ELEIÇÕES –2014 – TRAGO COMIGO – FREI BETO E LEONARDO BOFF

ELEIÇÕES –2014 – TRAGO COMIGO – FREI BETO E LEONARDO BOFF

Em tempo de eleições, no Brasil as opiniões divergem. Acredito que nosso país pra além das mazelas que ainda são percebidas em grandes números, e de diferentes naturezas teve avanços significativos em políticas públicas. Sei o quanto…” é preciso navegar” em direção de políticas em que o cidadão verdadeiramente possa manifestar suas opiniões. Sabemos que não fizemos revolução, mas temos vivenciado um olhar e um comprometimento mais justo com a população menos favorecida. É pouco. Ainda é pouco. Porém sabemos que governar um país em que a corrupção faz parte da história e do cotidiano dos seus cidadãos é tarefa complexa. Tarefa ainda mais delicada, quando um novo governo, (no caso o governo do partido dos trabalhadores PT) com posturas diferentes voltadas para a emancipação do povo e provocando a possibilidade do cidadão apoderar-se de seus direitos, vislumbra a possibilidade de governar para além de 10 anos. Os conservadores de bens e da manutenção de suas riquezas ficam intolerantes. Reagem de formas das mais diversas. São arbitrários, perversos, habilidosos na prática de manipular, o rumo da história ao seu favor. Vemos isto acontecer diariamente na nossa sala de estar vinculado pelas emissoras de televisão do nosso país. O que é lamentável é que estas emissoras têm concessão para manipular o contribuinte. O cidadão brasileiro. Muitas são as lutas que temos que enfrentar, hoje uma das maiores é o uso da mídia contra o cidadão. Precisamos fazer nossa crítica, em relação as lideranças da classe trabalhadora. Diferente do que as mídias ditam precisamos nos manter, no poder e melhorar nossa forma de governar. Nós sabemos governar. Dentro desta melhora proponho que as concessões das mídias devam ser revistas. Lucia di Fatima.

Frei Betto  –                     13  -razões para reeleger Dilma

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 1. Apesar das mazelas e contradições do PT e do atual governo, votarei em Dilma para que se aprimorem as políticas sociais que, nos últimos 12 anos, tiraram da miséria 36 milhões de brasileiros.

2. Votarei para que o Brasil prossiga independente e soberano, livre das ingerências do FMI e do Banco Mundial, distante dos ditames da União Europeia e crítico às ações imperialistas dos EUA.

3. Votarei pela integração latino-americana e caribenha; pelo solidário apoio aos governos de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Uruguai; pela autonomia da CELAC e do Mercosul.

4. Votarei pelo respeito ao direito constitucional de greves e manifestações públicas, sem criminalização dos movimentos sociais e de seus líderes.

5. Votarei pela Política Nacional de Participação Social; pela manutenção de cotas em universidades; pelo Enem, o Pronatec e o ProUni; e pelo aumento do percentual do PIB aplicado em educação.

6. Votarei a favor do Programa Mais Médicos que, graças à sua ação preventiva, fez decrescer a mortalidade infantil para 15,7 em cada 1.000 nascidos vivos.

7. Votarei pelo crédito facilitado e o reajuste anual do salário mínimo, de modo a ampliar o poder aquisitivo das famílias brasileiras, a ponto de viagens aéreas deixarem de ser um luxo das classes abastadas.

8. Votarei para que o trabalho escravo em fazendas do agronegócio seja severamente punido e tais propriedades confiscadas em prol da reforma agrária.

9. Votarei para que a Polícia Federal prossiga apartidária, efetuando prisões até mesmo de membros do governo, combatendo o narcotráfico, o contrabando e a atividade nefasta dos doleiros.

10. Votarei para que a inflação seja mantida sob controle e, no Brasil, o crescimento do IDH seja considerado mais importante que o do PIB. Se nosso PIB cresce pouco, nosso IDH é o segundo do mundo, atrás apenas dos EUA, se considerarmos o tamanho da população.

11. Votarei para que a nossa diplomacia permaneça independente, aliada às causas justas, sem tirar os sapatos nas alfândegas usamericanas e endossar o terrorismo bélico dos EUA, que dissemina lagrimas e sofrimentos em tantas regiões do planeta.

12. Votarei pela preservação do Marco Zero da internet, sem ingerência das gigantes de telecomunicações, interessadas em mercantilizar as redes sociais e manter controle sobre a comunicação digital.

13. Votarei, enfim, por um Brasil melhor, mesmo sabendo que o atual governo é contraditório e incapaz de promover reformas de estruturas e punir os responsáveis pelos crimes da ditadura militar. Porém, temo o retrocesso e, na atual conjuntura, não troco o conhecido pelo desconhecido.

Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

Escritor e assessor de movimentos sociais
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As muitas razões para votar em Dilma

20/09/2014imagesCAL13DSA BOFF

 Reconhecendo os percalços e erros que houve nos últimos 12 anos do governo de Lula-Dilma e vendo os esboços de projetos políticos apresentados pelos partidos de oposição, estou convencido de que o projeto liderado pelo PT com Dilma é ainda o mais adequado para o Brasil. Só por isso já meu voto vai para Dilma Rousseff.

Mas tenho outras razões a serem ponderadas.

A primeira delas se trata de algo de magnitude histórica inegável. A partir de 2002 com Lula e seus aliados ligados às bases da sociedade, fez-se, pela primeira vez, uma revolução democrática e pacífica no Brasil. Importa dizer claramente: o que ocorreu não foi apenas uma alternância de poder, mas a alternância de classe social. As classes dominantes que ao longo de toda a história ocuparam o Estado, garantindo mais seus privilégios do que os direitos de todos, foram apeadas do Estado e de seus aparelhos. Um representante das classes subalternas, Lula, chegou a ser Presidente. E realizou uma verdadeira revolução no sentido que Caio Prado Jr. deu em seu clássico A Revolução Brasileira (1996): revolução significa “transformações capazes de atender as aspirações das grandes maiorias que nunca foram atendidas devidamente; revolução que leva a vida do país por um novo rumo”.

Não podemos negar que milhões viram suas aspirações atendidas e que hoje o rumo do Brasil é outro. Pode não ser do agrado das classes dominantes que foram derrotadas pelo voto. De um Estado neoliberal e privatista que se alinhava ao neoliberalismo dominante, passamos a um Estado republicano, Estado que coloca a res publica, a coisa pública, o social no foco de sua ação, Daí a centralidade que o governo Lula-Dilma deu aos milhões que estavam secularmente à margem e que foram – são 36 milhões – inseridos na sociedade organizada.

Esta conquista histórica não podemos perdê-la. Há que consolidá-la e aprofundá-la. Os que antes comiam caviar tem que se acostumar a comer carne de sol ou baião de dois.

Para consolidar esta revolução é que voto em Dilma.

A segunda razão consiste em garantir as duas revoluções que ocorreram: uma rumorosa e outra silenciosa. A rumorosa foram as muitas políticas sociais que são do conhecimento geral. Estas ficaram visíveis nas multidões que começaram a usufruir daqueles benefícios mínimos de uma sociedade moderna. Tal fato correu mundo e serviu de ponto de referência para outros paises. Quantas vezes, andando nos meios populares, ouvi a frase: “O PT pensa nos pobres” Não só pensa nos pobres mas faz para os pobres e mais ainda, na linha de Paulo Freire, faz com os pobres. Mas houve tambem uma revolução silenciosa: as várias universidades federais criadas em todo o pais e as dezenas de escolas técnicas e cursos professionalizantes que habilitaram mihões de pessoas. Essa política de educação deve ainda ser estendida, multiplicada e ganhar qualidade. Por esta razão meu voto vai para Dilma.

Uma terceira razão é o crescimento com a multiplicação de empregos. É verdade que o nosso crescimento é pequeno mas nunca se manteve o desemprego a níveis tão baixos, 5,5% dos trabalhadores. No mundo, dada a crise neoliberal, existem cerca de 400 milhões de dezempregados; só na zona do euro são 102 milhões em países   com nenhum ou com irisório crescimento.

De forma vergonhosa, a Inglaterra para aumentar seu PIB incluíu nele  o tráfico de drogas e a prostituição, ganhando assim 37 bilhões de dólares a mais (veja o The Guardian de 29 de maio de 2014).

Nossa geração viu cair dois muros, o de Berlim em 1989 e o de Wall Street em 2008. Resistimos às duas quedas: não perdemos os ideais do socialismo democrático nem tivemos que desempregar e renunciar às políticas públicas. Os salários nesses 12 anos subiram 70% acima da inflação. Por isso minha preferência é por Dilma.

Um quarta razão: em algns estratos do PT houve corrupção. Esta não vem de agora mas de muito antes. Há que reconhecê-la rejeitá-la e condená-la Mas jamais, em nenhum momento se acusou a Presidenta Dilma de corrupta. Nem nunca ela aceitou aprovar projetos que fossem danosos ao povo brasileiro. Sempre foi fiel ao povo, point d’honneur de sua gestão.

