Inconfidência Mineira – Outro lado

BRASIL COLONIAL

Trago comigo um pouco do  estudo de, Júnia Ferreira Furtado para acrescentar nosso olhar sobre o contexto da Inconfidência Mineira.

O OUTRO LADO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA: Pacto Colonial e Elites Locais* Júnia Ferreira Furtado

A Inconfidência Mineira é momento privilegiado para o estudo das relações que se teceram entre Portugal e Brasil, durante o período colonial. Tradicionalmente, este movimento é interpretado como resultante do aumento das tensões inerentes ao sistema colonial. As Metrópoles, para garantir sua acumulação, tinham que exercer um controle absoluto e despótico sobre as colônias, negando-lhes a possibilidade de desenvolvimento e acumulação interna. Isto era assegurado pelo Pacto Colonial, vértice da política mercantilista.Tal era a característica que a colonização da época moderna tomou em áreas metalíferas, ou produtoras de especiarias, denominadas “Colônias de Exploração”.

Em oposição, as Colônias em áreas temperadas, sem interesse comercial para suas Metrópoles, foram designadas “de  Povoamento”, caso do norte das Treze Colônias. Como acentua Fernando Novais,1 o exercício do exclusivo metropolitano colocava em pontos opostos e inconciliáveis a Coroa e a burguesia metropolitana de um lado, contra a população mineira em geral, tendo nas Minas esta oposição atingido seu máximo. Para efetivar a exploração aurífera, de grande interesse para a política mercantilista, que tinha no metalismo um dos seus pilares de sustentação, era necessário exercer um severo controle sobre a vida social da Capitania, provocando situações de exceção.

Pedro Américo. A mais importante das reuniões dos conjurados.

Ao efetivar sua exploração, a Metrópole impedia que a classe dominante colonial pudesse usufruir das riquezas locais, que eram drenadas para a burguesia mercantil metropolitana. Um conflito latente se estabelecia entre as duas classes, intermediado pela Coroa que, se por um lado buscava a transferência das riquezas para dentro dos limites da nação, por outro lado não queria o aumento das contradições a um ponto que colocasse em risco a situação colonial. Neste sentido, a Inconfidência Mineira representaria o ponto máximo deste conflito, quando a camada dominante das Minas não mais aceitou a dominação exercida pela Metrópole e buscou romper o Pacto Colonial.

O caráter nativista do movimento, salientado pela historiografia, constituiu o marco do nascimento do espírito nacional, resultado da dicotomia Colônia/Metrópole. No entanto, para compreender a Inconfidência Mineira faz-se necessário analisar uma conjuntura mais ampla, o que significa reavaliar as relações que se estabeleceram, de um lado, entre a Metrópole e a Colônia e, de outro, entre o aparelho estatal que se montou nas Minas e a população local. O historiador, ao voltar sua atenção para a análise da intricada teia de relações que se estabeleceram entre os dois apêndices do sistema colonial, amplia seu foco de análise, o que permite uma compreensão mais global do processo. * Este artigo foi vencedor do Prêmio Assis Chateaubriand, concedido pelos Diários Associados, em Belo Horizonte, no ano de 1992, em Comemoração do Bicentenário da morte de Tiradentes. Foi publicado em LPH: Revista de História, UFOP, n. 4, p.70-91, 1993/1994. 1 NOVAIS, F. 1986.[…]

CONSIDERAÇÕS FINAIS

A Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica entre a camada dominante colonial e o Estado metropolitano. A camada dominante mostrava até que pontoela toleraria a interferência da Coroa à suas possibilidades de acumulação. Mello e Castro, que a princípio desejou uma apuração exemplar, logo percebeu que isto provocaria uma situação de instabilidade tão grande, que punha em risco a própria dominação metropolitana. A Inconfidência atrasou seus planos de uma reforma de fundo, que afastasse a plutocracia local dos cargos administrativos e fazendários que há muito ocupavam. Isto pode ser atestado por outras tentativas de reformas fiscais, que serão tentadas mais tarde.

