Como nosso cérebro compreende as alegorias presentes nos contos

Sabe amigos estive pensando sobre a questão da formação, dos educadores  e também de adultos interessados  na leitura dos contos  de fadas …então pensei em trazer comigo hoje para socializar nossos saberes algumas reflexões realizadas, tendo como norte o  trabalho com alegorias , de Michel Dufour  -( Contos para curar e crescer – Alegorias terapêuticas )… aguardo suas reflexões para ampliar este estudo. Bem  … mas o que  é uma alegoria…

“a representação, a expressão de uma idéia por uma figura dotada de atributos simbólicos ou por uma metáfora desenvolvida”…Metáfora…um procedimento pelo qual  se atribui um nome a uma pessoa ou uma coisa através de uma comparação subentendida, uma analogia.

Mas, antes de tudo preciso relembrar que, o que nos trouxe até aqui foram os estudos sobre contos de fadas.  E a interferência dos mesmos  no processo de amadurecimento da criança…acrescento, também dos adultos…que por algum motivo, em algum   momento , da sua  história  ficou com sua criança interior congelada e assustada…sem ter pra onde ir… aí sofre, pois tornou-se um adulto tristemente fragilizado…porém como nos contos de fadas …há esperanças…e isso é maravilhoso…Estive estudando com alguns amigos as riquezas dos contos curativos…entre eles  gostaria de  comentar o trabalho desenvolvido e difundido pelo psiquiatra americano Milton H. Erickson (1901 – 1980). A alegoria uma técnica terapêutica, fascinante e poderosa.  A alegoria é uma forma simbólica.  As alegorias contém sugestões  sobre como  tratar seus problemas  e caminhar com segurança para a maturidade. A alegoria  se torna um instrumento precioso que coloca em  palavras aquilo que de outra maneira estaria condenado  a permanecer  encerrado no silêncio: os medos, as angústias, os desejos, as culpas, as rivalidades, os enigmas e os questionamentos de todos os tipos…

Segundo  A. Vanasse, ” a função dos contos e das histórias é a de ajudar seu destinatário a se reconciliar com seus próprios impulsos, com a realidade da existência e da vida, onde certamente se incluem os males e a morte, além do outro e dos outros.”

O conteúdo de uma alegoria não tem por objetivo ser agradável, se for tanto melhor. Na história metafórica a pessoa percebe, conscientemente algumas vezes, mas na maioria das vezes, inconscientemente, algo que a toca ou que diz diretamente respeito a um  momento específico de sua vida.

Depois de a história ter contado sobre si mesmo e sobre seus conflitos interiores, a pessoa encontrará suas próprias soluções para aquele precioso momento de sua existência.Como as alegorias agem então em nosso interior…Nosso cérebro com seus dois hemisférios…esquerdo e direito juntam-se em sua dualidade e nos ajudam atravessar a dor pela qual estamos transitando… Sabemos amigos que nas últimas décadas as pesquisas feitas sobre o cérebro confirmam sua dualidade. Segundo B. C- Galyean a teoria do cérebro direito e do cérebro esquerdo figura entre as que tiveram o maior impacto sobre os  atuais programas de Educação. Pesquisadores afirmam que cada um dos hemisférios do cérebro parece tratar as informações de formas diferentes.

O que percebem atualmente os pesquisadores é que o hemisfério esquerdo se interessa  pelos componentes do conjunto de uma informação.  O hemisfério direito aparece como o especialista do tratamento simultâneo e analógico. Ele se interessa pelos  conjuntos e integra as partes  dentro de um todo.

A metáfora e a alegoria  são consideradas técnicas eficazes para intervir no hemisfério direito. Para Erickson,  o consciente estaria situado no cérebro esquerdo e o inconsciente provavelmente situado no cérebro direito.

Estas contribuições nos auxiliam na compreensão da nossa   questão deste post…Afinal como age a alegoria?

A alegoria é um mecanismo destinado a estabelecer conexões.  Num primeiro momento, a metáfora terapêutica permite enfraquecer o hemisfério esquerdo – o consciente. Num segundo momento, o cérebro esquerdo é novamente convidado a sintetizar o trabalho realizado no primeiro tempo. A alegoria começa por penetrar no mundo interior do ouvinte que, por referencia constante a este mundo, tenta encontrar semelhanças coerentes.

Se a história assume subitamente determinada  conduta  ou toma uma direção imprevista , o ouvinte  se vê  provocado a restabelecer  a coerência de seu  modelo do mundo comprometido na história  e, neste  momento  preciso, modifica  seu mundo  de crenças  e de  idéias  reprimidas.

As alegorias nos permitem, portanto, agregar o passado, situar-nos no presente  e projetar a esperança no futuro.

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Imagens… construímos pensamentos…depois que as informações são compreendidas pelo nosso corpo organicamente.

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