Lutaremos para vencer. Não para vencer simplesmente. Mas para consolidar o que já se ganhou, avançar e aprofundar em muitos pontos, especilamente, naqueles que foram gritados nas ruas em junho de 2013. Resumindo ai se pedia: queremos uma democracia participativa, na qual os movimentos sociais possam ajudar a discutir, pensar e decidir os melhores caminhos especialmente para os mais vulneráveis. Isso implica melhor educação, mais saúde, transporte decente, saneamento, cultura onde o povo possa mostrar o que sabe e participar do que se faz nas várias regiões do Brasil.

Temos que avançar na redução da desigualdade, na sustentabilidade ambiental, na reforma agrária, no proteção das terras indígenas e na cultura em todas as suas expressões. Pela cultura se supera a mentalidade meramente consumista e materialista e se cria o espaço para aquilo que só o ser humano pode realizar: criatividade nas artes, na música, no teatro, no cinema, nas letras e em outros campos em que a cultura se expressa. Na cultura se revela mais claramente a alma de um povo. Estou segiuro que Dilma acatará esses pontos. Para que isso aconteça com mais segurança voto em Dilma.

Por fim, estamos assistindo ao alvorecer de uma nova civilização biocentrada, quer dizer, que coloca a vida no centro, a vida humana, a vida da natureza e a vida da Mãe Terra, à qual devem servir a economia, a política e a cutura. O Brasil tem todas as condições de ser um dos primeiros a inaugurar esta nova fase da história. Com Dilma será mais fácil percorrer esse caminho. Por isso voto em Dilma na esperança de que seja o mais certo e seguro  para o futuro do povo brasileiro.

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Carinho no dia-a-dia. Urgente!

Estou pensando sobre as dificuldades, que nós humanos temos de praticar  generosidades verdadeiramente. No momento atual esta muito difícil a manutenção da relações de companheiros de qualquer que seja a orientação sexual.Percebo que a vaidade, o egoísmo, a soberba continuam cada vez mais presentes nas relações da sociedade. Eu não sei como mas é preciso mudar casa isso não aconteça a convivência humana poderá estar fadada ao fim. E nossa característica principal a de sermos seres sociáveis passará por ajustes muito complexos. Estamos na era da “mega” comunicação e não nos comunicamos com exatidão com nosso companheiro que dividimos o mesmo teto. Trago comigo um artigo de Leonardo Boff para nos ajudarmos nesta reflexão. Defendo que é necessário desenvolver carinhos entre nós com urgência. Penso que seja fundamental incorporar atitudes carinhosas no dia-a-dia. Precisamos aprender. LFR   1891204_661193187271882_98524624_n

A carícia essencial que resgata nossa humanidade

17/02/2014

 

  A carícia constitui uma das expressões supremas da ternura sobre a qual dicorremos no artigo anterior. Por que dizemos carícia essencial? Porque queremos distingui-la da carícia como pura moção psicológica, em função de uma bemquerença fugaz e sem história . A carícia-moção não envolve o todo da pessoa. A carícia é essencial quando se transforma numa atitude, num modo-de-ser que qualifica a pessoa em sua totalidade,  na psiqué,  no pensamento, na vontade, na interioridade, nas relações. 

O órgão da carícia é, fundamentalmente, a mão: a mão que toca, a mão que afaga, a mão que estabelece relação, a mão que acalenta, a mão que traz quietude. Mas a mão é mais que a mão. É a pessoa inteira que através da mão e na mão revela um modo-de-ser carinhoso. A carícia toca o profundo do ser humano, lá onde se situa seu Centro pessoal. Para que a carícia seja verdadeiramente essencial precisamos cultivar o Eu profundo, aquela busca do mais íntimo e verdadeiro em nós e não apenas o ego superficial da consciência sempre cheia de preocupações.

A carícia que emerge do Centro confere repouso, integração e confiança. Daí o sentido do afago. Ao acariciar a criança a mãe lhe comunica a experiência mais orientadora que existe: a confiança fundamental na bondade da vida; a confiança  de que, no fundo, apesar das tantas distorções, tudo tem sentido; a confiança de que a paz  e não o pesadelo é a realidade mais verdadeira; a  confiança na acolhida  no grande Útero.

Assim como a ternura, a carícia exige total altruismo, respeito pelo outro e renúncia a qualquer outra intenção que não seja a  da experiência de querer bem   e de amar. Não é um roçar de peles, mas um investimento de carinho e de amor através da mão e da pele, pele que é o nosso eu concreto .