Mello e Castro acabou percebendo que a estratégia inicial de Barbacena de resolver a questão com menos alarde possível era a mais acertada para a ocasião. Uma punição muito severa e eficaz romperia o frágil equilíbrio que sempre se estabelecera entre os dois lados do Sistema. A elite colonial (pelo menos a parte mais confiável dela) continuaria usufruindo de seus cargos, os Inconfidentes seriam degredados e aos poucos reintroduzidos nas benesses do Estado nas Colônias africanas. Os réus eclesiásticos foram transferidos para Lisboa. A maioria dos bens seqüestrados foi restituída a seus donos, como foi o caso de Rolim, ou a seus herdeiros.

Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica entre a camada dominante colonial e o Estado metropolitano.

A pena capital foi aplicada a um único caso: Tiradentes. Exatamente aquele que  provinha das camadas mais baixas da sociedade e que parece ter sido apenas um divulgador das  idéias, apesar de uma historiografia republicana ter tentado alçá-lo a uma posição de destaque. A repressão então realizada foi mais um espetáculo e a ordem colonial voltou à sua   normalidade. A Coroa consentia que parte das riquezas fosse acumulada por uma elite local e em  troca esta aceitava a situação colonial. Os interesses públicos e privados voltavam a se  consubstanciar num Estado personalista e que a tudo e todos provia. A ameaça de uma ruptura à ordem estava descartada. O Pacto Colonial sempre escondeu na verdade um beneplácito entre o Estado Metropolitano e a plutocracia colonial, abrindo espaços para que toda a população local se rearranjasse em torno deste sistema e garantisse a sua sobrevivência. Este beneplácito significava, como tinha assegurado até então, a perpetuação do sistema Colonial.

INCONFIDÊNCIA MINEIRA E A LUTA PELA INDEPENDÊNCIA

No decorrer da historia do domínio português sobre o Brasil foram muitas as conspirações, motins, revoltas e rebeliões em praticamente todos os pontos do território colonial. Mas o primeiro movimento a realmente manifestar com clareza suas intenções de romper com os laços do colonialismo ocorreu em Vila Rica, na capitania das Minas Gerais, entre 1788 e 1789: Inconfidência Mineira. Ao contrário dos movimentos anteriores, que muitas vezes não passaram de reivindicações mais restritas, a Chama Inconfidência Mineira pretendia, sobre tudo, a independência do Brasil em relação a Portugal.

É importante esclarecer que o termo inconfidência significa “quebra de fidelidade” (Melhoramentos, 2006), ou seja, traição à confiança da coroa Portuguesa.A população de Minas gerais em 1776, excluindo os índios, era superior a 300 mil habitantes, o que representava cerca de 20% da população total da América portuguesa e constituía a maior aglomeração da Colônia. Mais de 50% da população era negra, integrada por africanos importados ou escravos nascidos no Brasil.

Inconfidência Mineira

A cidade fervilhava de gente, cansados dos impostos cobrados pela Coroa portuguesa e da falta de liberdade, crescia o número de proprietários de terras, padres, advogados e até funcionários do governo que conspiravam para libertar o Brasil do domínio de Portugal. Era inevitável que a primeira fagulha de incêndio fosse declarada, pois tudo concorria para tal.Vários foram os motivos que determinaram o início do movimento, reunindo proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, numa conspiração que pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre no Brasil.

O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, entendido principalmente pelos déficits crescentes frente à Inglaterra, levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio Estado, influenciado pelo avanço das ideais iluministas.

A cidade fervilhava de gente, cansados dos impostos cobrados pela Coroa portuguesa.

Como a produção do ouro continuava a diminuir, tornou-se comum o não pagamento completo do tributo e a cada ano a dívida tendeu a aumentar e a Coroa resolveu, em 1763, instituir a Derrama. Não era um novo imposto, mas a cobrança da diferença em relação a aquilo que deveria ter sido pago. Essa cobrança era arbitrária e executada com extrema violência pelas autoridades portuguesas no Brasil, gerando não apenas um problema financeiro, mas o aumento da revolta contra a situação de dominação.

