fadado a sua condição de ser finito. As representações deste em relação à morte sofrem alterações significativas no tempo e no espaço, fato este que pode ser observado no decorrer da história da humanidade. Fica claro que na cultura ocidental a ruptura ocorrida a partir da segunda metade do século XX, na qual a morte deixa de ser “familiar”, “doméstica” e passa a ser um “tabu”, algo no qual o homem pós-moderno tenta fugir, a fim de não lidar com a mesma. Porém, a sua condição de mortal não permite que esta “fuga” seja bem sucedida, pois esta faz parte do ciclo vital, de forma que o homem terá que lidar com a morte dos seus entes queridos e por fim enfrentar a própria morte. É evidente que, embora esta atitude de não lidar com a morte não evita que esta o atinja, porém impede é que o homem crie meios de enfrentar e elaborar aquilo que é inevitável, pois tal como diz o ditado popular “a maior certeza que o homem pode ter é que um dia há de morrer”.
 

Mesopotâmia

Mesopotâmia
A sociedade Mesopotâmica sepultava seus mortos com tamanho zelo que juntamente com o corpo eram postos vários pertences que marcavam a identidade pessoal e familiar do  mesmo (roupas, objetos de uso pessoal e até mesmo a sua comida favorita), garantindo assim que nada lhe faltaria na travessia do mundo da vida para o mundo da morte, implantado no subterrâneo terrestre. Este rito objetivava a representação de morte que os mesopotâmios tinham, que era a de passagem.

Os gregos

Os gregos
Já os gregos tinham como característica cultural nos seus ritos funerários a prática de cremar os corpos dos mortos, com o intuito de marcar a nova condição existencial destes, a condição social de mortos. Entretanto, havia dois tipos de mortos basicamente: os mortos comuns e anônimos e os heróis falecidos. Os primeiros eram cremados e enterrados coletivamente em valas, uma vez que eram vistos como simples mortais. Já o segundo tipo era levado à pira crematória, reservada para os grandes heróis, na cerimônia da bela morte, uma vez que nas representações dos gregos esse tipo de morte tornava imortal o morto. Esse tipo de simbolização da morte pode ser constatada na obra de Homero, denominada Ilíada, onde o autor aponta Aquiles como o melhor dos gregos em função de seus atos de bravura (GIACOIA, 2005).

A morte

A morte e as religiões
Os hindus, como os gregos, tinham o costume de incinerar os corpos. Entretanto, o sentido era completamente diferente, pois os gregos cremavam com o intuito das cinzas guardarem a memória dos mortos. Já os hindus cremavam o cadáver, o qual era despojado de sua identidade, personalidade e inserção social. Uma vez consumido pelo fogo, as cinzas eram lançadas ao vento ou nos rios. Através deste ritual os hindus objetivavam a sua representação da morte que consistia na passagem para outro plano da existência: o fundir-se com o Absoluto, o
acesso ao Eterno, ao Nirvana, ou seja, à paz originária. Ao contrário dos gregos, para os hindus a grande personalidade não era o herói, nem o rei, mas sim aquele que fosse capaz de negar-se a si mesmo, despojando-se de seus traços individuais. Com isso, o indivíduo admirável para os hindus eram os ascetas, os monges, os quais despojavam-se a tal ponto de abrir mão dos dois mais poderosos mananciais da vida: o desejo de conservação e de reprodução. Estes não tinham os corpos cremados, mas eram enterrados em posição de meditação, em covas nos lugares sagrados, nos quais eram realizadas peregrinações e indicavam para os hindus que o verdadeiro sentido da vida era o despojamento do corpo, o que resultaria numa preparação para a morte gloriosa (GIACOIA, 2005).
Já para a civilização cristã e para boa parte dos judeus (aqueles que acreditam na ressurreição) a morte era vista como passagem para outra dimensão, a transposição ao eterno sofrimento e expiação (inferno), ou o acesso ao eterno gozo, reservado aos bem-aventurados (o paraíso). A morte para os cristãos era um estágio intermediário, um sono profundo do qual acordariam no dia da ressurreição, quando as almas voltariam a habitar os corpos. É devido a essa crença que os cristãos há muito tempo enterram os corpos dos defuntos com grande escrúpulo. “Essa idéia introduziu uma nova percepção e poupou gerações ao longo de séculos da ideia aterradora do fim definitivo” (FLECK, 2004, p. 1999 Apud GIACOIA, 2005).
 
Civilização Ocidental
A morte e a Civilização Ocidental É importante salientar que a sociedade ocidental tem as suas raízes na civilização grega, berço do pensamento ocidental, bem como no judaísmo e no
cristianismo, religiões estas que influenciaram muito a cultura ocidental, a qual será abordada a partir da Idade Média até a Idade Contemporânea.
 