O afeto não existe sem a carícia, a ternura e o cuidado. Assim como a estrela precisa de uma aura para brilhar, da mesma forma o afeto necessita da carícia  para sobreviver. É a carícia da pele, do cabelo, das mãos, do rosto, dos ombros, da intimidade sexual que confere concretude ao afeto e ao amor. É a qualidade da carícia que impede o afeto de ser mentiroso, falso ou dúbio. A carícia essencial é leve como um entreabrir suave da porta. Jamais há carícia na violência de arrombar portas e janelas, quer dizer, na invasão da  intimidade da pessoa.

Disse com precisão o psiquiatra colombiano  Luis Carlos Restrepo que escreveu um belo livro  sobre “O direito à ternura”(Vozes 1998): ”A mão, órgão humano por excelência, serve tanto para acariciar como para agarrar. Mão que agarra  e mão que acaricia são duas facetas extremas das possibilidades de encontro inter-humano”

Numa reflexão cultural mais ampla, a mão que agarra corporifica o modo-de-ser dos últimos quatro séculos, da assim chamada modernidade. O eixo articulador do paradigma moderno é a vontade de agarrar tudo para possuir e dominar. Todo o Continente latinoameriano foi agarrado e praticamente dizimado pela invasão militar e religiosa dos ibéricos. E veio a Africa, a China, todo o mundo que se pôde agarrar, até a Lua.

Os modenros agarraram dominando a natureza, explorando seus bens e serviços sem qualquer consideração de  respeito de seus limites e sem dar-lhe tempo de repouso para poder se reproduzir. Hoje colhemos os frutos envenenados desta prática sem qualquer cuidado e ausente de todo sentimento de carícia para com o que vive e é vulnerável.

Agarrar é expressão do poder sobre, da manipulação, do enquadramento do outro ou das coisas  ao meu modo-de-ser. Se bem repararmos,  não ocorreu uma mundialização, respeitando as culturas em sua rica diversidade. O que ocorreu foi a ocidentalização do mundo. E na sua forma mas pedestre: uma hamburguerização do estilo de vida norteamericano imposto a todos os quadrantes do planeta.

A mão que acaricia representa a alternativa necessária: o modo-de-ser-cuidado, pois “a carícia é uma mão revestida de paciência que toca sem ferir e solta para permitir a mobilidade do ser com quem entramos em contacto”(Restrepo).      

É urgente nos dias de hoje resgatar nos seres humanos, a dimensão da carícia essencial. Ela está dentro de todos nós, embora encoberta por grossa camada de cinza de materialismo, de consumismo e de futilidades. A carícia essencial nos devolve a nossa humanidade perdida. Em seu sentido melhor  reforça também o preceito ético mais universal: tratar humanamente cada ser humano, quer dizer, com compreensão, com acolhida, com cuidado e com a carícia essencial.

Leonardo Boff é autor de O cuidado necessário, Vozes 2012.  

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A Tolerância e seus limites.

Trago comigo reflexões de pessoas, que propõem um olhar comprometido, na construção da convivência humana.

Não faz muito tempo falei sobre as questões da intolerância, entre os homens. Muitos de nós sabemos o quanto são grandes, graves e profundas as consequências, que são deixadas por conta das atitudes humanas intolerantes. O mundo novamente sentiu, viu e presenciou atitudes intolerantes “justificadas” pela religião.

Garotinho segura arma de brinquedo durante protesto contra um filme de produção dos EUA que ridiculariza o profeta Maomé, no campo de refugiados palestinos de Ain el-Hilweh, no Líbano.Fonte Uol

É profundamente lamentável. É torturante assistir a morte em nome da Fé. Sabemos que isto precisa ser transformado. As ações por conta do filme ‘Inocência dos muçulmanos’  -” O Julgamento de Maomé”,precisa ser transformada, humanizada. Já falamos aqui… A Tolerância tem limites. Penso que precisa existir ações  emacipadoraras, que garantam o direito à proteção da vida. Da convivência humana. Para além da Fé e das Culturas.

O líder iraniano acena antes de entrar no avião em Teerã, rumo aos EUA para participar da Assembleia Geral
O presidente iraniano Mahmud Ahmadineyad criticou o filme islamofóbico que desencadeou violentos protestos no mundo muçulmano, mas também pediu contenção nas reações.
“Basicamente e antes de mais nada, qualquer ação que é provocativa e ofende os pensamentos religiosos e os sentimentos de qualquer pessoas, nós condenamos”, afirmou em ao canal “CNN” em sua chegada aos Estados Unidos para participar esta semana na Assembleia Geral da ONU.
Mais de 50 pessoas morreram nos protestos e ataques em todo o mundo em resposta ao filme produzido nos Estados Unidos que denigre o Islã e o profeta Maomé. Fonte Uol24/09/2012

Leonardo Boff – espiritualidade

Mario Sérgio Cortella – espiritualidade

Dom Pedro Casaldaliga – espiritualidade e esperança

Desmond Tutu

Bono Vox – U2

Bono Vox – u2 – One

ADOÇÃO NO BRASIL

Sonhar preferencialmente, sonhos possíveis

Parabéns! Maria Verônica. Boa sorte sempre! Que suas meninas lindas sejam pessoas belas, generosas ,justas,humanas e solidárias!