Soma-se a isso as dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente.Ávido de ouro, Portugal exigia grandes recursos humanos de sua colônia, para que fossem aplicados exclusivamente na mineração, proibindo o estabelecimento de engenho na região das Minas e punindo severamente o contrabando e ouro e de pedras preciosas. Com isso, produzia o descontentamento dos mineiros e preparava inconscientemente uma conjuração.

No governo de Maria I tomou várias medidas que estimulavam as rivalidades já existentes no Brasil entre Colônia e Metrópole. O maior motivo de descontentamento do povo era a cobrança de impostos atrasados sobre a produção de ouro – chamada de derrama. A ameaça da cobrança assustava proprietários de terras e mineradores. Muitos iriam à falência ao pagar os impostos em atraso. Por isso, conspiravam-se, e muito. O domínio português estrangulava o dia-a-dia dos brasileiros.

Iluminismo no Brasil

No plano internacional de mudanças, importantes coisas estavam ocorrendo, novas ideias aplicadas na pratica demonstravam que era possível a libertação da dominação colonial, e nas colônias da América muita gente sonhava em extirpar em sua terra a violência, a opressão, a injustiça. Num clima de grande descontentamento com a Coroa portuguesa, um grupo de intelectuais, padres, donos de terras e mineradores de Minas Gerais, decidiu que era a hora de lutar para livrar o Brasil de Portugal. Para os historiadores atuais, o que eles realizaram foi uma conjuração, uma tentativa de conspiração em defesa do Brasil. Mas, como foram considerados traidores de Portugal, a sua luta acabou passando para a história com o nome de Inconfidência Mineira.

Tiradentes foi o grande agitador da conturbada revolução. Um decidido e corajoso propagandista, numa época em que os meios de comunicação eram precariíssimos. Lutando para desencadear a revolta, Tiradentes apresentou-se como um revolucionário radical, capaz de correr qualquer risco para enfrentar o sistema radical repressivo no qual vivia. Não tinha nenhum poder, visto que sua riqueza era inexistente, não era nenhum poeta, ou grande teórico, nem conhecia profundamente as obras clássicas de sua época, mas era possivelmente o único, dentre todos os conspiradores da Inconfidência Mineira, que possuía as qualidades de grande agitador, as condições para ser um líder popular expressivo, capaz de levantar o povo e levá-lo à insurreição (BARROS, 1989, p. 5). 

Nas palavras de Julio Jose Chiavenato, Tiradentes é um personagem ímpar na história brasileira:  É um personagem que cresce na desgraça, quando já não pode ter nenhum peso revolucionário. É verdade que era indiscreto, algo irresponsável e de vida até certo ponto irregular. Mas, por ser o mais frágil dentre os inconfidentes, essas ‘más qualidades’ aparecem nele como se fossem piores do que a corrupção e a venalidade dos outros conspiradores (1939, p. 82). É notória a clareza dos historiadores quanto o fato de ser Tiradentes um homem destemido e revolucionário frente ao sistema repressivo no qual vivia. Descreve Maria Efigênia e Lage de Resende: Não era um homem culto, possuidor de conhecimentos teóricos sobre o pensamento político da época. No entanto, sua curiosidade intelectual e interesse em encontrar soluções praticas e rápidas para diversas situações (…)

A fala de Tiradentes, recolhidas em seu depoimento e nos demais réus e testemunhas, revela a presença de um revolucionário radical, destemido, frente ao sistema repressivo do qual vivia, capaz de levar à frente planos revolucionários, correndo altos riscos (1983, p.53). Tiradentes sempre negou a existência de um movimento de conspiração, porém, após vários depoimentos que o incriminava, na Quarta audiência, no início de 1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição de líder. A devassa promoveu a acusação de 34 pessoas, que tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos acusados condenados à morte.

Iluminismo no Brasil

Dos condenados, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião. No dia-a-dia Tiradentes provou possuir certa consciência política da opressão da Metrópole portuguesa sobre a Colônia e capacidade de expressar na ação uma pratica revolucionária. Não foi por acaso que, com o fracasso do movimento, ele tenha sofrido o pior castigo, o enforcamento e o esquartejamento. Tiradentes acreditava ter chegado a hora de nosso país tornar-se independente.