Idade Média
Na idade Média
Na Idade Média é possível identificar mudanças significativas em relação à morte e ao morrer em dois momentos: na primeira Idade Média ou alta Idade Média (do século V até o XII) e na segunda Idade Média ou baixa Idade Média (do século XII até o XV).
Primeira Idade Média
Na primeira Idade Média a morte era “domesticada”, “familiar”, ou seja, havia certa intimidade entre o morrer e o cotidiano da sociedade, a tal ponto que este ato era
encarado como algo natural da vida. Era comum o moribundo, pressentindo a chegada de sua morte, realizar o ritual final, despedir-se e quando necessário reconciliar-se com
a família e com os amigos, expunha suas últimas vontades e morria, na esperança do juízo final quando alcançaria o paraíso celeste. É por isso que nesta época a morte
súbita, repentina era considerada vergonhosa e às vezes considerada castigo de Deus, pois a morte casual inviabilizava o processo do morrer descrito acima.
Era comum os parentes e amigos logo após a morte do moribundo romper em grandes manifestações de luto. “Tão logo se constatava a morte, irrompiam em torno às
cenas mais violentas de desespero” (ARIÉS, 1989b, p. 153). Os defuntos eram enterrados somente com os sudários (sem caixão) em grandes valas, nas quais eram depositados vários cadáveres, nesta época não se tinha a necessidade de um túmulo próprio para o morto, o qual seria sua propriedade perpétua. O cemitério e a igreja se confundiam, uma vez que os mortos eram enterrados tanto no interior das igrejas (ricos) quanto no seu pátio (pobres). Está prática está ligada à idéia de que uma vez enterrados perto dos santos e mártires estes guardariam os mortos enterrados ao seu derredor protegendo-os do inferno. É importante salientar que embora a igreja e o cemitério estivessem interligados, ambos não deixaram de ser lugares públicos, nos quais ocorriam encontros e reuniões, de forma que vivos e mortos conviviam em locais comuns. (ARIÉS, 1989a)
 
 
 
 
 
Já na segunda Idade Média
Já na segunda Idade Média ocorreram mudanças significativas nas representações da morte no Ocidente. A partir do século XII, ao invés da certeza passa a reinar a incerteza, uma vez que agora cabia à Igreja intermediar o acesso da alma ao paraíso e o julgamento final deixava de ser visto como evento que ocorreria nos tempos finais e passa a ser visto como um evento que aconteceria imediatamente após a morte e resultaria na descida ao inferno (no sofrimento eterno) ou a ascensão aos céus (na alegria eterna) e isso dependeria da conduta do moribundo antes da morte. Essas mudanças causaram alterações nas perspectivas das pessoas em relação à morte, a qual deixava de ser algo natural e passava a ser uma provação. “Sente-se que a confiança primordial está alterada: o povo de Deus está menos seguro da misericórdia divina, e aumenta o receio de ser abandonado para sempre ao poder de Satanás”(ARIÉS, 1989b, p. 163).
 
Século – XII
Esta mudança de perspectiva em relação à morte, ocorrida no século XII, faz com que esta passe a ser “clericalizada”, segundo Ariés (1989b), é a maior mudança antes das secularizações do século XX.

Na baixa idade Média
Na baixa idade Média já não é mais legitimado perder o controle e chorar os mortos. O corpo do morto antes tão familiar passa a se tornar insuportável e assim, durante séculos o mesmo vai ser ocultado numa caixa sob um monumento, onde não é mais visível. ”Pouco tempo depois da morte e no próprio local desta, o corpo do defunto era completamente cosido na mortalha, da cabeça aos pés, de tal modo que nada aparecia do que ele fora, e em seguida era fechado numa caixa de madeira ou cercueil (caixão), termo francês proveniente de sarcófago, sarceu” (ARIÉS, 1989b, p. 180 – 181).

Atualidade
Segundo Carvalho (1996) na atualidade evita-se falar de morte, bem como de ver o corpo do moribundo, pois isto nos traz à consciência a ideia de nossa própria finitude. Em função desta interdição da morte é comum o círculo de relação do moribundo ocultar ao doente a gravidade do seu estado buscando assim poupá-lo desta provação. Essas transformações atingem os ritos funerais os quais passam a ter cerimônias mais discretas, condolências breves e o encurtamento no período dos lutos (SOUZA, 2002) ou como apresenta Maranhão (1986, p. 18 – 19) Depois dos funerais, o luto propriamente dito.
 
 
O dilaceramento da separação e a dor da saudade podem existir no coração da esposa, do filho, do neto; porém, segundo os novos costumes, eles não os deverão manifestá-los publicamente. As expressões sociais, como o desfile de pêsames, as “cartas de condolências” e o trajar luto, por exemplo,
desaparecem da cultura urbana. Causa espécie anunciar seu próprio sofrimento, ou mesmo demonstrar estar sentindo-o. A sociedade exige do indivíduo enlutado um autocontrole de suas emoções, a fim de não perturbar as outras pessoas com coisas tão desagradáveis. O luto é mais e mais um assunto privado, tolerado apenas na intimidade, às escondidas, de uma forma análoga à masturbação. O luto associa-se à idéia de doença. O prantear eqüivale às excreções de um vírus contagioso. O enlutado deve doravante ficar isolado, em quarentena. Segundo Souza (2002), este fenômeno ocorre não só em função da morte deixar de ser vivenciada, mas também pelo fato da cultura ocidental passar a priorizar a preservação da felicidade.
Outro indicativo para a interdição da morte na atualidade se dá em função da contastação que a mesma provoca numa sociedade cada vez mais tecnológica e totalmente voltada para a produção e para o progresso (COE, 2005; MARANHÃO, 1986; VILAR, 2000). E por fim há apontamentos de que esta negação da morte é um problema das sociedades individuais, nas quais a dor da perda gerada pela morte é mais intensa do que nas sociedades coletivas, as quais possuem relações sociais que vão além do próprio indivíduo, o que lhes possibilita a diluição da dor na coletividade e que os mesmos encarem a morte de modo natural (SANTOS, 2000; VILAR, 2000). REVISTA MULTIDISCIPLINAR DA UNIESP -SABER ACADÊMICO – n º 06 – Dez. 2008/ ISSN 1980-5950
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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