A gestação de Maria Verônica, trouxe à memória uma antiga questão, a adoção no BRASIL.

Não seria momento ,diria até  tardio de melhorar o processo de adoção de crianças que ainda guardam dentro de seus sonhos, o desejo de  terem pais ou responsáveis amorosos que, desejam assumir e cuidar verdadeiramente do seu caminhar na sociedade.

Estes sonhos deixam de ser de crianças, quando os processos de adoção demoram mais que cinco ou seis anos. Tempo que parece ser regular para a adoção legal em nosso país.

TUDO TEM LIMITES, TAMBÉM A TOLERÂNCIA

Trago um pouco do olhar de Leonardo Boff para nossas reflexões

Tudo tem
limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo. Os profetas de
ontem e de hoje

sacrificaram suas vidas porque ergueram sua voz e tiveram a coragem de dizer: “não
te é permitido fazer o que fazes”.
Há situações em que a tolerância

significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou
comodismo.

Não
devemos ter tolerância com aqueles que têm poder de erradicar a vida humana do
Planeta e de destruir grande parte da biosfera. Há que submetê-los a controles
severos.

Não
devemos ser tolerantes com aqueles que assassinam inocentes, abusam sexualmente
de crianças, traficam órgãos humanos. Cabe aplicar-lhes duramente as leis.

Não
devemos ser tolerantes com aqueles que escravizam menores para produzir mais
barato e lucrar no mercado mundial. Aplicar contra eles a legislação mundial.

Não
devemos ser tolerantes com terroristas que em nome de sua religião ou projeto
político cometem crimes e matanças. Prendê-los e levá-los às barras dos
tribunais.

Não
devemos ser tolerantes com aqueles que falsificam remédios que levam pessoas à
morte ou instauram políticas de corrupção que delapidam os bens públicos. Contra
estes devemos ser especialmente duros, pois ferem o bem comum.

Não
devemos ser tolerantes com as máfias das armas, das drogas e da prostituição
que incluem sequestros, torturas e eliminação física de pessoas. Há punições
claras.

Não
devemos ser tolerantes com práticas que, em nome da cultura, cortam as mãos dos
ladrões e submetem mulheres a mutilações genitais. Contra isso valem os
direitos humanos.

Nestes
níveis não há que ser tolerantes, mas decididamente firmes rigorosos e severos.
Isso é virtude da justiça e não vício da intolerância. Se não formos assim, não
teremos princípios e seremos cúmplices com o mal.

A
tolerância sem limites liquida com a tolerância assim como a liberdade sem
limites conduz à tirania do mais forte. Tanto a liberdade quanto a tolerância
precisam, portanto, da proteção da lei. Senão assistiremos a ditadura de uma
única visão de mundo que nega todas as outras. O resultado é raiva e vontade de
vingança, fermento do terrorismo.

Onde
estão então os limites da tolerância? No sofrimento, nos direitos humanos e nos
direitos da natureza. Lá onde pessoas são desumanizadas, ai termina a
tolerância. Ninguém tem o direito de impor sofrimento injusto ao outro.

Os
direitos ganharam sua expressão na Carta dos Direitos Humanos da ONU, assinada por
todos os países. Todas as tradições devem se confrontar com aqueles preceitos.
Se práticas implicarem violação daqueles enunciados não podem se justificar. A
Carta da Terra zela pelos direitos da natureza. Quem os violar perde
legitimidade.

Por fim, é possível ser tolerantes com os intolerantes? A história comprovou quecombater a intolerância com outra intolerância leva à espiral da intolerância.
A atitude pragmática busca estabelecer limites. Se a intolerância implicar
crime e prejuízo manifesto a outros, vale o rigor da lei e a intolerância deve
ser enquadrada. Fora deste constrangimento legal, vale a liberdade. Deve-se
confrontar o intolerante com a realidade que todos compartem como espaço vital.
Deve-se levá-lo ao diálogo incansável e fazê-lo perceber as contradições de sua
posição. O melhor caminho é a democracia sem fim que se propõe incluir a todos
e a respeitar um pacto social comum.

 Leonardo Boff

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