Após a morte, a figura de Tiradentes ficou esquecida, ou melhor, adormecida na memória do país. Era retratado como louco, traidor ou como um homem sem qualquer importância. Não se aceitava que um simples alferes do Exercito tivesse comandado o movimento de libertação, enquanto havia no grupo homens letrados, intelectuais e ricos fazendeiros. Mas Tiradentes e seu grupo mostraram que era possível sonhar com uma pátria brasileira. Depois deles, outras revoltas surgiram, os poderes da Coroa Portuguesa foi posto à prova e se espalhou à ideia do direito à independência.

A INFLUÊNCIA DO ILUMINISMO NA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

No plano internacional de mudanças, importantes coisas estavam ocorrendo, novas ideias aplicadas na pratica demonstravam que era possível a libertação da dominação colonial, e nas colônias da América muita gente sonhava em extirpar em sua terra a violência, a opressão, a injustiça. Tal foi à influência do iluminismo sobre o mundo, que serviu de base teórica e motivacional para os adeptos ao movimento mineiro, que culminou historicamente a chamada Inconfidência Mineira ocorrida em 1789.

O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Immanuel Kant , um dos mais conhecidos expoentes do pensamento iluminista, num texto escrito precisamente como resposta à questão O que é o Iluminismo?, descreveu de maneira a lapidar a mencionada atitude:

O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutela que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutela quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo (KANT, 1784 apud http://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo#cite_note-4. Acesso em 21/04/09)

O ideal Iluminista teve grande repercussão na América; primeiro influenciando a Independência dos EUA e posteriormente as colônias ibéricas. É fato histórico que ao longo do século XVIII, tornou-se comum à elite colonial, enviar seus filhos para estudar na Europa, onde tomaram contato com as idéias que clamavam por direitos, liberdade e igualdade.  A. Souto Maiorescreve:  Os filhos de famílias importantes , em virtude da inexistência de escolas superiores na sua terra, estudavam em universidades européias, onde recebiam influencias dos movimentos antiabsolutistas que sacudiam a Europa (1970, p. 217).

Filosofos do Iluminismo

De volta a colônia, esses jovens traziam não só os ideais de Locke, Montesquieu e Rousseau , mas uma percepção mais acabada em relação à crise do Antigo Regime, representada pela decadência do absolutismo e pelas mudanças que se processavam em várias nações, mesmo que ainda controladas por monarcas despóticos. A Europa estava servindo de celereiros para os estudantes brasileiros, que não só aprendiam sobre a teoria iluminista, como também sentiam-se fortemente motivados a crescer em um país mais justo e integro.

Em Coimbra e Montpellier estudavam os mineiros José Álvares Maciel, Domingos Vidal e Barbosa e o carioca José Joaquim da Maia. É fato que esse carioca, Maia, chegou entusiasmado ao Brasil devido a independência norte-americana. Através de cartas dirigidas a Jefferson, então Embaixador dos Estados Unidos na França, pediu-lhe apoio para o movimento de independência do Brasil. Historiadores relatam que chegou a entrevistar-se em Nîmes com o político, que prometeu-lhe apoio morale simpatia.

Porém, Maia faleceu em Lisboa, quando se preparava para voltar o Brasil. Em uma das cartas mais famosas de Maia a Thomas Jefferson, o estudante brasileiro escreveu:Sou brasileiro e sabes que minha desgraçada pátria geme em um espantoso cativeiro, que se torna cada dia menos suportável, desde a época de vossa gloriosa independência, pois que os bárbaros portugueses nada pouparam para nos tomar desgraçados, com o temor que seguíssemos os vossos passos; … estamos dispostos a seguir o marcante exemplo que acabais de nos dar… quebrar nossas cadeias e fazer reviver nossa liberdade que está completamente morta e oprimida pela força, que é o único direito que os europeus possuem sobre a América… Isto posto, senhor, é a vossa nação que acreditamos ser a mais indicada para nos dar socorro, não só porque ela nos deu o exemplo, mas também porque a natureza nos fez habitantes do mesmo continente e, assim, de alguma maneira, compatriotas http://www.historianet.com.br

A literatura do século era liberal e revolucionária, e embora os objetos fossem de severa censura por parte das autoridades portuguesas, um ou outro exemplar contrabandeado da Europa chegava ao Brasil.Na França, por sua vez, florescia o pensamento iluminista que logo alimentaria a Revolução Francesa de 1789, contemporânea da Inconfidência Mineira. Essa integração luso-brasileira às grandes correntes da história ocidental foi chamada de “Internacionalização do Brasil” (ARRUDA, PILETTI, 1997, p.131). Dois fatos notáveis se verificavam: a) Tomada de Consciência. Um grupos de indivíduos que, sob a influência da Revolução Americana, colocou o foco de sua critica sobre todas as peças do antigo regime: colonialismo, absolutismo, relações internacionais, religião e cultura. b) Opinião Pública. Pela primeira vez na história da colônia, começava a se constituir uma opinião publica capaz de assumir criticas em relação ao estado colonial.

Inconfidência Mineira revelou pela primeira vez uma ruptura drástica

Essa opinião publica era formada por um circulo relativamente amplo de pessoas escolarizadas da elite e das classes sociais médias. Eram estudantes, profissionais liberais, fazendeiros letrados, militares, portas, artistas, intectuais e religiosos. Os inconfidentes acreditavam ser possível atrair o apoio dessa opinião publica em gestação e, ao mesmo tempo, mobilizar as classes menos favorecidas para destruir o sistema colonial e instaurar uma Republica independente.Uma das mais importantes e influenciadoras ao movimento da inconfidência foi a Independência das 13 Colônias inglesas na América do Norte.

Apoiadas nas ideias iluministas, não só romperam com a metrópole, mas criaram uma nação soberana, republicana e federativa. A vitória dos colonos norte americanos frente à Inglaterra serviu de exemplo e estímulo a outros movimentos emancipacionistas na América ibérica, incluindo o Brasil. Um grande dissipador destas ideias iluministas aos mineiros foi o cônego Luís Vieira da Silva e Joaquim Álvares Maciel, que apareceram como conhecedores e divulgadores da historia de libertação das 13 Colônias inglesas. Maria Efigênia e Lage de Resende (1983) relata que ambos contagiavam a sociedade através das conversas “apaixonantes” sobre os episódios do movimento de libertação, demonstrando satisfação pela vitória dos colonos ingleses. Além dessas conversas, eram possuidores de uma vasta biblioteca sobre os pensadores liberais influenciadores do momento.

Mesmo não sendo um teórico destacado, é historiado que o alferes Tiradentes não se limitava ao contato com intelectuais de sua época, através de conversação e discussão. Tiradentes andou pelas livrarias do Rio de Janeiro, em busca de obras que tratassem da independência das 13 Colônias inglesas, procurava dicionários de inglês e insistia com os conhecedores do idioma, para que traduzissem trechos dos livros que lhe interessavam.Contudo, é claro que a ideologia do movimento é liberal, absorvida, sobretudo, através da leitura dos autores franceses e transferidas para uma realidade colonial. As ideias liberais foram assimiladas, sempre girando em torno de uma ideia chave: independência, ou seja, uma Republica de governo popular e livre.

Bandeira de Mnas Gerais

Conclusão

Infelizmente poucos brasileiros têm conhecimento, sobretudo, por não ler a nossa Constituição Brasileira. O Brasil como um Estado Republicano e Democrático de Direito, possui uma Constituição que foi promulgada no ano de 1988, baseada nos princípios Iluminista. Tal princípio está explícito no art. 5º, como também refletido no Direito Civil e Penal Brasileiro, ressaltando a Igualdade, Liberdade, Fraternidade, Propriedade, Segurança, e à Vida, princípios esses, inerentes a pessoa humana e dos mesmos princípios da Revolução Francesa.

Está muito evidente também na divisão dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. De fato, no Estado Democrático, cabe aos poderes criar políticas em benefício da coletividade, como também fazer cumprir o direito individual, não esquecendo que em uma democracia o poder emana do povo. Só depende de nós cidadãos brasileiros fazermos valer tais princípios constitucionais! Isto só será possível reivindicando, observando e exigindo o cumprimento de nossos direitos, executando assim nossos deveres como cidadãos comprometidos com as mudanças deste país.

A Inconfidência Mineira transformou-se num símbolo de resistência para os mineiros. A exemplo disso: a Guerra dos Farrapos para os gaúchos; a Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. Fato que a Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada como Bandeira oficial do Estado de Minas Gerais. A Inconfidência foi fracassada, mas podemos considerá-la como um exemplo da luta dos brasileiros pela independência, liberdade e contra um governo injusto, que tratava sua colônia com violência, autoritarismo, ganância e injustiça.

“Cada conquista do povo brasileiro é um reflexo do sonho dos Inconfidentes”

“Cada conquista do povo brasileiro é um reflexo do sonho dos Inconfidentes”

Uma homenagem aos inconfidentes e a Tiradentes, que lutaram para construir uma nação mais próspera e justa. Com essas palavras, a presidenta Dilma Rousseff sintetizou o espírito do 21 de Abril, “uma das datas mais significativas da história das lutas pela emancipação política do Brasil”. Nesta quinta-feira (21/4), em Ouro Preto (MG), após ser condecorada com o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência, a presidenta Dilma relembrou a luta de Tiradentes e dos inconfidentes que sacrificaram a própria vida em prol do sonho da democracia e da liberdade.

Em 21 de abril de 1792, há 219 anos, Joaquim José da Silva Xavier, o nosso Tiradentes, foi executado por ter sonhado com a independência do Brasil. O regime colonial quis punir de maneira exemplar, na pessoa de Tiradentes, a audácia dessa luta e desse sonho. Ao prendê-lo, ao executá-lo, quis extinguir para sempre o ideal mineiro e brasileiro de emancipação. Foi inútil. A revolta dos inconfidentes, que eles sufocaram, lançou para sempre a semente de liberdade no coração dos brasileiros

Para Dilma Rousseff, o ideal lançado por eles se traduz na tarefa de construção de um Brasil soberano e democrático, a qual todos os brasileiros devem e se dedicam cotidianamente. Entretanto, lembrou a presidenta, tal tarefa ainda não está inteiramente concluída. Ao citar a famosa frase de Tancredo Neves, “Enquanto houver neste país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa”, a presidenta frisou que o Brasil não será próspero efetivamente enquanto existir miséria.

“Por razões evidentes, a miséria inibe o exercício pleno da cidadania. O resgate da pobreza equivale a uma verdadeira emancipação política”, afirmou.

Ela lembrou que o Brasil, atualmente, cresce, gera empregos, distribui renda e tira milhões de pessoas da pobreza extrema; milhões de brasileiros e brasileiros que passam a integrar o “contingente dos cidadãos plenos, daqueles que têm acesso desimpedido aos bens de consumo; à saúde, à educação e à cultura”, e que isso se reflete num novo grau de amadurecimento da consciência cívica, em um ambiente de crescente liberdade. Neste caminho – continuou – entrelaçam-se o desenvolvimento e a inclusão.

É em nome deles, em nome de Tiradentes, que vamos continuar construindo uma nação cada vez mais próspera e cada vez mais justa. Em nome deles e do sopro secular de liberdade que emana aqui de Minas e de Ouro Preto que nós temos que saber responder à indagação de Cecília Meireles diante do sacrifício de Tiradentes: ‘De que alma é que vai ser feita essa humanidade nova?’”.

A resposta a indagação de Cecília Meireles, a própria presidenta fez questão de dar: “Da alma generosa de mineiros livres, de brasileiros livres, solidários e prósperos, essa é a resposta”, concluiu Dilma Rousseff.

Bandeira de Minas Gerais

A Bandeira de Minas Gerais

Teve a sua origem na Inconfidência Mineira A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.Na imagem vemos a bandeira da Inconfidência Mineira com a frase em latim “Libertas quae sera tamen” que em português significa “liberdade ainda que tardia”. A bandeira dos inconfidentes é a atual bandeira do estado de Minas Gerais. […] Embora a morte de Tiradentes tenha horrizado a população da capitania na época, a Inconfidência Mineira ficou quase esquecida durante todo o período imperial brasileiro (1822-1889).


Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes fica oficialmente como  herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

Joaquiam José da Silva Xavier - o Tiradentes

Na imagem vemos a bandeira da Inconfidência Mineira com a frase em latim “Libertas quae sera tamen” que em português significa “liberdade ainda que tardia”. A bandeira dos inconfidentes é a atual bandeira do estado de Minas Gerais. […] Embora a morte de Tiradentes tenha horrizado a população da capitania na época, a Inconfidência Mineira ficou quase esquecida durante todo o período imperial brasileiro (1822-1889).

Tiradentes e a Inconfidência foram recuperados para a História do Brasil com o início da campanha republicana, a partir de 1870. Com a proclamação da República, em 1889, apagavam-se os últimos vestígios da presença portuguesa no governo do Brasil. E Tiradentes, que era republicano, foi sendo elevado à condição de herói. Segundo os defensores do novo regime, o alferes devia ser apresentado como o mártir que morrera para defender os interesses do Brasil contra a opressão de Portugal.

Num livro de 1927, o historiador José Lúcio dos Santos trata de Tiradentes como um homem inteligente, ativo, enérgico, cheio de iniciativa. Esse Tiradentes estava muito distante da imagem de desequilibrado, exaltado, fanático e louco atribuída ao alferes pelas autoridades portuguesas e mantida no século XIX.

Fragmentos de um herói despedaçado

O quadro Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo (1843-1905), foi durante quatro anos o “interlocutor” da historiadora Maraliz de Castro Vieira Christo. A pesquisadora manteve, segundo suas palavras, um exercício de olhar a partir da obra, empreendendo um “diálogo particularizado” com o quadro…Os sentidos, no caso, não são figurados. Essa convivência rendeu a tese “Pintura, história e heróis no século XIX: Pedro Américo e Tiradentes Esquartejado”, vencedora do Grande Prêmio Capes de Teses “Florestan Fernandes”.

O orientador do trabalho, Jorge Coli, docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, onde a tese foi defendida, classificou a pesquisa de “excepcional”, opinião que, de resto, referenda o fato de a tese ter sido escolhida a melhor do ano na grande área de Ciências Humanas. O contato de Maraliz com a obra do pintor paraibano introduz na história da arte brasileira vários elementos inéditos…A historiadora, que é docente da Universidade Federal de Juiz de Fora, observa que, no Brasil, há uma certa dificuldade em se promover esse exercício do olhar pela falta de tradição…

Maraliz de Castro Vieira Christo

A escolha da obra de Pedro Américo não foi aleatória. Na opinião de Maraliz, o quadro é um caso único na história da arte brasileira e ocidental por privilegiar a visão do esquartejamento. Ao optar por isso, observa a autora da tese, Pedro Américo ignorou parâmetros consolidados da história da arte e, principalmente, da pintura histórica, entre os quais a noção do belo ideal do corpo. “A visão da violência sobre o corpo não é própria da pintura histórica. O artista foi muito corajoso, sobretudo se pensarmos que nesse momento Tiradentes se afirmava como um herói nacional”, afirma Maraliz…

Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo (1843-1905),

Ao mostrar o esquartejamento, Pedro Américo suprime o depois, enfatiza mais a agressão do sistema colonial que as virtudes do herói”, compara… A historiadora descobriu, por meio de um artigo de escrito por Pedro Américo para um jornal carioca, que Tiradentes Esquartejado integrava uma narrativa de cinco quadros sobre a Conjuração Mineira. Pedro Américo nomeia a série. A descoberta é uma grande contribuição para o entendimento da obra que está no centro da tese…

Líderes/Heróis Brasileiros

INCONFIDÊNCIA MINEIRA

A história nos mostra atos de heroísmo. Alguns pensam que o ato heroico representa dependência uns do outro. Há os que percebem como um ato louvável. Penso que  de uma certa maneira os lideres/heróis continuam sendo importantes. Mesmo na sociedade atual continuamos sentindo-nos sem autossuficiência, sem proteção dos grupos aos quais convivemos na sociedade. Muitos de nós atribuímos para outro a tarefa da proteção.

Corremos o risco de encontrarmos com heroísmo oportunista, quando alguém assume a liderança, com segundas intenções, há a possibilidade da dependência, o que pode contribuir para criação de gerações sem ação, sempre esperando que um herói resolva as questões necessárias para a melhoria de vida da sociedade como um todo, passando para o próximo o que ele mesmo poderia realizar.

Cobrando do outro resultado, o que é um drama, quando o outro decepciona o grupo que nele vê a figura do líder/herói. Normalmente vemos isso acontecer, quando os interesses do coletivo não são garantidos sendo atribuído, ao líder toda a responsabilidade do sucesso ou fracasso de algo. Pensar em uma educação critica e responsável, desde a pré-escola seria um caminho interessante, com a pretensão de todos serem responsáveis por si e pelo outro. Temos histórias de atos heroicos vitoriosos, nem sempre foi assim. Sabemos que os heróis/ lideres são necessários, como também sabemos que os atos heroicos de sucesso foram construídos com heróis/lideres em ações coletivas.

Joaquiam José da Silva Xavier - o Tiradentes

U m pouco de história… Inconfidência Mineira.

A partir da metade do século XVIII, a extração de ouro em Minas Gerais entrou em declínio. O governo português, no entanto, atribuiu a queda na produção ao provável contrabando e continuava exigindo pesados tributos dos mineradores. Em 1788, Visconde de Barbacena assumiu o governo de Vila Rica e, cumprindo ordens de Lisboa, colocou em prática a derrama – cobrança dos impostos atrasados.

Bandeira de Minas Gerais, que teve sua origem na Inconfidência Mineira. A medida, claro, criou um clima de revolta e levou membros da elite e da sociedade a planejar um movimento contra a Coroa, a Inconfidência Mineira. Mas Joaquim Silvério dos Reis delatou o movimento ao governador em troca do perdão de sua dívida pessoal e as ideias dos inconfidentes terminaram não saindo do papel.

A par dos planos dos inconfidentes, o governador ordenou que Joaquim Silvério seguisse os passos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que na época estava no Rio de Janeiro, capital da Colônia. Tiradentes tentou fugir, mas acabou preso e assumiu sozinho a autoria dos planos. Condenado à forca, morreu no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Sua cabeça foi levada para Vila Rica e pendurada em praça pública. Começou, assim, a ser criado mais um mito nacional.

Joaquim José da Silva Xavier, O  Tiradentes

Filho de Domingos da Silva Santos, português proprietário rural, e de Antonia da Encarnação Xavier, Tiradentes trabalhou como mascate e minerador, além de ter sido sócio de uma botica em Vila Rica. Foi lá que passou a se dedicar ao exercício da profissão de dentista, que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi ainda alferes do Regimento dos Dragões de Minas, e alguns estudos revelam que, neste período, passou a observar e criticar a espoliação do Brasil por portugueses.

Ao longo dos anos, a figura de Tiradentes teve diversas interpretações e por muito tempo a Inconfidência foi vista como uma revolta de pouca ou nenhuma importância. Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela Independência. Logo após a Proclamação da República, em 1889, Tiradentes vira oficialmente herói nacional, e em 1890, o dia de sua execução, 21 de abril, é declarado feriado nacional.

O Tiradentes. Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais. O nome da fazenda “Pombal” é uma ironia da história: O Marquês de Pombal foi arqui-inimigo de Dona Maria I contra a qual Tiradentes conspirou, e que comutou as penas dos inconfidentes.

Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes, um tanto depreciativa.

Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeada comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do “Caminho Novo”, estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro.

Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.

Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento de água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidensese a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil. Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.

Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado a forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.

No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.

O dia de sua execução, 21 de abril, é feriado nacional. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi renomeada em sua homenagem.

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